O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, convidou o papa Leão XIV a visitar o país em 2027, para a comemoração dos 110 anos das aparições de Nossa Senhora de Fátima. O convite foi feito ontem (2), em uma audiência privada no Palácio Apostólico do Vaticano.

Apesar de não ter uma resposta do papa, Rebelo Sousa disse ter “esperança” de que Leão XIV aceitará seu convite. “Em muitos casos, para ganhar tempo, diz que ‘sim’ com a cabeça, ou demonstra uma concordância gestual. E aí, eu não quero antecipar o papa, mas fiquei com esperança”, disse aos jornalistas depois da audiência.

Tempestade em Portugal

Na audiência, Marcelo Rebelo de Sousa também falou com o papa sobre a tempestade Kristin, que atingiu a região central de Portugal no dia 28 de janeiro, com rajadas de vento superiores a 200 km/h e chuvas intensas. Ao menos seis pessoas morreram e centenas de milhares ficaram sem energia elétrica. A tempestade provocou inundações, deslizamentos, queda de árvores e um rastro de destruição.

O papa enviou, no dia 30 de janeiro, um telegrama à Conferência Episcopal Portuguesa, assinado pelo secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin.  Leão XIV expressou “pesar pelas pessoas que perderam a vida” e se uniu “espiritualmente à dor dos respectivos familiares”.

“Sentindo muito de perto a situação dos feridos, dos desalojados e de quem ficou seriamente afetado pelos enormes estragos dessa tempestade, Sua Santidade reza pelas autoridades nacionais e locais, bem como pelas instituições civis, militares e religiosas que se unem para os socorrer”, diz o telegrama, no qual o papa também “suplica de Deus para todos o bálsamo da solidariedade e a luz da esperança cristã”.

Marcelo Rebelo de Sousa disse que, na audiência de ontem, agradeceu “muito” ao papa pela carta e “ele exprimiu a sua bênção para todos os que sofreram e para as comunidades em geral, surpreendido por serem tantos municípios a serem atingidos”.

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Rebelo de Sousa, que encerra seu segundo mandato como presidente de Portugal em março deste ano, contou que também conversou com o papa sobre as mudanças políticas em Portugal, a guerra na Ucrânia, a situação na Europa e em vários países lusófonos, como Angola e Moçambique.

 Na troca de presentes, Marcelo Rebelo de Sousa deu ao papa uma pintura miniatura portuguesa do século XVII que representa santo Agostinho, com moldura em talha dourada do século XVIII, da autoria de Branca Franco, e o livro Dez anos por Portugal, uma edição da Presidência da República que reúne fotografias dos seus dois mandatos.

Audiência na secretaria de Estado da Santa Sé

Depois da audiência com o papa, Marcelo Rebelo de Sousa se reuniu com o secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin, e com o secretário para as relações com os Estados e as Organizações Internacionais, dom Paul Richard Gallagher.

Segundo a Sala de Imprensa da Santa Sé, na conversa, eles reiteraram “o apreço recíproco pelas sólidas relações bilaterais, tal como pelo bom relacionamento entre o Estado e a Igreja local”. Depois, abordaram “a questão das dolorosas consequências e dos danos causados pela tempestade Kristin”.

Por fim, falaram sobre a “situação sociopolítica nacional e internacional, com especial atenção aos países lusófonos, salientando-se a importância de um compromisso constante em prol da paz no mundo”.