A Igreja abriu oficialmente o processo de canonização de uma imigrante belga que teve visões de Nossa Senhora nos EUA com um decreto assinado pelo bispo de Green Bay, Wisconsin, David Ricken.

Adele Brice (1831–1896) era analfabeta, mas percorria a pé o interior do Wisconsin ensinando crianças e famílias sobre Deus. Brice é mais conhecida pelas três visões que teve, as únicas de Maria aprovadas nos EUA.

No ano passado, cerca de 200 mil peregrinos visitaram o santuário de Nossa Senhora de Champion, Wisconsin, disse o padre Anthony Stephens, da Congregação da Misericórdia e reitor do santuário, à EWTN News.

Desde que recebeu a Primeira Comunhão, ainda menina, na Bélgica, Brice sentiu o chamado para a vida religiosa. Quando sua família decidiu migrar para os EUA, ela foi com eles, confiando no pároco que a encorajou a ir.

Ela nunca se tornou freira, "mas permaneceu fiel a essa vocação fundamental", disse o bispo Ricken.

“O que mais me comove nela é a perseverança”, disse o padre John Girotti, vigário-geral e moderador da cúria de Green Bay. “Ela se mudou para este país com os pais quando tinha vinte e poucos anos. Não era necessariamente uma vontade, mas ela veio por respeito à mãe e ao pai”.

Brice era cega de um olho devido a uma lesão sofrida na infância.

“Ela tinha fé. Ela amava a Deus. E perseverou”, disse Girotti. “Sua fé permitiu que ela movesse montanhas, como Jesus disse. E ela moveu. Ela fez grandes coisas. Ela estava aberta à vontade de Deus em sua vida”.

Em suas aparições, Nossa Senhora a chamou para catequizar crianças, e assim Brice dedicou sua vida à vocação da educação. Ela usava hábito, mas nunca foi consagrada religiosa.

“Assim que ouviu Nossa Senhora falar com ela, sua vida se transformou e ela partiu imediatamente e, pelo resto da vida, ensinou crianças, cuidou de crianças, pregou o Evangelho sem cessar, muitas vezes em grande pobreza, com fogo, com fome, com miséria, mas com uma fé enorme”, disse Girotti. “Ela perseverou. E acho que esse é um poderoso testemunho para nós hoje, para mantermos a fé e compartilhá-la”.

Depois da construção de uma capela e uma escola na área onde Nossa Senhora apareceu, a comunidade viveu uma noite que Stephens descreveu como "semelhante à batalha de Jericó".

Em 1871, quando um incêndio se aproximou da propriedade, Brice e outros membros da comunidade foram rezar.

“Eles só rezaram ao redor do perímetro da propriedade, onde havia uma cerca, e o fogo chegou até a cerca, mas queimou ao redor da própria capela”, disse Stephens. “A capela e a escola foram poupadas, e choveu na manhã seguinte”.

Stephens chamou o santuário de "um lugar de oração".

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Os visitantes variam de católicos devotos a não-católicos, inclusive pessoas que estiveram afastadas da Igreja por algum tempo, e Stephens disse que ouve muitas "confissões muito sinceras".

O santuário testemunhou "pequenas curas físicas" e "curas morais", disse Stephens, como a de uma mulher que foi curada depois de 15 anos de enxaquecas dolorosas.

Uma santa americana

Com a aproximação do 250º aniversário dos EUA, Stephens disse ser "realmente emocionante para um americano se tornar um Servo de Deus".

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“Nossa identidade católica deve moldar a maneira como vivemos como americanos, e as duas coisas podem muito bem andar juntas”, disse Stephens. “Portanto, é emocionante ter uma de nossas compatriotas reconhecida como alguém que amou a Deus radicalmente e tentou viver com virtude heroica. Devemos tentar imitá-la para que possamos viver bem como americanos”.

Ricken disse esperar que isso faça parte de um movimento para descobrir mais santos americanos. Ele disse que o papa Bento XVI havia instado a Igreja nos EUA a iniciar o processo de investigação de causas de canonização.

“Sabíamos que devia haver santos aqui, mas nós, como Igreja nos EUA, não tínhamos tomado a iniciativa de realmente embarcar nessa aventura e nos aprofundar nisso”, disse Ricken.

O evento de oração que anunciou sua causa atraiu muitas famílias jovens, segundo Ricken.

“Foi tão bonito ver todas essas famílias jovens aqui”, disse Ricken em entrevista coletiva depois do decreto. “Achei isso fantástico, especialmente porque Adele sempre foi muito ligada às crianças”.

“A Virgem Maria disse a ela para ir a esta região selvagem e ensinar às crianças o que é necessário para a fé”, disse Ricken. “E ela ainda está fazendo isso, obviamente, porque aconteceu esta noite, com todas essas crianças e famílias reunidas”.