12 de jan de 2026 às 14:43
O papa Leão XIV se reuniu hoje (12), no Vaticano, com a líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, numa audiência que não estava na programação oficial do dia.
O encontro foi inserido no comunicado de imprensa da Santa Sé sobre a agenda do papa ao meio-dia. A Santa Sé não divulgou detalhes sobre o conteúdo da conversa, como é de praxe para esse tipo de audiência privada.
Machado é uma das principais figuras da oposição venezuelana e ganhou o prêmio Nobel do ano passado.
Depois da captura de Nicolás Maduro pelos EUA na madrugada de 3 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, deixou María Corina Machado de fora do futuro político imediato do país.
Maria Corina tem encontro marcado com Donald Trump esta semana, disse a Casa Branca.
O ex-presidente da Venezuela está preso numa prisão federal em Nova York, EUA, acusado de tráfico de drogas e terrorismo. Delcy Rodríguez, vice de Maduro, assumiu a presidência interina da Venezuela.
Depois da operação militar dos EUA que resultou na prisão de Maduro, o papa se pronunciou duas vezes sobre a situação na Venezuela.
No dia seguinte, 4 de janeiro, na oração do Ângelus, Leão XIV exigiu que a "soberania" nacional do país fosse plenamente respeitada.
“Acompanho com grande preocupação os desdobramentos da situação na Venezuela”, disse o papa. “O bem do amado povo venezuelano deve prevalecer acima de qualquer outra consideração”.
Leão XIV falou sobre a necessidade da “superação da violência” e exortou“à adoção de caminhos de justiça e paz, garantindo a soberania do país”.
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O papa falou sobre a importância de assegurar “o Estado de direito estabelecido na Constituição” e de respeitar “os direitos humanos e civis de cada um e de todos".
Ele exortou a trabalhar em conjunto para “construir juntos um futuro sereno de colaboração, estabilidade e concórdia” e que esse esforço deve ser feito “com especial atenção aos mais pobres, que sofrem devido à difícil situação econômica".
Em seu tradicional discurso ao corpo diplomático acreditado junto à Santa Sé na última sexta-feira (9), Leão XIV reafirmou seu apelo para que se respeite “a vontade do povo venezuelano” e se trabalhe “pela proteção dos direitos humanos e civis de todos e pela construção de um futuro de estabilidade e harmonia”.
Assim, ele exortou que "se procurem soluções políticas pacíficas à atual situação, tendo em mente o bem comum das populações e não a defesa de interesses de parte".
Para esse fim, o papa exortou as pessoas a se inspirar “no exemplo de (...) José Gregorio Hernández e irmã Carmen Rendiles”, os dois primeiros santos da Venezuela.
“A fim de construir uma sociedade baseada na justiça, na verdade, na liberdade e na fraternidade, e assim superar a grave crise que há muitos anos aflige o país”, disse Leão XIV.
O papa denunciou que parte da crise reside no tráfico de drogas, um flagelo que ele incentivou a combater, e exortou por “políticas adequadas de recuperação da dependência e maiores investimentos na promoção humana, na instrução e na criação de oportunidades de emprego”.
O papa Leão XIV fez hoje uma agenda repleta de audiências no palácio Apostólico, no Vaticano. Além de Corina Machado, hoje houve encontros com Davide Prosperi, presidente da Comunhão e Libertação, um dos movimentos eclesiais leigos que surgiu depois do concílio Vaticano II; e Philippe Lazzarini, comissário da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA, na sigla em inglês), agência da ONU para os refugiados palestinos.







