3 de fev de 2026 às 09:27
Laura Fernández, venceu as eleições presidenciais da Costa Rica no último domingo (1). Ela é católica e pró-vida, e indicou que seu projeto político dará continuidade às políticas do atual presidente do país, Rodrigo Chaves.
Com 96,87% das urnas apuradas até às 12h de ontem (2), Fernández teve 1.191.727 votos (48,30%). Álvaro Ramos Chaves, do Partido da Libertação Nacional, tem 825.041 votos (33,44%), e em terceiro lugar está Claudia Vanessa Dobles Camargo, da Coligação Agenda Cidadã, com 119,7 mil votos (4,85%).
Tendo ultrapassado o limiar de 40% exigido pela lei eleitoral, não será necessário um segundo turno.
Além da presidência, os 57 membros da Assembleia Legislativa da Costa Rica foram eleitos no último domingo. O partido Pueblo Soberano obteve 31 cadeiras, garantindo assim a maioria no órgão que aprova as leis no país. O Partido da Libertação Nacional ficará com 17 cadeiras, a Frente Ampla com sete, e as duas restantes foram divididas entre a Coalizão Agenda Cidadã e o Partido da Unidade Social Cristã.
Formação acadêmica
Fernández estudou no centro educacional Santa Catalina de Sena, instituição católica das irmãs dominicanas, e depois na Escola Los Ángeles, também dominicana.
Segundo o site do partido Pueblo Soberano, Fernández é especialista em Políticas Públicas e Governança Democrática. No governo de Rodrigo Chaves, ela foi ministra do Planejamento Nacional e Política Econômica de 2022 a 2025 e, concomitantemente, ministra da Presidência de 2024 a 2025.
Uma presidente católica
Em sua primeira entrevista coletiva ontem (2) depois da eleição, Fernández agradeceu a “Deus e ao povo da Costa Rica” pelos resultados eleitorais.
“Confio em Deus, que sei que estará conosco todos os dias e a cada minuto do próximo governo”, disse ela.
Respondendo sobre sua relação com a Igreja e uma possível política conservadora, ela disse que seu governo seria de “total liberdade”. Dizendo ser “católica, respeitosa, devota e fervorosa em suas tradições católicas”, indicou que sua equipe seria inclusiva e participativa.
Ela disse que buscará pessoas que promovam “uma grande cruzada pela dignidade humana nacional, uma grande cruzada pelo amor ao próximo, uma grande cruzada pela justiça social, pelo resgate de valores e da família”.
Sua fé tem sido pública e inabalável: no dia da eleição, ela assistiu à missa na basílica de Nossa Senhora dos Anjos, igreja que abriga a imagem da santa de mesmo nome, padroeira da Costa Rica. Em publicação nas redes sociais, ela disse: “Rezei por todos os costarriquenhos, por este amado país, pelo que está por vir”.
Política pró-vida
Fernández já se manifestou publicamente sobre isso em várias ocasiões. No programa El Octavo Mandamiento, em 4 de agosto do ano passado, ela disse ser “contra o aborto” e que “acredita na vida desde a concepção até a morte natural”.
Uma das controvérsias mais relevantes do governo Rodrigo Chaves foi a modificação das normas sobre o aborto terapêutico, que vigoravam no país desde 2019, quando o então presidente Carlos Alvarado estabeleceu uma norma técnica que regulamentava os casos em que uma mulher poderia ter acesso a esse procedimento.
Em 15 de outubro do ano passado, Rodrigo Chaves revogou essa norma técnica e a substituiu por uma regulamentação que restringe o procedimento só aos casos em que a vida da mãe esteja em perigo iminente.
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Chaves descreveu a medida de seu antecessor como tendo "lacunas" e reafirmou que a nova cumpre um compromisso real de "proteger a vida da mãe e do nascituro".
Depois da revogação, Fernández disse estar "imensamente satisfeita porque a lei anterior, que continha brechas indevidas que colocavam em risco a vida de crianças nascituras, foi revogada".
Políticas públicas a serviço da família
Em seu plano de governo apresentado em 17 de outubro do ano passado, Fernández estabelece cinco princípios orientadores que influenciam todas as linhas de atuação. Um deles é “vida, família e os valores que nos definem como nação”.
O documento diz que todas as políticas públicas serão “concebidas e planejadas para proteger a vida e nossas famílias”.
Sua proposta de governo tem quatro outros objetivos gerais, que se traduzem em 523 objetivos específicos ou ações concretas e específicas a serem feitas em sua administração.
Segurança e o projeto de prisão de segurança máxima
Um dos principais desafios de sua administração será o combate ao crime organizado que, segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, se enraizou na Costa Rica devido à sua posição estratégica como rota de tráfico.
Em discurso ontem, Fernández anunciou uma maior alocação orçamentária para as forças policiais, e uma agenda legislativa para endurecer o Código Penal, o Código de Processo Penal Juvenil e as normas de execução de penas.
Fernández disse estar "altamente empenhada em tornar a prisão de segurança máxima uma realidade na Costa Rica", dizendo ser necessário cortar a ligação do crime organizado com o mundo exterior a partir das prisões.
Ela disse que teve uma conversa telefônica com o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que reafirmou sua disposição de colaborar com a Costa Rica no projeto e em outros projetos relacionados à segurança.
Conferência Episcopal da Costa Rica felicita Laura Fernández
A Conferência Episcopal da Costa Rica (CECOR, na sigla em espanhol) expressou ontem em comunicado, suas felicitações a Laura Fernández Delgado e aos deputados eleitos.
“Reconhecemos, neste momento, não só o culminar de um processo eleitoral, mas o início de uma tarefa exigente e de grande responsabilidade: servir toda a nação, em sua diversidade de opiniões, sensibilidades e realidades sociais”, disse a CECOR.
A conferência episcopal disse que aqueles que em breve assumirão seus cargos terão "o desafio de unir o país, sanar as divisões e promover um clima de diálogo, respeito e uma busca sincera pelo bem".
A CECOR prometeu acompanhamento espiritual e orações, pedindo a Deus que os "ilumine com sabedoria, prudência e força, para que suas decisões sejam sempre orientadas para a justiça, a paz e a dignidade de todas as pessoas, especialmente das que vivem em situações de maior vulnerabilidade".


