8 de jan de 2026 às 16:07
O arcebispo de Valencia, Venezuela, Jesús González de Zárate, presidente da Conferência Episcopal Venezuelana (CEV), viveu horas de grande preocupação na noite do último sábado (3), quando os EUA lançaram uma operação militar na Venezuela com bombardeios a instalações militares estratégicas que culminou na captura do presidente do país, Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores.
“Uma leitura global dos eventos do último sábado e suas consequências é difícil, porque novas informações surgem a cada dia e novas dinâmicas se desenvolvem em torno desses eventos, o que nos aconselha a sermos prudentes e pacientes”, disse Gonzáles de Zárate à ACI Prensa, agência em espanhol da EWTN.
Ele diz que o modo de analisar as coisas na manhã de sábado não foi o mesmo que à tarde, porque "muitas perguntas surgiram" depois de uma entrevista coletiva do presidente dos EUA, Donald Trump, na qual ele disse que seu país governaria a Venezuela e descartou María Corina Machado, líder da oposição, como presidente.
“Muitas dúvidas estão surgindo entre a população sobre o futuro imediato”
Toda a comunidade católica, assim como o resto do país, está vivendo uma "calma tensa", segundo o arcebispo.
"Muitas dúvidas estão surgindo entre a população sobre o futuro imediato", diz ele.
No dia da intervenção militar, à tarde, as pessoas foram às ruas e aos supermercados para estocar suprimentos, mas desde domingo "o tráfego de veículos e as atividades de trabalho têm sido retomados gradualmente", diz o presidente da CEV.
Antes de a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, assumir o poder na última segunda-feira (5) como presidente interina perante a Assembleia Nacional da Venezuela, por ordem do Supremo Tribunal de Justiça do país, a CEV emitiu um comunicado expressando solidariedade e apoio ao povo venezuelano.
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"A fé nos dá razões para atravessar esses tempos difíceis”
Em suas orações, diz Zarate, estão também “as famílias daqueles que foram feridos ou perderam a vida”.
“A todos eles dizemos que a fé nos dá razões para viver esses momentos difíceis confiando no amor de Deus, com força e esperança”, diz ele.
Outra preocupação são os 7,9 milhões de venezuelanos que deixaram o país em busca de proteção e uma vida melhor, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) da Organização das Nações Unidas (ONU).
“Nós, bispos venezuelanos, já nos manifestamos em várias ocasiões sobre a realidade da migração de milhões de nossos compatriotas para outros países”, diz ele. “É uma questão que nos preocupa, especialmente porque, nos últimos tempos, foram desenvolvidas políticas públicas que os afetam significativamente”.
Além dessas considerações, o presidente da CEV prefere não se pronunciar oficialmente sobre a situação política até que se tenha um panorama mais claro.
"Nós, bispos, temos mantido constante acompanhamento e discernimento dessas questões, com espírito de fé e em um clima de oração, guiados pelos grandes princípios da doutrina social da Igreja”, diz o arcebispo. “Quando tivermos uma compreensão mais abrangente e precisa, poderemos nos pronunciar sobre elas".
Em todo caso, ele prevê que a visão da Igreja envolva o pedido do papa para "garantir a soberania nacional" no país.






