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TITULO
Mel Gibson fala sobre A Paixão de Cristo com ACI Digital
Alejandro Bermúdez: Dá a impressão até o momento que fazer A Paixão foi uma dor de cabeça, qual é a gênese desta idéia, quando foi sua primeira centelha e como evoluiu até o que é agora? Mel Gibson: Creio que comecei a me concentrar na verdadeira Paixão seriamente e pela primeira vez na minha vida adulta, há 12 anos. Cresci como católico, minha família me criou no catolicismo antigo. Tenho 47 anos, a ponto de completar 48, portanto eu lembro toda a Missa tridentina. Durante meus anos de adolescente de alguma maneira me afastei da devoção, o mundo me sujeitou, mas neste momento da minha vida quando busquei respostas, significado e este tipo de coisas, regressei. Não me afastei completamente, sempre tive fé e jamais a negaria, mas a verdade é que me tornei preguiçoso. Não havia muita “paixão” nisto, mas quando alguém busca respostas regressa. Descobri que para curar as feridas da minha vida devia observar as feridas de Cristo e por fim a Paixão. Isto gerou em mim muita curiosidade e comecei a ler muito sobre o tema por doze anos até que chegou um ponto no qual eu disse “tenho que colocar isto num filme”, porque penso que é nosso dever professar, ensinar e deixar que Cristo fale em nossas vidas em nossos próprios afazeres. E eu não sou um pregador, não sou sacerdote, nem nada deste estilo; mas sou um cineasta. Senti que podia dizer algo na tela com esta história, que é um aspecto da história de Jesus, sua Paixão. Havia uma imagem muito clara em minha cabeça de aonde queria chegar. Você teve muito sucesso na sua carreira como ator e produtor, como interpretaria, se acontecer que A Paixão não faça tanto sucesso com seus outros filmes? E pode ser que não seja, não tenho idéia. É um grande risco que assumi, de alguma maneira o corri com todos. Penso que é uma história que a maior parte das pessoas conhece, talvez não intimamente mas sabe sobre ela pelo menos superficialmente. Não tenho idéia (do sucesso), só quis fazer o filme que eu queria, ver o filme que eu gostaria de ver. Isso é o que eu faço quando dirijo filmes, faço filmes que quero ver e tento fazê-los. Afortunadamente existem pessoas como eu que querem ver a mesma classe de coisas e assim tem sido até agora, que o filme que eu quis ver e fazer para mim, era também o filme que os demais queriam ver. Tenho esperança em que as pessoas se descubram atraídas a vê-lo mais de uma vez. Não é um filme fácil de ver, é difícil, mas a Paixão foi difícil. Na hora de vê-lo encontrei que havia purgardo grande parte de mim, de alguma maneira vê-lo me cura, é uma coisa estranha. Nunca experimentei um filme como este. É diferente de todos os filmes que eu já vi. Não creio que já tenha visto algo assim. Na realidade não. É diferente, e com certeza, como é tão diferente muitas pessoas não irão vê-lo, mas provavelmente por ser tão diferente todo o mundo vai vê-lo. Não tenho idéia de como será. E realmente não me importa, porque creio ter cumprido com tudo que tinha que fazer. E por mais que sejam cinco as pessoas que a vejam e isso faz algo por elas, então valeu a pena. Você é uma espécie de ícone em Hollywood graças ao seu sucesso como cineasta e ator. Você tem uma grande quantidade de amigos e colegas que definitivamente não compartilhariam teus valores ou interesses, que tipo de comentários dos seus amigos e conhecidos em Hollywood você reebeu sobre o seu filme? Na verdade muito ânimo. Alguns desles estão intrigados. Meus bons amigos, as pessoas com quem trabalho há muitos anos, todos eles se somaram à causa. Dizem coisas como “vamos, faça-o sem importar o que digam”. Não virão do mesmo lugar que eu e creio que não importa em que etapa da sua vida eles estejam, mas creio que vão obter algo disto em algum nível. Hollywood é um povo algo estranho, freqüentemente foi chamada a “Cidade do Pecado” e estou submergido até as orelhas nela. Sou tão culpável como qualquer outro, assim que certamente não se trata de julgar nem acusar ninguém. Não o faria, me dá muito medo fazê-lo. É muito fácil ser julgado e parece até justo em Hollywood, onde estamos para fazer o inesperado. Creio que é bom fazer algo que remova as coisas e fazer A Paixão é remover as coisas. Neste sentido, você disse que desde um ponto de vista financeiro ou de distribuição você não tem idéia se A Paixão vai ser um grande êxito ou não. Pessoalmente, qual seria para você o sucesso deste filme independentemente do aspecto ecônomico? Eu só quero que o “lá de cima” me dê uma palmadinha na cabeça, isso é tudo. Nada mais. Creio que fui o mais fiel possível à história tal como é contada, como é relatada nos Evangelhos, e creio ter alcançado um trabalho suficientemente bom como para que seja agradável ao Todo-poderoso. E como eu disse, se apenas umas quantas pessoas tiram algo de bom do filme será fabuloso. Creio que é uma grande coisa poder mudar o coração de alguém. Espero que o filme tenha o poder de fazer isto, não sei se tem ou não, creio que é provável, não estou totalmente seguro. Uma pessoa nunca está segura sobre seu trabalho, é mais fácil estar muito inseguro sobre ele. Os latino-americanos e as pessoas de fala hispana têm em geral a religião cristã mais enraizada em sua cultura, quais são as suas expectativas com respeito a este público particular para o seu filme? Eu espero que fortaleça a sua fé, suas crenças. De repente, poderá completar alguma parte do mistério. Há uma parte do mistério do sofrimento, do amor através do sofrimento que é difícil de explicar. Pois me parece que em A Paixão lhe damos uma rápida olhada. O amor que sofre, o amor através do sofrimento. E existe bastante sofrimento no mundo. Todos têm que experimentar certo sofrimento em suas vidas, se vãos se beneficiar ou não depende deles. Mas existe algo positivo que ganhar com o sofrimento. Não é que o busque, não gosto do sofrimento e se gostasse não valeria à pena. Espero que A Paixão aumente a fé, as crenças das pessoas devotas. É uma série de imagens baseadas nos Evangelhos que espero que sirva para aprofundar a compreensão de toda a realidade e o mistério que a envolve. |
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