Sathyanarayana Raju -seu verdadeiro nome- nasceu em 23 de novembro
de 1926. Seu pai foi Pedda Venkama Raju e sua mãe, Easwaramma. Aos quatorze
anos -logo de alguns fatos considerados por ele como sobrenaturais- declarou-se
como a reencarnação de Sai Baba de Shirdi, o denominado santo
de Shirdi da região de Maharashtra, que faleceu em 1918.
Em 1944 realiza a sua primeira viagem como "sábio"
à região de Bangalore. Desde este momento começa a vestir
a túnica que inicialmente foi cinza claro, depois branco e finalmente
cor de açafrão.
Entre 1948 e 1950 construiu o denominado Prasanthi Nilayam ("A
Morada da Paz Suprema"), uma espécie de cento de adoração.
Entre seus discípulos mais próximos encontra-se o P.V. Narashima
Rao e S. B. Chavan até P. N. Bhagwati e T. N. Seshan.
O Fideicomisso Central Sathya Sai Baba administra a Academia
de Música de Prasanthi Nilayam, o Fideicomisso Médico administra
o hospital de Rs 3 bilhões (U$ 67 milhões), a extensão
total da propriedade é de 245 hectares. Sai Baba tem outras residências
em Whitefiel, próximo a Bangalores e em Kodaikanal, onde passa os meses
de março e junho.
Há 2. 560 Centro denominados "Sai" no estrangeiro.
Sai Baba saiu da Índia somente uma vez no ano de 1968 quando viajou a
Uganda.
As crenças
Segundo os devotos, a missão de Sai Baba não inclui
a criação de uma nova religião, seita ou culto, o qual
motivou que pessoas de diferentes religiões se aproximem dele, ainda
que ao final deixem sua própria religião.
Segundo diz o principal fim é "estimular e motivar
ao indivíduo na busca da auto- realização. As pessoas que
têm sua própria fé devem aprofundar-se nela, sem que sejam
perturbados".
O caráter universal de sua missão está
representando no Sarva Dharma o emblema que simbolicamente engloba a todas as
religiões.
Sai Baba tornou-se famoso por suas curas, pela suposta materialização
de uma variedade de substâncias que distribui entre seu público
(incluindo comidas quentes e líquidos), por sua suposta faculdade de
bilocação, teletransporte, levitação e precognição
e por seus fenômenos luminosos.
Foi objeto de limitados estudos por parte dos investigadores
psíquicos do Ocidente, que não puderam provar a validade de suas
proezas paranormais.
Rapidamente, Sathya Sai Baba atraiu seguidores assombrados com seus milagres
e cativados por sua personalidade ainda que muitos o criticaram e rejeitaram.
Erlendur Haraldsson, psicólogo da Universidade da Islândia
e pesquisador psíquico, começou em 1973 uma pesquisa dos fenômenos
paranormais relacionados com Sai Baba que se prolongou durante dez anos. Para
isso teve que realizar várias viagens à Índia a fim de
entrevistar a Sai Baba, seus seguidores e seus críticos, sendo acompanhado
várias vezes por karlis Osis, que então formava parte da American
Society for Psychical Research; em uma oportunidade pelo doutor Michael Thalbourne,
da Universidade de Washington; e em outra pelo doutor Joot Houtkooper, da Universidade
de Amsterdã.
Sai Baba negou-se a se submeter a experiências controladas
a fim de verificar suas faculdades psíquicas tornando desta maneira impossível
a obtenção de provas irrefutáveis. As pesquisas de Haraldsson
estabeleceram que as pregações precognitivas de Sai Baba nem sempre
são precisas assim como nem todas suas curas são efetivas.
A Organização
Os detalhes de como funciona a organização de
Sai Baba foram revelados por Harii Sampath, ex- membro do Corpo de Inteligência
e Segurança do Ashram Prasanthi Nilayam.
Em uma carta o ex-devoto disse que "Quero compartilhar com todos várias
observações que pude fazer sobre a operação Sai
Baba durante meus anos como membro do corpo de inteligência e segurança
do Ashram.
Primeiro quero lhes contar o que sei de fato. Sai Baba é
uma tremenda fraude e tem muita gente ajudando-o em diferentes níveis.
A maioria da ajuda mais séria e a assistência mais ativa procede
de um círculo e não mais que seis ou dez indivíduos, quase
todos indianos, que estiveram com Sai Baba por décadas. É precisamente
este grupo, o que tem um controle total dos fundos e que responde só
e diretamente a Sai Baba".
Mais adiante revela que há um segundo nível de
pessoas, provavelmente um número entre doze e vinte, isto inclui a alguns
estrangeiros e que respondem algumas vezes diretamente a Baba, mas regularmente
têm que ir através do círculo mais próximo. Estes
não controlam os fideicomissos, mas têm um acesso limitado a alguns
dos fundos segundo lhes permite Sai Baba e seu círculo mais íntimo.
Segundo Harii Sampath algumas das funções do segundo
grupo é apoiar a base do primeiro grupo mantendo o mito de Sai Baba "vivo"
no estrangeiro, promovendo atividades entre os devotos estrangeiros, organizando
sutilmente as doações de grandes quantidades de dinheiro e o mais
importante de tudo, promovendo o espetáculo dos "milagres",
tanto entre os devotos nacionais como entre os estrangeiros.
Os círculo mais íntimo e mais próximo a Sai Baba são
regularmente membros do fideicomisso centra de Sai Baba e muito raramente mudam.
Este fideicomisso também inclui a homens muito eminentes com altos postos,
mas estas "figuras públicas" nunca recebam a autoridade para
manejar os fundos, mas que estão para ser um enlace efetivo nas antessalas
do poder e acrescentar uma aura de respeitabilidade à Organização
de Sai.
A recompensa para estes executivos de mais baixo nível
por sua "lealdade" é uma entrevista anual com Sai Baba concertada
pelos membros do fideicomisso de segundo nível. A maioria destas pessoas
não sabem a história de Sai Baba completa, alguns deles até
acreditam que Sai Baba é "divino" e poderoso e atuam com crenças
mal guiadas. Outros sabem exatamente o que está acontecendo e está
somente cumprindo com seu papel para receber "promoções"
como fariam em qualquer outro negócio. Estes são os que preparam
todas as conferências.
As denúncias
Em um artigo da Revista "India Today", publicado em
4 de dezembro de 2000, um grupo de ex-devotos contam a verdade sobre Sai Baba.
A revista assinala que "para os ex-devotos de Sathaya Sai,
é como se em um instante tivessem perdido seu deus para sempre. É
uma experiência devastadora que os transporta de uma prometida 'moksha'
(libertação) para um inferno particular. Uma desilusão
que tem três etapas -rejeição, pesar e indignação".
As principais denúncias deste grupo estão centradas
em assinalar que o "deus hindu" não é mais que um abusador
sexual de crianças e jovens. Um deles é Jeff Young, um norte americano
que até pouco tempo era presidente da Organização Sai na
região Sul Central dos Estados Unidos.
Young afirma que seu filho Sam foi sexualmente molestado pelo
homem-deus desde 1997 -quando Sam tinha 16 anos- até 1999. Esta mesma
denúncia foi publicada pela primeira vez no Daily Telegraph de Londres.
Para os Young esta foi uma espantosa experiência, sobretudo porque eles
há vinte anos reverenciavam a Baba.
A revista India Today afirma que agora eles "se estremecem
ao pensar que se sentiam "abençoados" crendo que o homem-deus
estava assistindo o bem-estar espiritual de seu filho e alegam que em todo esse
tempo esteve submetendo Sam a um sistemático abuso sexual. Em uma só
visita, eles lembram de ter recebido sete entrevistas privadas, enquanto que
Sam foi chamado a entrevistas privadas 21 vezes".
Nos últimos meses, uma ladainha de alegações
similares as dos Young saiu veio a tona, em sua maior parte inspiradas por um
documento chamado "The Findings", escrito pelo ex-devoto inglês,
David Bailey, que se converteu em principal expositor e coletor de numerosas
denúncias de ex- devotos de Baba.
Um destes denunciantes é Hari Sampat um engenheiro de
Chicago que serviu como voluntário de segurança interna no Ashram
de Baba de 1992 a 1995 que declara "Ter ouvido destas atividades de pederastia".
" As investiguei e encontrei que eram reais. Foi então que me dei
conta de que tinha que expor tudo".
Sampat, e outros como ele do Reino Unido, dos Estados Unidos,
Europa e Austrália identificaram vítimas de abuso sexual de Baba
e animaram a que fizessem seus relatos nos meios de comunicação
de diferentes países.
Estas crescentes alegações estão hoje em
dia sendo tomadas muito a sério em muitos dos países do ocidente
ocasionando uma proliferação de defecções nos grupos
de Sai Baba.
Na Grã Bretanha, depois do artigo na Daily Telegraph,
o MP de Trabalho, Tony Colman, introduziu o tema o Parlamento. Um ex- ministro
chamado Tom Sackville também se referiu ao assunto dizendo que "
as autoridades fizeram muito pouco até agora e isso é uma pena".
Existe agora um movimento para exortar ao governo britânico a que manifeste
avisos às pessoas que queiram visitar o ashram de Baba.
Na Austrália também, The Sunday Age tirou um artigo
sobre o abuso sexual de Baba. Em Munique, Alemanha, Jens Sethi, um ex-devoto
que alega que ele também foi molestado levantou uma queixa no escritório
do Procurador Público.
Na Suécia, o grupo central Sai fechou suas portas, assim
como uma escola baseada em programas educativos idealizados por educadores do
ashram de Baba em Puttaparthi. Nos Estados Unidos, desiludidos devotos "estão
bombardeando" a oficina da Secretaria de Assuntos Exteriores.
A Revista afirma que frente a estas acusações
o grupo mais próximo ao redor de Baba ataca os cargos de abuso sexual
de duas maneiras. Um, simplesmente denunciando-o como um ataque anti-hindu -especialmente
porque a maioria dos que executam os cargos é estrangeira. E dois, pregando
que tudo o que Baba faz é um "ensinamento". Mesmo quando estejam
fazendo algo que pareça imoral ou mal. Eles alegam que o fazem por um
propósito e portanto não pode ser questionado.
Até agora, não há queixas formais que tenham
feito na Índia. Quer dizer isto que a maioria dos abusos ocorreram com
ocidentais? Jed Geyerhahn, um norte americano que alega ter sido molestado por
Baba quando tinha 16 anos, não está de acordo com essa teoria
"Acredito que os jovens ocidentais estão denunciando e os indianos
não. Os jovens ocidentais não têm tanto que perder".
A maioria destas desiludidos ex-devotos dizem que estão
determinados a lutar para que se inicie algum tipo de ação legal
e continuar pressionando até que algo aconteça.
Conny Larson, da Suécia, foi devoto de Baba por 21 anos.
Suas alegações apareceram pela primeira vez no Daily Telegraph
de Londres em 20 de outubro deste ano.
"Baba me chamou para várias entrevistas particulares.
Eu não sabia o que acontecia entre mim e ele, mas acreditei quando me
disse que era Deus e estava me ajudando com meus problemas".
Mais testemunhos
Jens e Gurprit Sethi da Grã Bretanha escreveu uma carta
em que contava toda a história de sua relação com Baba.
"estou dando-lhes uma detalhada narrativa de minhas traumáticas
experiências com Sathya Sai Baba e espero que isto possa ajudar às
pessoas a compreender do que se trata. Todos os detalhes são corretos
e podem ser considerados um testemunho. Eu poderia, e assim o faria, testificar
o seguinte frente a uma corte aberta" diz Sethi.
"Tenho 35 anos e estive interessado no espiritual desde
minha infância. Por muito tempo fui devoto de Jesus e do Padre Pio, então,
depois de ler "A Autobiografia de um Yogui" de Yogananda, em inclinei
para o caminho do yoga".
Mais adiante relata que em outubro de 1988 se converteu em um fervoroso seguidor
de Sathya Sai Baba, e foi a Puttaparthi todos os anos e estava totalmente absorto
na áurea de Sai Baba. Eu estava totalmente convencido de que era um Avatar
e me tornei tão devoto que estava pensando e contemplando somente nele
todo o tempo" , afirmou.
O ex-devoto aponta que em 1993 começou a suspeitar um
pouco devido ao estilo de vida de Sai Baba e as atividades no ashram. "Todos
os anos via custosos edifícios novos e senti que estava se desenvolvendo
uma crescente comercialização. Em 1996 vi Baba saindo do ashram
em um "Jaguar" e outros carros caros como um "Mercedes"
e um "BMW" da linha mais cara".
"Espero que este pesadelo acabe logo e espero que pela Graça do
Todo poderoso, todos no mundo saibam das falcatruas de Sai Baba, um poderoso
demônio que veio disfarçado de um santo ilegítimo, interessado
somente em sua auto-glorificação, m]nome e fama. Ele é
um mestre da decepção".
A mesma história de decepção viveu o presidente
da região central norte de Iowa (Estado Unidos) que renunciou ao cargo
em 28 de maio de 2000.
Em sua carta Shirley Pike afirma que " a razão de
minha renúncia provavelmente escandalizará e consternará
a muitos de vocês. Há algumas semanas recebi um informação
de uma companheira devota de muitos anos sobre um correio eletrônico que
tinha recebido concernente a atos de pederastia por Sathya Sai Baba. Eu pedi
a ela que me enviasse o correio eletrônico e pessoalmente com vários
indivíduos que tiveram experiência direta com o comportamento inapropriado
de Sai Baba.
Estes indivíduos são respeitáveis, críveis
e inteligentes e não têm nenhum empenho em simplesmente queixar-se.
Eu saí destas conversas crendo nestes indivíduos e portanto renunciei
e é por isso que estou escrevendo esta carta".
Mais adiante afirma que "estou pesarosa porque cheguei
a crer que Sai Baba é um charlatão que usou o poder recebido através
do amor e a reverência de seus seguidores e as verdades das antigas Doutrinas
Védicas e as escrituras para molestar sexualmente a crianças e
jovens da idades de oito a trinta anos".
Milagres famosos?
A respeito dos numerosos milagres que adjudicam a Sai Baba o
próprio Sampath, ex-membro do Corpo de Inteligência e Segurança,
assegurou que são mentiras e o que pretendem é atrair a atenção
de mais "fiéis".
Por exemplo, contou o suposto milagre de um resgate em um acidente
automobilístico na Alemanha em que se diz que "um casal de anciãos
da Alemanha estavam visitando Baba pela primeira vez em Abbotsbury, Madrás,
onde Baba estava ficando.
Eles estavam sentados na primeira fila e quando Sai Baba, depois
de passar por onde eles estavam, parou, voltou-se e disse-lhes "Sua filha
e seu genro estiveram a ponto de chocar com um caminhão em uma estrada
da Alemanha e eu os salvei".
Efetivamente aconteceu o acidente mas a verdade foi outra.
Sampath conta que " a filha e o genro deles tiveram um
estreito escape de um choque com um caminhão e tinham ligado ao hotel
onde hospedava-se o casal de anciãos em Madrás para contá-los.
Como o casal já tinha saído do hotel para ir ver a Baba, a mensagem
foi passada a um membro do grupo com que tinham vindo, que correu a Abbotsbury
para dizer-lhes mas não pôde entrar ao arshram porque todas as
filas estavam cheias, por isso passaram o recado a um dos voluntários
principais para que chegasse ao casal da Alemanha que estava lá dentro.
Ao ser ouvida a notícia, esta chegou a Sai Baba por meio
de um fiel que lhe disse: "Pela graça de Swami, a filha e o genro
desse casal de alemães acabam se salvar-se de um acidente automobilístico
na Alemanha".
Sai Baba, obviamente, sorriu e disse "Eu sei, eu sei...".
Outro dos supostos milagres que contam é um que circulou
em 1996 quando um avião, preparando-se para aterrissar na Venezuela,
começou a ter problemas muito sérios. O piloto anunciou que tudo
estava perdido. Uma devota de Sai Baba abordo rezou a Sai Baba e viu Sai Baba
aparecer no céu!
Levava a palma da mão direita e olhava para cima e realmente
parecia que estava segurando o avião até que aterrissou a salvo.
A devota de Sai Baba rapidamente tirou sua câmara e tirou uma foto de
"Swami nos céu entre as nuvens" (Rs50 em PN por cento). Este
incidente foi reportado no jornal "Venezuela Times" como: "Santo
hindu aparece no ar para salvar avião".
A realidade -conta um ex-devoto- foi a mulher- que tinha em
suas mãos o livro "Avatar" que tema a foto de Sai Baba - entrou
em pânico e retratou o que ela cria que estava vendo pela janela do avião.
A situação do avião estava vem e aterrissaram sem problema
algum.