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aborto e sua legalização
Prof.
HUMBERTO L. VIEIRA
Presidente
da PROVIDAFAMÍLIA
O
tema comporta uma análise sob vários aspectos: aspectos
éticos, morais, aspectos científicos, jurídicos, teológicos
e sobretudo aspectos políticos. Discutir sobre o início
da vida, quando começamos a existir, se a mulher como
dona de seu corpo tem direito de abortar, se o nascituro
tem direitos etc são aspectos já bastante discutidos.
Que
o início da vida começa na concepção já é pacífico e aceito
pelos defensores da vida, pela ciência e até mesmo pelos
que defendem a legalização do aborto. A afirmação de que
a mulher é dona de seu corpo e, portanto, teria direito
a abortar, também não tem sentido quando se reconhece
que o feto é um outro indivíduo e não faz parte do corpo
da mulher.
Por
isso, apreciarei o tema sob o aspecto político, muito
pouco debatido e quase nunca apresentado em debate público.
Tendo em vista que o ambiente universitário propicia esse
tipo de abordagem, nos pareceu oportuno apresentar o que
está por trás da legalização do aborto sem nos preocupar
em analisar os aspectos jurídicos, o ponto de vista religioso
ou mesmo conceitos biológicos relacionados ao início da
vida humana.
O
problema da legalização do aborto se insere num contexto
bem mais amplo que a simples discussão desses aspectos.
Para
entendermos a problemática da legalização do aborto é
necessário que examinemos a política internacional de
controle de população, uma nova forma de colonialismo
que os países do norte - países ricos - querem impor aos
países do sul - aos países pobres. Como sabemos a “onda”
de legalização do aborto, como da esterilização, como
da contracepção, do casamento de homossexuais, da educação
sexual hedonista faz parte de um “pacote”
de medidas imperialistas que querem impor a nossos filhos,
não é fato isolado e não se restringe ao Brasil e nem
à América do Sul. É importante examinarmos aqui o que
está por trás de tudo isso.
A
partir da divulgação dos projetos dos grupos defensores
da eugenia que procuram a melhoria da raça humana e da
desclassificação do documento, até então classificado
como “Confidencial”, denominado “Implicações
do crescimento da população mundial para a segurança e
os interesses externos dos Estados Unidos”, passamos
a entender o porquê de tanto esforço para legalizar o
aborto, a esterilização e outros mecanismos de controle
populacional.
O
documento do Conselho de Segurança Nacional, dos Estados
Unidos, também conhecido como “Relatório Kissinger”
e classificado com o código NSSM 200, só veio ao conhecimento
público, quando desclassificado pela Casa Branca em 1989.
Nesse
documento, assinado pelo então Secretário de Estado Henry
Kissinger, enviado, na ocasião, a todas as embaixadas
dos Estados Unidos, como instrumento de trabalho para
que agentes pudessem pressionar os governos a fim de aceitarem
a política imperialista, ali descrita, com estratégias
de ação e objetivos bem definidos, encontramos
“A
condição e a utilização das mulheres nas sociedades dos
países subdesenvolvidos são particularmente importantes
na redução do tamanho da família... As pesquisas mostram
que a redução da fertilidade está relacionada com o trabalho
fora do lar” (NSSM 200, pág. 151).
“Ter
com prioridade educar e ensinar sistematicamente a próxima
geração a desejar famílias menos numerosas” (Idem pág.
111)
“
A grande necessidade é convencer a população que é para
seu benefício individual e nacional ter em média, só 3
ou então dois filhos” (Idem, pág. 158)
“...
devemos mostrar nossa ênfase no direito de cada pessoa
e casal determinar livremente e de maneira responsável
o número e o espaçamento de seus filhos e no direito de
terem informações, educação e meios para realizar isso,
e mostrar que nós estamos sempre interessados em melhorar
o bem-estar de todos” (Idem pág. 22, § 34).
“Há
também o perigo de que alguns líderes dos países menos
desenvolvidos vejam as pressões dos países desenvolvidos
na questão do planejamento familiar como forma de imperialismo
econômico e racial; isso bem poderia gerar um sério protesto”
(Idem pág. 106).
“Prestar
serviços de planejamento familiar integrados aos serviços
de saúde de maneira mais ampla ajudaria aos EUA a combater
a acusação ideológica de que os EUA estão mais interessados
em limitar o número de pessoas dos países menos desenvolvidos
do que em seu futuro e bem-estar (NSSM 200 pág. 177).
“A
AID estimule campanhas específicas a fim de desenvolver
meios de educar as crianças de idade escolar primária
a abraçar o ideal de família de dois filhos”... (idem,
pág, 159).
“A
assistência para o controle populacional deve ser empregada
principalmente nos países em desenvolvimento de maior
e mais rápido crescimento onde os EUA têm interesses políticos
e estratégicos especiais. Esses países são Índia, Bangladesh,
Paquistão, Nigéria, México, Indonésia, Brasil, Filipinas
Tailândia, Egito, Turquia, Etiópia e Colômbia (grifo nosso,
pág. 14/15, § 30).
Quanto
ao aborto diz o documento:
Certos
fatos sobre o aborto precisam ser entendidos:
-
nenhum país já reduziu o crescimento de sua população
sem recorrer ao aborto.
-
As leis de aborto de muitos países não são estritamente
cumpridas e alguns abortos por razões médicas são provavelmente
tolerados na maioria dos lugares. É sabido que em alguns
países com leis bastantes restritivas, pode-se abertamente
conseguir aborto de médicos, sem interferência das autoridades.
...
Sem dúvida nenhuma, o aborto legal ou ilegal, tem se tornado
o mais amplo método de controle da fertilidade em uso
hoje no mundo.” (Implicações do crescimento da população
mundial para a segurança e os interesses externos dos
Estados Unidos, pág. 182/184).
Por
outro lado, um outro documento de estratégias para mudanças
da legislação, resultante da 9ª conferência da IPPF (International
Planning Parenthood Federation), a maior organização privada
internacional de controle de população, estabelece:
“Vemos
pois que um terceiro papel das associações nacionais (no
Caso do Brasil a BEMFAM) o de encontrar novas áreas para
a atividade dos grupos de pressão... poderá exercer pressão
em favor de mudanças da legislação referente ao aborto,
para colocá-la de acordo com a política da IPPF e as atitudes
culturais da população” (Gente sin Opción, pág. 59/60)
“De
tal modo, as associações nacionais deverão operar até
mesmo à margem da lei e até contra a lei, onde a legislação
é dúbia ou não está sincronizada com a opinião pública”
(idem pág. 77)
A
IPPF, Federação Internacional de Planejamento Familiar
é a maior organização privada internacional promotora
do controle de população com conotações racistas. Possui
142 filiais no mundo e no Brasil a BEMFAM, sua afiliada
tem um orçamento médio anual de 2 milhões e meio de dólares
para seus projetos.
Margareth
Sanger a fundadora e primeira presidente da IPPF declarou
suas idéias no livro “Pivot of Civilization”
e em sua revista “Birth Control Review”:
“Controle
de natalidade - mais filhos dos saudáveis, menos dos incapazes”;
“Controle
de natalidade - para criar uma raça de puro-sangue”;
“Os
filantropos que dão recursos para atendimentos nas maternidades
encorajem os sãos e os grupos mais normais do mundo a
igualar o fardo da irracional e indiscriminada fecundidade
de outros, que trazem com ele, sem nenhuma dúvida, um
peso morto de desperdício humano. Em vez de reduzir e
tentar eliminar as espécies que mais comprometem o futuro
da raça e do mundo eles tendem a tornar essas raças dominantes
numa proporção ameaçadora” (M. Sanger, Pivot of Civilization
- N. York, Bretano’s, 1992, p. 177, in Father of Modern
Society - Elasah Drogin).
Evidentemente
essas estratégias e diretrizes não ficaram apenas nesses
documentos! Para materializar essas ações algumas medidas
foram tomadas:
a)
destinação de recursos nos chamados “Projetos de
População”;
b)
criação de associações e movimentos feministas para implementarem
as medidas;
c)
criação e manutenção de um “lobby” junto ao
Congresso Nacional para trabalhar pela aprovação de leis
que atendam àqueles objetivos;
d)
criação e manutenção do “Grupo Parlamentar de Estudos
de População e Desenvolvimento” para apresentação
e aprovação de projetos de lei que consubstanciassem as
medidas propostas;
d)
destinação de recursos específicos para “assessoramento”
a parlamentares à nível federal.
e)
pressão dos países ricos, nas conferências internacionais,
para que se adote o “planejamento familiar”
com o objetivo de controlar o crescimento da população
através da contracepção da esterilização e do aborto.
O
documento “Inventory of Population Projects in Developing
Countries around the World”, publicado pelo Fundo
de População das Nações Unidas - FNUAP de 2 em 2 anos
relaciona os projetos de controle de população com os
recursos financeiros devidamente alocados.
Entre
os recursos destinados a projetos, no Brasil, encontramos:
Planejamento
Familiar e a Assembléia Constituinte Brasileira. Monitorar
e onde necessário dar assistência no desenvolvimento do
tema planejamento familiar no texto da constituição brasileira.
Membros do Grupo Brasileiro de parlamentares sobre População
e Desenvolvimento receberão instruções técnicas sobre
o assunto que contribuirão para debates sobre planejamento
familiar - Pathfinder Fund, US$112.755”
Manter
assessoramento ao Grupo Parlamentar de Estudos de População
e Desenvolvimento; manter contratos com governos estaduais,
manutenção de uma rede de clínicas; propagação de informações
e programas de educação para o público em geral. IPPF
para BEMFAM: US$ 2.552.000 em 1989; 1.752.200 em 1990
e 1.752.200 em 1991” ( “Inventory of Population
Projects in Developing Countries around the World”,
publicado pelo Fundo de População das Nações Unidas -
FNUAP, 1989/91)
Outros
recursos destinados ao “assessoramento” legislativo
não constam desse documento. É o caso, por exemplo de
recursos específicos destinados ao CFÊMEA - Centro Feminista
de Estudos e Assessoria, que faz o “lobby”
no Congresso Nacional para aprovação de leis de interesses
daqueles grupos e organismos internacionais. Os que apóiam
o CFÊMEA são: FNUAP, UNIFEM, UNICEF, Fundação Ford, Fundação
MacArthur, entre outros. Em 1994 a Fundação Ford destinou
US$ 175.000 para o CFÊMEA “Para monitoração política
e programa de educação sobre Direitos Reprodutivos”
(Civil Rights, New York). Além dos 836 milhões de dólares
destinados ao Brasil, nos chamados “Projetos de
População”, nestes últimos 5 anos, outros recursos
não mencionados na publicação do FNUAP. É o caso, por
exemplo dos recursos destinados pelo UNIFEM para o CFÊMEA,
o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher ($202.000)
e outras organizações que se dedicam aos projetos de controle
de população e suas estratégias.
Evidentemente
que, com tantos recursos, é fácil conseguir pessoal para
defender a legalização do aborto e de outras atividades
relacionadas ao controle de população, além da maciça
propaganda nos meios de comunicações e envolvimento da
comunidade. E tudo isso como se fosse de interesse nacional
ou de defesa dos direitos da mulher.
Claro
está que muitos, de boa fé, trabalham para esses projetos,
por absoluta desinformação. Outros porém, assalariados,
cumprem apenas com o seu dever de empregados ou contratados.
Na
área política, posso assegurar que muitos parlamentares
agem de boa fé ao aprovar ou defender aquelas medidas.
Bombardeados pela propaganda e pelo “lobby”,
muitos de nossos deputados e senadores até acreditam que
estão fazendo o melhor para sua comunidade ao defenderem
a legalização do aborto, da esterilização etc.
Ao
lado desses vultosos investimentos medidas coercitivas
são adotadas e impostas aos países com o objetivo de reduzir
o crescimento populacional. Com a falácia da explosão
demográfica (e muitos até acreditam que o Brasil está
explodindo sua população) argumentam que para o crescimento
econômico se faz necessária a redução da população.
Entre
as medidas para estimular a redução do crescimento demográfico
estão:
a)
Não destinação de recursos para área social que implique
em estímulo ao crescimento demográfico: hospitais, escolas
etc.
b)
redução das despesas com educação e saúde nas declarações
anuais do imposto de renda.
Evidentemente
que com essas medidas a população raciocina, não se pode
ter muitos filhos hoje em dia. Não há hospitais públicos
e a assistência médica custa muito. Faltam escolas públicas
e os professores não têm salário digno; o recurso é colocar
os filhos em escolas particulares com preços, sabemos,
exorbitantes. Sem dúvida nenhuma é um artifício para as
pessoas escolherem livremente o número de filhos, contanto
que sejam 2, conforme estabelece o já citado Relatório
Kissinger.
Outras
fontes de pressão são as conferências internacionais de
população que, manipuladas por países ricos, apresentam
recomendações para o controle de população como a esterilização,
o aborto e a contracepção, recomendações estas que os
países membros devem observar em sua legislação. São exemplos
a Conferência de População do Cairo, a Conferência de
Beijing, a Conferência do Habitat II, a Conferência da
FAO e, neste ano, as reuniões preparatórias para a Conferência
de Cúpula da Terra +5 a ser realizada de 23 a 27 de junho
do corrente ano, com a finalidade de avaliar os resultados
obtidos até agora, sobre o plano de ação da Conferência
do Meio Ambiente do Rio de Janeiro de 1992, em especial
a Agenda 21. Esta agenda, como sabemos, trata, entre outras,
da imposição de metas demográficas, saúde pública e direitos
da mulher, para uma segura e efetiva saúde reprodutiva
e paternidade responsável. Saúde reprodutiva já inclui,
segundo a Organização Mundial de Saúde, o direito ao aborto
“seguro”.
A
medida que essas informações são divulgadas, a população
fica inteirada sobre essas intromissões e passa a tomar
consciência do papel a desempenhar. Por isso, já se vê
algumas reações, mesmo nos países exportadores da legalização
do aborto. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Congresso,
com maioria contrária à política do Executivo, já cortou
verbas orçamentárias para projetos de controle de população
para o Terceiro Mundo.
Entre
nós, na proporção que o cidadão é informado dessas manobras
imperialistas e de como trabalham seus representantes
no Congresso Nacional, passa a exercer sua cidadania consciente,
escolhendo melhor seus representantes.
Conclusão
1.
Os debates sobre a legalização do aborto não devem se
restringir à discussões teológicas, morais ou éticas mas
ao exame dos aspectos políticos que envolvem.
2.
As propostas de legalização do aborto fazem parte de um
plano internacional de controle de população imposto pelos
países ricos e por grupos interessados na “melhoria
da raça humana” e não atendem aos reais interesses
das mulheres, nem do País.
3.
A divulgação de informações é de importância fundamental
para que a comunidade tome consciência de seu papel e
não aceite interferência externa em sua política populacional.
4.
O exercício da cidadania passa pelo voto. Os eleitores
devem ser informados do trabalho de seus representantes
no Congresso Nacional para melhor escolherem os futuros
parlamentares.
5.
A legalização do aborto não interessa ao Brasil. É uma
arma dos imperialistas antinatalistas. Nenhum país é forte
sem povo educado e sadio. A ocupação de nossos espaços
vazios é uma condição para garantir a integridade de nosso
território.
6.
Os vultosos recursos destinados ao controle de população
por grupos e países ricos não significam melhorias para
a comunidade, pelo contrário, servem aos interesses dos
países do norte.
7.
Se a redução da população significasse prosperidade para
o país, o Brasil seria um dos países com a população mais
rica do mundo uma vez que reduziu sua fertilidade em 50%,
nos últimos 20 anos. Proeza que nenhum outro país conseguiu
nesse curto espaço de tempo.
8.
A pretensa defesa dos direitos da mulher, alegada pelos
partidários da legalização do aborto, é uma falácia. Em
verdade trata-se de usar as mulheres em benefício dos
interesses imperialistas e racistas.
9.
Não existe no mundo maior amor do que o de uma mãe para
com seu filho, mas a propaganda abortista levou muitas
mães a odiarem seus filhos a ponto de assassiná-los de
maneira covarde e sem nenhuma defesa ainda no inicio de
suas existências.
10.
Explosão demográfica é uma falácia para justificar a intervenção
nos assuntos internos dos países e criar-se um Estado
Mundial, onde a globalização é apenas uma etapa do processo
de domínio do mundo.
(Exposição
feita na UnB - Departamento de Psicologia - em 22.04.97
para o seminário sobre legalização do aborto)
Bibliografia
1.
“Implication of Worldwide Population Grow for U.S.
Security and Overseas Interests - NSSM 200” - 1974
Classificado como “Confidencial” e desclassificado
pela Casa Branca em 1989.
2.
“Inventory of Population Projects in Developing
Countries Around the World” - FUNUAP 1993.
3.
Drogin, Elasah - Margareth Sanger - Father of Modern Society
- Cul Publications, New Hope, KY 40052, 1989
4.
“A Strategy for Legal Change” Margareth Owen,
Law and Planned Parenthood Adviser, IPPF, agosto de 1981
5.
Strategy for the Development of Sex Education in Latin
America. A Study by an Expert Commission convened by IPPF/WHR.
New York, October, 26-28, 1976.
6.
Leyes, Políticas y Fecundidad Adolescente: Un Resumen
Internacional, John M. Paxman, Division de Políticas de
Población - The Pathfinder Fund - Documento escrito como
parte do trabalho da IPPF no campo da fecundidade do adolescente.
7.
SCHOOYANS, Michel - O Aborto: Aspectos Políticos, Marques
Saraiva Gráficos e Editores Ltda, 1993
8.
EXCESSIVE FORCE - Power, Politics & Population Control.
Information Project for Africa, Post Ofice Box 43345,
Washington, DC 20010 - U.S.A.
FONTE:
Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família www.providafamilia.org.br
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