Jan 20, 2026 / 10:40 am
O secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin, confirmou no último sábado que (17) a Santa Sé tentou mediar para impedir a intervenção militar dos EUA na Venezuela, que culminou em 3 de janeiro com a captura de Nicolás Maduro.
“Tentamos precisamente — como, entre outras coisas, foi noticiado em alguns jornais — encontrar uma solução que evitasse qualquer derramamento de sangue, talvez até tentando chegar a um acordo com Maduro e outros expoentes do regime, mas isso não foi possível”, disse o cardeal na tarde do último sábado, diante de jornalistas que o aguardavam na igreja Domus Mariae, em Roma, onde ele celebrou uma missa por ocasião da primeira exposição das relíquias do jovem santo Pier Giorgio Frassati para veneração.
O cardeal Parolin, núncio apostólico na Venezuela entre 2009 e 2013, disse que a Santa Sé “sempre apoiou uma solução pacífica”. No entanto, disse ele: “nós também nos deparamos com um fato consumado, diante de uma situação de fato”.
O cardeal também descreveu a situação atual do país como "de grande incerteza".
"Esperamos que ela evolua para uma estabilidade, para uma recuperação econômica — porque a situação econômica é realmente muito, muito precária — e também para uma democratização do país", disse ele.
Parolin evitou entrar em mais detalhes sobre informações publicadas pelo jornal The Washington Post em 9 de janeiro, segundo as quais a Santa Sé teria tentado mediar para facilitar a saída de Maduro da Venezuela, mediante uma oferta de asilo na Rússia.
Depois da publicação desta informação, a Sala de Imprensa da Santa Sé disse que a conversa ocorreu no período natalício, embora tenha dito que considera "decepcionante que partes de uma conversa confidencial sejam publicadas sem refletir com precisão seu conteúdo".
O papa Leão XIV falou sobre a crise venezuelana em várias ocasiões. Mais recentemente, em 9 de janeiro, em seu discurso ao Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé, ele pediu respeito à vontade do povo venezuelano e a busca por soluções pacíficas, independentemente de “interesses partidários”.
Em 12 de janeiro, o papa recebeu a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, três dias antes do encontro da ganhadora do Prêmio Nobel da Paz 2025 com o presidente dos EUA, Donald Trump, em 15 de janeiro.
Numa entrevista coletiva depois do encontro na Casa Branca, a líder da oposição disse que Leão XIV “sabe muito bem o que está acontecendo na Venezuela”.
Na organização Heritage Foundation em Washington, D.C., Machado disse que o papa está “plenamente ciente do que a Igreja Católica está vivendo, devido à perseguição e à pressão sobre nossos bispos e padres”. Ela disse que o papa “não só está preocupado, mas está ajudando e apoiando ativamente um processo de transição pacífica”.
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