Arturo McFields, ex-embaixador da Nicarágua na Organização dos Estados Americanos (OEA), disse que, depois da captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, “ventos de esperança sopram” para Venezuela, Nicarágua e Cuba.

“Neste momento é impossível não compartilhar a alegria do povo venezuelano, a esperança de um novo dia, embora seja complexo porque a democracia não é fácil, mas a esperança ressurgiu com força entre venezuelanos, nicaraguenses e cubanos, a esperança de que nenhuma ditadura é eterna, hoje está mais viva do que nunca”, disse ontem (6) o ex-diplomata exilado à ACI Prensa, agência em espanhol do grupo ACI.

“Estamos vendo agora, em tempo real, como os grandes poderosos que se achavam deuses ou semideuses, estão agora de joelhos e vestidos com uniformes de presidiários”, disse McFields sobre o comparecimento de Maduro ontem perante um tribunal federal em Nova York, onde ele disse ser inocente.

Maduro foi acusado de conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para ter metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os EUA.

Dizendo que o mais importante para um povo é a sua fé em Deus, o ex-embaixador disse que “todos esses deuses terrenos, esses Baals, são passageiros, e estamos vendo isso em tempo real”.

“Essa é uma mensagem muito poderosa, uma mensagem de esperança muito poderosa para o povo da Nicarágua, porque sabemos que um dia veremos justiça, não só justiça divina, mas, de certo modo, até mesmo justiça terrena”, disse ele.

As ditaduras não são eternas

“Uma mensagem muito importante a considerar é que as ditaduras não são eternas: tivemos a ditadura do bloco socialista, por mais de 70 anos”, disse McFields. “Depois tivemos a Síria, por mais de 50. Depois tivemos a ditadura de Evo Morales e do movimento socialista, por mais de 20 anos. E todas elas caíram, e agora estamos vendo o colapso na Venezuela de mais de 26 anos de socialismo do século XXI, chavismo e madurismo”.

No fim, grandes impérios como o império romano “ou grandes ditaduras caem, e algumas mais complexas, como a ditadura socialista ou a ditadura na Síria, ou mesmo o próprio império romano, caíram”, disse McFields. “Então, se todos esses grandes regimes caíram, como poderia um regime mais simples e menos sofisticado do que o da Nicarágua não cair?”

 

O direito internacional precisa mudar para enfrentar as “ditaduras criminosas”

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“Segundo o direito internacional, invadir um país é ilegal, e o que Maduro estava fazendo também não é?” A pergunta da pesquisadora nicaraguense Martha Patricia Molina, autora do relatório Nicarágua: Uma Igreja Perseguida, que falou com ACI Prensa, agência em espanhol da EWTN. O relatório, em sua edição mais recente, documentou cerca de 16,5 mil procissões proibidas pelo regime e cerca mil ataques contra fiéis.

“A legislação interna de vários países estipula que, quando alguém precisa de ajuda por estar em perigo iminente, é possível entrar numa casa sem autorização para socorrer a pessoa que necessita de assistência. Isso não ocorre no âmbito do direito internacional”, disse a autora, falando aos que criticam a intervenção militar dos EUA em 3 de janeiro, na qual Maduro foi capturado em Caracas, capital da Venezuela.

 

“Acredito que o direito internacional não é adequado para as ditaduras criminosas da Venezuela, Cuba e Nicarágua, mas sim para países que respeitam o estado de direito”, disse ela. “O direito internacional atual precisa ser alterado e adaptado à realidade para permitir esse tipo de intervenção contra os autores de crimes contra a humanidade”.

Na opinião de Molina, uma intervenção na Nicarágua, como a dos EUA na Venezuela, não aconteceria, já que "não somos um país de interesse para a comunidade internacional".

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Os tiranos fingem bravura, mas vivem com medo

“Quem tem mais medo é quem tem mais poder”, disse o bispo auxiliar de Manágua, Nicarágua, Silvio Báez, no último domingo (4), em sua homilia na missa da Epifania do Senhor. “Os tiranos fingem coragem e se apresentam como arrogantes e agressivos, mas vivem constantemente ameaçados pelo medo e transformam os outros, até mesmo aqueles do seu círculo íntimo, em rivais ou inimigos a serem eliminados. E não hesitam em fazer isso quando veem seu poder ameaçado”.


Falando sobre a captura de Maduro, mas sem mencioná-lo pelo nome, o bispo disse que “esse é o mundo dos poderosos e dos tiranos".

“Herodes e sua corte personificam o mundo sombrio do poder, que justifica tudo e onde tudo é permitido: cálculo, cinismo, mentiras, crueldade, desprezo pela vida”, disse Báez. “No entanto, e vocês concordarão comigo, a história antiga — pensemos em Herodes — e a história recente — pensemos no que aconteceu ontem — nos ensinam que todos os tiranos vêm e vão, todos eles, e acabam condenados por Deus e pela história”.

O bispo nicaraguense disse que a adoração dos Três Reis Magos pelo Menino Jesus “nos transforma e nos dá força, porque só Deus deve ser adorado; nos dá força para nunca nos ajoelharmos, nem sermos submissos a qualquer ídolo ou poder deste mundo”.