NOTICIAS 03-12-03

O Papa chama a uma renovação radical do canto litúrgico e religioso

VATICANO, 03 Dez 03 (ACI).– Em uma mensagem autografada dada a conhecer pela ocasião do Centenário do Motu Proprio “Tra le sollecitudini” sobre a renovação da música sacra, o Papa João Paulo II chamou a Igreja a empreender uma profunda renovação do canto litúrgico e da música na Missa e em outras celebrações eclesiais.

Na carta, datada de 22 de novembro , memória de Santa Cecília –padroeira da música sacra-  o Pontífice indica que o centenário da Carta do Papa São Pio X  “oferece-me a ocasião de recordar a importante função da música sacra, que São Pio X apresenta tanto como meio de elevação do espírito a Deus,  como preciosa ajuda para os fiéis na ‘participação ativa dos sacrossantos mistérios e na oração pública e solene da Igreja”.

O Papa faz então um resumo do secular ensinamento da Igreja sobre a nobreza e importância do canto litúrgico; e indica que “em tal perspectiva,  à luz do magistério  de São Pio X  e de meus outros Predecessores, e levando em conta  particularmente os pronunciamentos do Concílio Vaticano II, desejo voltar a propor alguns princípios fundamentais” sobre a composição e o uso da música nas celebrações litúrgicas.

Princípios para a música

O Pontífice passa então a enumerar princípios que considera fundamentais para a boa prática da música católica:

·        O Papa indica que “em primeiro lugar é necessário destacar que a música destinada  aos ritos sagrados deve ter como ponto de referência a santidade”. “ A própria categoria  de ‘música sagrada’  -adverte o Pontífice- hoje sofreu uma ampliação tal que inclui repertórios que não podem entrar na celebração sem violar o espírito e as  normas da própria liturgia”.

·        “A reforma obrada por São Pio X se dirigia especificamente a purificar a música da Igreja da contaminação da música profana teatral, que em muitos países tinha contaminado o repertório e a prática musical litúrgica”, lembra o Pontífice; e indica que “em conseqüência,  nem todas as formas musicais podem ser consideradas aptas para as celebrações litúrgicas”.

·        Outro princípio  é “o da bondade das formas”. “Não pode haver música destinada  às celebrações dos ritos sagrados que não seja primeiro ‘verdadeira arte’”.

·        Entretanto, “esta qualidade não é suficiente” adverte o Santo Padre. “A música litúrgica deve com efeito responder a seus requisitos específicos: a plena adesão aos textos que apresenta, a consonância com o tempo e o momento litúrgico à qual está destinada, a adequada correspondência com os  ritos e gestos que propõe”.

·        O Pontífice destaca então o valor  da inculturação na música litúrgica; mas indica que  “toda inovação  nesta delicada matéria deve respeitar critérios peculiares, como a busca de expressões musicais que respondam ao necessário envolvimento de toda a assembléia na celebração e que evitem, ao mesmo tempo, qualquer concessão à leveza e a superficialidade”.

·        “O sagrado âmbito da celebração litúrgica não deve tornar-se jamais laboratório de experiências ou de práticas de composição e execução introduzidas sem uma atenta revisão”, diz também o  Papa.

·        O Canto Gregoriano,  “ocupa um lugar particular”; pois “continua sendo ainda hoje o elemento de unidade” na liturgia.

·        Em geral, diz o Papa, o aspecto musical das celebrações litúrgicas “não pode ser deixado ao improviso,  nem ao arbítrio dos indivíduos, mas deve ser confiado a uma bem arranjada direção em respeito às normas e competências, como fruto significativo de uma adequada formação litúrgica”.

·        Por isso, no campo litúrgico, o Papa aponta “a urgência de promover uma sólida formação tanto dos pastores como dos fiéis leigos”.

Música popular e  Canto Gregoriano

O Pontífice reconhece o valor da música popular litúrgica, mas sobre elas afirma que  “faço minha a ‘lei geral’, que São Pio X formulava neste termos: ‘Uma composição para a Igreja é tanto mais sagrada e litúrgica, quanto mais no ritmo,  na inspiração e no sabor se apóia na melodia gregoriana,  e tanto menos é digna do templo, quanto mais distante fica daquele supremo modelo”. 

João Paulo II afirma que hoje “não faltam compositores capazes de oferecer, neste espírito,  sua indispensável contribuição e sua competente colaboração para incrementar o patrimônio da música a serviço de uma Liturgia sempre mais intensamente vivida”.

O Papa recorda que São Pio X, “dirigindo-se aos Bispos, prescrevia que instituíssem em suas dioceses ‘uma comissão especial de pessoas verdadeiramente competentes  em coisas de música sagrada’”. “Ali onde a disposição pontifícia foi posta em prática os frutos não faltaram”, destaca o Papa; por isso, augura que “os bispos continuem secundando o compromisso destas comissões, favorecendo a eficácia no âmbito pastoral”.

“Também  confio que as Conferências episcopais  realizem cuidadosamente o exame dos textos destinados ao canto litúrgico,  e prestem especial atenção na avaliação e promoção de melodias que sejam verdadeiramente aptas ao uso sagrado”,  conclui o Pontífice.

 

Deus sustenta os homens no “deserto da história”, diz o Papa

VATICANO, 03 Dez 03 (ACI).– Ao comentar o Salmo 113 A,  “Maravilhas do êxodo do Egito”, durante a audiência geral, o Papa João Paulo II  indicou que Deus sustenta os povos que peregrinam e sofrem “no deserto da história”.

O Papa descreveu o salmo como invocador do êxodo de Israel da opressão dos egípcios, que é “figura de outra libertação mais radical e universal”.

No Salmo, disse o Santo Padre, recorda-se o êxodo de Israel até “a entrada naquela terra prometida que é o ‘santuário’ de Deus, quer dizer, o lugar de sua presença no meio do povo”.

 “No início –diz o Pontífice-, no êxodo, o mar se retira para deixar Israel passar, e no final da marcha no deserto o Jordão abre seu curso, deixando seco seu leito para que passe a procissão dos filhos de Israel. No centro evoca-se a experiência do Sinai: agora são os montes que participam da grande revelação divina, que se realiza em seu cume”, convidando a adorar “ao Senhor, Deus de Israel, um ato de exaltação gloriosa do Deus transcendente e salvador”.

João Paulo II afirmou que  “Deus transforma a rocha em um manancial, que se transforma em um lago: na base deste prodígio percebe-se seu cuidado paterno com o  povo. O gesto adquire então um significado simbólico: é um sinal do amor salvífico do Senhor que sustenta e regenera a humanidade enquanto avança pelo deserto da história”.

 

Mel Gibson não disse  “não” ao Vaticano

ROMA, 03 Dez 03 (ACI).– Fontes da Icon Productions consultadas pela ACI Prensa negaram energicamente que a produtora de Mel Gibson tenha dito “não” ao pedido do Vaticano de apresentar em uma sessão preliminar o filme “A Paixão”; e explicou que a confusão deveu-se às indevidas expectativas criadas por alguns organizadores do evento,  que não incluem o pessoal dos dicastérios vaticanos.

O Festival de Cinema Espiritual “Cristo  e o Cinema, uma cânon cinematográfico”, organizado pelo Pontifício Conselho para a Cultura e o Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais em conjunto com o Ente do Espetáculo do estado italiano tinha anunciado a projeção do filme “A Paixão” quando na realidade a produtora Icon ainda não tinha respondido ao pedido solicitado pelo  Ente do Espetáculo.

Finalmente, a  Icon enviou uma reposta ao Ente do Espetáculo –o Vaticano nunca foi diretamente contatado com a produtora de Gibson-,  através de sua responsável de  distribuição internacional, Nick Hill; que indicou que a exibição não poderia ser possível por razões práticas.

A resposta de Hill dizia textualmente: “Obrigado por seu entusiasmo em desejar projetar ‘The Passion of the Christ’ para a assembléia de Cardeais no Vaticano nesta semana, mas lamentavelmente não poderemos enviar uma cópia neste momento porque o filme ainda não está pronto. Mel Gibson está trabalhando para completar o filme para que possa ser revisado no Ano Novo. Neste momento, preferiríamos esperar e projetar um filme completo, sendo que está apenas a algumas semanas de se completar. Graças por sua compreensão e avisaremos assim que o filme estiver pronto. Com minhas melhores considerações. Nick Hill”.

Este foi a clara mensagem da Icon que o diretor do Ente do Espetáculo italiano,  Andrea Piersanti, aparentemente enfurecido por não poder mostrar o que tinha anunciado prematuramente, terminou transformando em: “Mel Gibson diz não ao Vaticano”.

Com efeito, com este mesmo título, Piersanti auspiciou uma maliciosa nota de imprensa na qual afirmava que “os contatos com Mel Gibson haviam  seguido adiante até ontem à tarde”; apesar do ente não ter nunca tratado diretamente com Gibson e  dando a sensação de “negociações” que nunca existiram: houve apenas uma petição à qual finalmente a Icon respondeu  através de Hill.

Na mesma nota de imprensa, Piersanti descreve assim a mensagem da Icon:  “Ainda não estamos prontos, nos explicaram, e Gibson  está ainda não sala de montagem  edulcorando as cenas mais violentas”.

Piersanti lamenta-se indicando que esta teria sido a ocasião “para colocar a palavra  ‘fim’ nas polêmicas sobre o pressuposto conteúdo anti-semita do filme”; embora não  explique como o festival poderia ter alcançado este objetivo.

Por outro lado, a única comunicação entre a  Icon e Piersanti foi a mensagem enviada por Nick Hill,  onde em nenhum momento indica que Gibson esteja “edulcorando” cenas. Pelo contrário; segundo a  Icon, a natureza realista do filme “não se verá nenhum pouco atingida e não houve nenhuma crítica suficientemente séria ou sustentada que nos tenha feito mudar de opinião sobre a maneira gráfica de apresentar a Paixão de Cristo”.

Piersanti concluiu sua declaração com outra imprecisão: “o único consolo é que depois de ter escutado chamar este filme de muitos modos, agora conhecemos o título utilizado verdadeiramente pelos produtores”.

Piersanti assim o diz porque soube recentemente, através da mensagem de Nick Hill, que o título oficial do filme em inglês é “The Passion of the Christ”... um título que já  tinha sido divulgado por todo o mundo há mais de um mês.

A evidência de que Gibson não deu nenhum “não” ao Vaticano é que Dom Enrique Planas, diretor do arquivo cinematográfico do Vaticano e subsecretário do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, revelou à agência France Presse que o filme provavelmente seja visto por um grupo de eclesiásticos da Santa Sé em janeiro de 2004.

 

A Imaculada Conceição, fonte de consolo para o que sofre, diz o Papa

VATICANO, 03 Dez 03 (ACI).– Na mensagem publicada nesta quarta-feira  pela Jornada Mundial dos Doentes, que se celebrará no próximo dia 11 de fevereiro no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes,  o Papa João Paulo II afirma que a Imaculada Conceição é uma fonte de esperança para os que sofrem no mundo.

O Papa indica na mensagem que o Santuário de Lourdes foi escolhido  porque será comemorado em 2004 o 150o  aniversário da proclamação do dogma da Imaculada Conceição.

Em seguida, destaca que com a Imaculada Conceição de Maria “teve início a grande obra da Redenção, que se realizou com o sangue de Cristo”. “Se Jesus é a fonte da vida que vence a morte, Maria é a mãe atenta que sai ao encontro das necessidades de seus filhos, obtendo para eles a saúde da alma e do corpo”, acrescenta.

“Este é a mensagem que o Santuário de Lourdes propõe constantemente a devotos e peregrinos. Este é também o significado das curas corporais e  espirituais que ocorrem na Massabielle”.

 “O prodígio da Imaculada Conceição –continua o Santo Padre- lembra aos fiéis uma verdade fundamental: só é possível conseguir a salvação participando docilmente do projeto do Pai, que quis redimir o mundo por meio da morte e da ressurreição de seu Filho unigênito”.

“A doença e a morte, mesmo estando presentes na existência terrena, perdem seu sentido negativo”, explica o Papa; e destaca que á luz da fé, a morte do corpo, vencida pela de Cristo,  converte-se em uma passagem obrigatória para alcançar a plenitude da vida imortal”.

Respeito à vida

Após insistir em que a vida “deve ser acolhida, respeitada e defendida desde seu início até sua morte natural”, João Paulo II afirma: “Fala-se normalmente de  ‘engenharia genética’, aludindo às possibilidades extraordinárias que a ciência oferece hoje para intervir nas fontes da vida”.

“Todo progresso autêntico neste campo deve ser alentado sempre que respeite os direitos e a dignidade da pessoa desde a sua concepção. Ninguém pode dar-se a faculdade de destruir ou de manipular de modo indiscriminado a vida do ser humano”, conclui o  Papa.

Oswaldo Payá chama ao diálogo nacional para uma transição pacífica em Cuba

MIAMI, 03 Dez 03 (ACI).– Com o objetivo de reativar o protagonismo da dissidência interna ao regime castrista, o líder opositor Oswaldo Payá convocou a um diálogo nacional por uma transição pacífica “dirigida e projetada pelos  próprios cubanos” na ilha.

O líder do Movimento Cristão Libertação (MLC) afirmou em um comunicado que este diálogo começará em breve e será animado pelos mais de 100 comitês civis do Projeto Varela (PV) em todo o país.

“Mensagem de Cuba à União Européia” é o  título do comunicado distribuído em  Havana na noite do domingo, no qual Payá assegurou que “todos estão convidados a participar” a fim de se chegar a um  “processo de reconciliação, de superação de ódios, de democratização, sem cair em extremos, nem em modelos que deixam as maiorias ainda mais desamparadas. Uma transição cubana pacífica, dirigida e projetada pelos próprios cubanos”.

O Prêmio Sajarov 2002 chamou à  cooperação e o apoio moral da UE no processo, e exortou os governos europeus a não retomarem as conversações com o regime de Castro enquanto no houver uma perspectiva favorável  à participação  “dos cubanos com todos seus direitos”.

O líder do PV descartou um suposto “diálogo construtivo” entre a UE e o regime ditatorial, promovido há algumas semanas pelo chanceler cubano Felipe Pérez Roque. “Este diálogo deve ser com todos os setores da sociedade cubana, porque Cuba somos todos os cubanos e não  apenas o governo”, enfatizou Payá.

Por sua vez, Francisco de Armas, representante do Projeto Varela fora da ilha deu a conhecer que o regime não está convidado a dialogar: “O diálogo não excluirá ninguém dentro da sociedade civil, mas é um diálogo entre cubanos, não com as  autoridades do regime”.

O PV, uma iniciativa que desde 2001 busca promover mudanças democráticas a partir da Constituição vigente, apresentou mais de 40 mil assinaturas pedindo um referendo ao parlamento cubano. Como resposta, o governo recusou a proposta e aprovou uma cláusula constitucional para declarar o “caráter irrevogável” do sistema socialista.

A iniciativa se produz pouco depois do presidente Bush anunciar a criação de uma Comissão de Ajuda a uma Cuba Livre, a fim de acelerar e planejar a transição democrática em Cuba e de que líderes da ilegal Assembléia para Promover a Sociedade Civil em Cuba e da Fundação Lawton de Direitos Humanos divulgaram uma declaração estabelecendo pautas para uma mudança democrática na ilha.

De Armas negou que a iniciativa seja uma resposta a recentes propostas sobre a futura transição na ilha. “Não estamos em posição de responder, mas de criar”, indicou o  dissidente. “Advogamos pela busca de uma  solução pacífica entre cubanos e neste processo sobreviverão apenas as  iniciativas que emanarem de uma verdadeira mobilização popular” acrescentou.

Por outro lado, Vladimiro Roca, representante da coalizão dissidente Todos Unidos, afirmou desconhecer o  documento embora disse apoiar “toda idéia encaminhada a buscar uma solução para a crise cubana, inclusive, o diálogo com as autoridades do governo”. Entretanto, Roca considerou que a credibilidade das iniciativas fica entredito “quando se convoca ao diálogo e à reconciliação, mas seus promotores não são capazes de dialogar e reconciliar-se dentro da própria oposição interna”.

 

Igreja apóia canais TV chilenos que não passam publicidade “anti-AIDS” do governo

SANTIAGO, 03 Dez 03 (ACI).– Um porta-voz da Igreja expressou sua conformidade com a decisão de várias redes de televisão chilenas de não transmitir as vinhetas publicitárias do Ministério da Saúde que, sob uma suposta campanha para combater a  AIDS, apresentam as relações sexuais extraconjugais, homossexuais e promíscuas como um modelo de realização pessoal.

O Padre Fernando Chomalí, membro da Comissão Nacional de Bioética da Conferência Episcopal, declarou que os comerciais “se situam na lógica de uma sexualidade banalizada, onde a única coisa importante é passar bem, por um lado, e proteger-se de uma doença sexualmente transmissível e gravidez, por outro”.

“Acredito ser muito perigoso  que se considerem moralmente neutras as relações fortuitas, tanto heterossexuais como homossexuais, assim como a infidelidade conjugal, e que o critério de moralidade seja única e exclusivamente o gosto pessoal”, acrescentou.

Os principais questionamentos em relação à publicidade governamental lançada no dia Dia Mundial da Luta contra a AIDS provêm da Igreja Católica que questiona as maneiras e o conteúdo de fundo que alenta a promiscuidade, a infidelidade matrimonial e a imoralidade.

 

Cardeal Quezada chama a continuar o impulso missionário universal do CAM2

GUATEMALA, 03 Dez 03 (ACI).– O Arcebispo de Santiago de Guatemala, Cardeal Rodolfo Quezada Toruño,  publicou uma carta na qual chama os guatemaltecos a seguir com o impulso evangelizador iniciado no CAM2: “Agora nos cabe seguir adiante. O Congresso despertou o impulso missionário; nos fez escutar de novo o mandato de Jesus: ‘Ide’. Ele nos envia a ser suas testemunhas até os confins da terra” indicou o Prelado.

A carta pastoral publicada pelo Advento e Natal oferece algumas reflexões para viver o Advento com esperança e celebrar o Natal de uma forma verdadeiramente cristã.

A primeira reflexão do  Cardeal dirige-se  a apresentar o Advento como um tempo de esperança cristã, convidando a esperar a vinda do Senhor “como acontecimento de salvação, pelo qual a criação e a redenção chegarão a sua plenitude” e animando a abandonar a rotina, estancamento e frustração posto que “acima de nossas situações particulares está Deus que faz surgir para nós um futuro com sua graça e sua misericórdia”.

O Arcebispo guatemalteco convidou também a  “viver a esperança na vida eclesial” e recordou que “o segredo do Advento está em unir a liturgia com a história, a celebração com a vida”.

Por último, exortou a todos a “viver a esperança na vida civil”. A coincidência deste tempo litúrgico com a campanha eleitoral na Guatemala é para o novo Cardeal, “uma oportunidade para que essa visão de futuro da qual o Advento nos fala, nos anime também para a construção de uma nação onde cada pessoa, cada família, cada comunidade, encontre as oportunidades para sua realização na dignidade que nos corresponde como filhos de Deus que somos”.

Nesse contexto, o  Purpurado animou-se a propor alguns temas em consideração “na elaboração e execução do plano de governo da nação”:

1) Os Acordos de Paz continuam sendo uma referência  importante e necessária para a identificação das circunstâncias históricas que nos impedem de avançar para um futuro mais humano e mais justo.

2) A pobreza de tantas pessoas e famílias é uma situação inadmissível em uma sociedade cristã na qual todos nos sabemos filho de Deus, com igual dignidade.

3) Uma parte considerável do território da Arquidiocese está habitada por população maia. É necessário que os políticos escutem o que esta população reclama.

4) A corrupção e a impunidade são os dois grandes males que corroem a  institucionalidade democrática. Entretanto, ainda estamos a tempo de  salvá-la e restaurá-la.

“Jesus Cristo é o Senhor da história; só  nEle, no plano de Deus sobre a humanidade será uma realidade concreta de paz, justiça, reconciliação e solidariedade à qual todos os guatemaltecos aspiram” concluiu o Arcebispo.

 

Igreja e Vida Humana Internacional repudiam novos projetos de lei pró-abortitas na Argentina

BUENOS AIRES, 03 Dez 03 (ACI).– O Bispado Castrense e Vida Humana Internacional publicaram um documento conjunto que repudia os projetos recentemente apresentados na Câmara de Deputados nacional que visam legalizar o aborto por acefalia na Argentina.

A declaração denunciou o projeto de lei “Regulação da atenção sanitária de gravidez incompatível com a vida extra-uterina” da deputada Maria José Lubertino de Beltrán; o projeto “Regime de acefalia” da deputada Monteagudo e o projeto legislativo da deputada Musa, “Procedimento nos estabelecimentos assistenciais sobre gravidez incompatível com a vida”.

Os autores do comunicado fundamentaram seu  repudio às iniciativas legislativas indicando que “o aborto de uma criança por nascer com acefalia é um homicídio. Ainda mais quando padece de uma doença como a acefalia que o torna um ser mais indefeso”.

Além de lembrar que “esse tipo de aborto implica fazer uma seleção de pessoas, dentro da raça humana, desconhecendo o primeiro direito, “o direito à vida de todo ser humano, sem importar sua cor, raça ou condição” indicado pela Carta dos Direitos Humanos das Nações Unidas, a declaração indicou que “legislar dentro do âmbito que compete essencialmente à família é exercer  autoritarismo do Estado, sobre a primeira instituição criada na terra ‘a família’”.

As instituições assinantes do comunicado indicaram que a distribuição gratuita –entre adolescentes em centros educativos e de saúde- “de anticoncepcionais abortivos a partir da idade fértil, por parte do Estado ignorando a autoridade dos pais, atropela a pátria potestade, facilitando a ausência do respeito à vida humana, e também compromete a saúde futura dos que os consomem”.

Depois de indicar que “uma sociedade que permite o aborto ou atenta contra a vida dos mais fracos está atentando contra seu próprio futuro, estratégico e social” o texto cita a Constituição Nacional, o Código Civil e o Código Penal como fundamentos do direito positivo argentino que rejeitam todo tipo de atentado contra a vida humana e lembrou que os legisladores que “a consciência cristã bem formada não permite a ninguém favorecer com o próprio voto” a aprovação de uma lei que “contenha propostas alternativas contrárias aos conteúdos fundamentais da fé e a moral”.

 

Anunciam III Congresso Mundial de Famílias no México

MÉXICO D.F. , 03 Dez 03 (ACI).– No marco do 10º Aniversário do Ano Internacional da Família, um conjunto de associações realizarão o Terceiro Congresso Mundial de Famílias, que será nos dias 29 a 31 de março de 2004, no Centro Banamex, na Cidade do México.

O Congresso, que está sendo organizado pelas associações The Howard Center for Family, Religion and Society, The World Family Policy Center, Famílias e Sociedade, e Rede Família, terá como objetivo elaborar um Manifesto por um desenvolvimento humano fundamentado na Família, elaborar uma Plataforma de Ação que sirva de guia para as pessoas de boa vontade ao implementá-la  e formar uma aliança mundial para promover a Perspectiva de Família.

Para tanto a reflexão se centrará na relação que existe entre desenvolvimento e família, tratando de responder a perguntas como: O que o desenvolvimento humano centrado na família? O que beneficia e o que prejudica a família nos modelos de desenvolvimento prevalecentes? Que efeito tem o inverno demográfico no desenvolvimento? Quais são as conseqüências sociais do enfraquecimento da família?, entre outras.

Segundo os organizadores, “o Segundo Congresso Mundial de Famílias foi cenário de encontro de mais de 65 países, representados por destacadas pessoalidades e líderes neste campo, cujas contribuições serviram para elaborar uma Declaração de Princípios sobre a Família que permite identificar as numerosas coincidências entre diversas posturas religiosas e homens e mulheres de boa vontade. Graças a isto é possível propor um projeto comum, e construir sobre o que nos une, um mundo melhor”.

Para maior informação  escreva para: famíliasysociedad@prodigy.net.mx e congresomundial@prodigy.net.mx

 

Sacerdote argentino ressalta: Igreja foi primeira a receber doentes de AIDS

BUENOS AIRES, 03 Dez 03 (ACI).– No Dia Internacional de Luta contra a AIDS, o Padre Andrés Tello Cornejo, capelão do Hospital Muñiz, celebrou uma Missa por “todos os infectados com HIV-AIDS e por aqueles voluntários que trabalham com tanta generosidade pelos doentes” e lembrou que “a Igreja foi a primeira a abrir lares e centros para receber os doentes de AIDS, sem perguntar o que tinham nem como tinham se infectado”.

Durante a cerimônia eucarística, celebrada na Catedral a pedido especial do Cardeal Jorge Bergoglio, Arcebispo de Buenos Aires, o Padre Tello ressaltou que “muitas mãos abriram-se para esta doença. A Igreja desde o início, junto com a Madre Teresa de Calcutá, foi a primeira a abrir lares, quando muitos hospitais públicos não recebiam os doentes ou não tocava neles”.

“Quando a força física cai, quando há  medo da morte, quando as forças do corpo baixam, que se mantenha o espírito, que se mantenha a alma. Queremos que Jesus saia ao encontro de cada doente e diga que toda vida tem sentido. Não importa de quê se está doente, mas de estar disposto a recebê-lo, abrir o coração a Jesus para devolver a força para continuar lutando, para continuar vivendo”, acrescentou.

Em seguida, o sacerdote pediu que “a assistência e a companhia aos doentes não decaia” e exortou a “não cruzar os braços, mas a abri-los, porque o flagelo da discriminação continua presente. Muitos irmãos doentes, infectados de HIV-AIDS, perdem o emprego, sua profissão ou são afastados de suas  famílias por causa da doença”.

Finalmente, o Padre Tello elevou uma oração a São Luis Gonzaga, padroeiro dos jovens e protetor das pessoas infectadas pelo HIV-AIDS.

 

Frente à secularização Bispos da Catalunha pedem que se reforce a iniciação cristã

MADRI, 03 Dez 03 (ACI).– O Bispos catalães publicaram, pela ocasião do Advento, o documento “A serviço do anúncio da fé”, sobre a necessidade da nova evangelização, no qual chamaram a reforçar a iniciação cristã de crianças, adolescentes e adultos frente a uma sociedade secularizada, marcada por “uma crescente indiferença religiosa mas na qual surge um novo desejo de espiritualidade”.

“Nossa preocupação como Pastores é que no atual contexto evangelizador as comunidades cristãs possam oferecer razões de sua esperança. A resposta a esta grande tarefa tem desde há  muito um nome particular: iniciação cristã”, afirmaram o Bispos.

Os Prelados lembraram a importância do catecumenato batismal e a catequese de adultos, bem como o “papel protagonista” da família na transmissão da fé, apesar da “indiferença religiosa, entre muitas outras causas, leva algumas famílias a um certo relaxo”.

O documento afirmou, neste sentido, que é necessário “impulsionar de uma maneira mais decidida a denominada catequese familiar como caminho de formação que integra a paróquia e a família, os pais e os filhos”. Outra das urgências é a pastoral de iniciação com os adolescentes: “A catequese  nesta etapa da vida deve levar a um descobrimento da fé”, acrescentou.

No documento, os Bispos indicaram a necessidade de impulsionar a evangelização e a recuperação da família e a paróquia como lugares naturais de transmissão da fé.

Os Pastores catalães também apostaram decididamente pela educação cristã: “Valorizamos a proposta educativa que impulsiona toda a escola, mas queremos indicar que a escola cristã é um lugar relevante para a formação integral. Poder escolher este tipo de escola é um direito dos pais que deve ser promovido e garantido”.

Exortaram também os pais a escolher a aula de religião: “Este ensino, complementar e diferente da catequese, escolhida livremente, pode ajudar as crianças e adolescentes cristãos a reconhecer os fundamentos de sua fé, e aos que estão em atitude de busca ou na dúvida, a possibilidade de conhecer a resposta cristã para seus problemas, aos não crentes, a ocasião de confrontar-se com a mensagem cristã e conhecer a proposta de sentido da vida” declararam os Bispos espanhóis.