O papa Leão XIV se reuniu hoje (12), no Vaticano, com a líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, numa audiência que não estava na programação oficial do dia.

O encontro foi inserido no comunicado de imprensa da Santa Sé sobre a agenda do papa ao meio-dia. A Santa Sé não divulgou detalhes sobre o conteúdo da conversa, como é de praxe para esse tipo de audiência privada.

Machado é uma das principais figuras da oposição venezuelana e ganhou o prêmio Nobel do ano passado.

Depois da captura de Nicolás Maduro pelos EUA na madrugada de 3 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, deixou María Corina Machado de fora do futuro político imediato do país.

Maria Corina tem encontro marcado com Donald Trump esta semana, disse a Casa Branca.

O ex-presidente da Venezuela está preso numa prisão federal em Nova York, EUA, acusado de tráfico de drogas e terrorismo. Delcy Rodríguez, vice de Maduro, assumiu a presidência interina da Venezuela.

Depois da operação militar dos EUA que resultou na prisão de Maduro, o papa se pronunciou duas vezes sobre a situação na Venezuela.

No dia seguinte, 4 de janeiro, na oração do Ângelus, Leão XIV exigiu que a "soberania" nacional do país fosse plenamente respeitada.

“Acompanho com grande preocupação os desdobramentos da situação na Venezuela”, disse o papa. “O bem do amado povo venezuelano deve prevalecer acima de qualquer outra consideração”.

Leão XIV falou sobre a necessidade da “superação da violência” e exortou“à adoção de caminhos de justiça e paz, garantindo a soberania do país”.

Receba as principais de ACI Digital por WhatsApp e Telegram

Está cada vez mais difícil ver notícias católicas nas redes sociais. Inscreva-se hoje mesmo em nossos canais gratuitos:

O papa falou sobre a importância de assegurar “o Estado de direito estabelecido na Constituição” e de respeitar “os direitos humanos e civis de cada um e de todos".

Ele exortou a trabalhar em conjunto para “construir juntos um futuro sereno de colaboração, estabilidade e concórdia” e que esse esforço deve ser feito “com especial atenção aos mais pobres, que sofrem devido à difícil situação econômica".

Em seu tradicional discurso ao corpo diplomático acreditado junto à Santa Sé na última sexta-feira (9), Leão XIV reafirmou seu apelo para que se respeite “a vontade do povo venezuelano” e se trabalhe “pela proteção dos direitos humanos e civis de todos e pela construção de um futuro de estabilidade e harmonia”.

Assim, ele exortou que "se procurem soluções políticas pacíficas à atual situação, tendo em mente o bem comum das populações e não a defesa de interesses de parte".

Para esse fim, o papa exortou as pessoas a se inspirar “no exemplo de (...) José Gregorio Hernández e irmã Carmen Rendiles”, os dois primeiros santos da Venezuela.

“A fim de construir uma sociedade baseada na justiça, na verdade, na liberdade e na fraternidade, e assim superar a grave crise que há muitos anos aflige o país”, disse Leão XIV.

O papa denunciou que parte da crise reside no tráfico de drogas, um flagelo que ele incentivou a combater, e exortou por “políticas adequadas de recuperação da dependência e maiores investimentos na promoção humana, na instrução e na criação de oportunidades de emprego”.

O papa Leão XIV fez hoje uma agenda repleta de audiências no palácio Apostólico, no Vaticano. Além de Corina Machado, hoje houve encontros com Davide Prosperi, presidente da Comunhão e Libertação, um dos movimentos eclesiais leigos que surgiu depois do concílio Vaticano II; e Philippe Lazzarini, comissário da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA, na sigla em inglês), agência da ONU para os refugiados palestinos.

Mais em