5 de jan de 2026 às 12:30
Bispos de vários países da América Latina expressaram solidariedade espiritual ao povo venezuelano por meio de apelos à oração e à paz por causa da prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos EUA no último sábado (3).
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nas primeiras horas do último sábado que as forças especiais do Exército dos EUA "capturaram" Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores, retirando-os do país depois de um "ataque em grande escala" em território sul-americano.
Nesse cenário marcado pela incerteza política e social na região, a Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) divulgou uma mensagem na qual pede a Deus que conceda a todos os venezuelanos “serenidade, sabedoria e força”.
Em sua mensagem, a CEV exortou os fiéis a abraçar intensamente “a esperança e a oração fervorosa pela paz em nossos corações e na sociedade”.
“Rejeitamos todos os tipos de violência”, disse a conferência episcopal.
México
No México, a Conferência Episcopal Mexicana (CEM) divulgou a mensagem com a qual a CEV exorta as pessoas a orar e pediu que se unam espiritualmente aos seus irmãos na Venezuela "para pedir a Deus serenidade, sabedoria e força para o povo venezuelano".
Na missa dominical ontem (4) no santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, o bispo auxiliar da cidade do México, Andrés Luis García Jasso, exortou à reflexão sobre os conflitos que estão sendo vividos em diferentes regiões do mundo, como o Oriente Médio, a África, a Rússia, a Ucrânia e agora também na Venezuela.
“Unamos nossas vozes em oração e nossos corações por todos esses povos que vivem em conflito, por todas essas situações que geram incerteza e sofrimento para todos os nossos irmãos e irmãs do mundo”, disse o bispo aos pés de Nossa Senhora de Guadalupe.
Por fim, García Jasso disse querer que os fiéis sejam “uma luz para esta geração, semeadores de esperança no amor”.
Peru
No Peru, na missa dominical celebrada ontem, o arcebispo de Lima, cardeal Carlos Castillo, leu a mensagem que o papa Leão XIV disse na oração do Ângelus, na qual se referia à situação na Venezuela depois da intervenção de militares dos EUA.
Depois dessa mensagem, o cardeal Castillo exortou aos fiéis que rezem "para que as soluções sejam sempre tomadas em favor do povo venezuelano e não de quaisquer interesses particulares".
Ele falou sobre a relação histórica entre a Venezuela e o Peru, dizendo que "eles [venezuelanos] nos apoiaram quando estávamos numa situação calamitosa e nosso povo estava indo para lá", e concluiu seu discurso com o apelo: "Que Deus abençoe o povo venezuelano e o povo peruano como irmãos".
Chile
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O arcebispo de Santiago, Chile, cardeal Fernando Chomali, divulgou uma mensagem de apoio ao povo venezuelano em suas redes sociais no último sábado, descrevendo-os como "nobres, religiosos e amantes da liberdade".
O cardeal confiou o futuro do país a Nossa Senhora de Coromoto, pedindo-lhe que interceda para que "o diálogo e o bem comum sempre prevaleçam nessa situação complexa".
Uruguai
Pouco depois da divulgação da notícia sobre a ação militar dos EUA, o arcebispo de Montevidéu, cardeal Daniel Sturla, divulgou em sua conta na rede social Facebook que estava rezando pela Venezuela, acompanhando a publicação com uma imagem de Nossa Senhora de Coromoto, padroeira do país.
Argentina
A Conferência Episcopal Argentina (CEA) uniu-se à exortação à oração da CEV, enquanto o bispo auxiliar de Córdoba, Horacio Álvarez, falou ontem em homilia, sobre sua preocupação com o impacto que a crise pode ter sobre os setores mais vulneráveis.
O bispo disse que há pessoas que estão "celebrando com alegria a prisão de Maduro", porém, disse que os fiéis devem "rezar para que isso termine o mais rápido possível".
Por fim, ele disse ter esperança de que a Venezuela possa afirmar "sua autonomia e independência, de preferência por meio de eleições livres ou por meio de processos de transição nessa direção".
Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM) da Organização das Nações Unidas (ONU), a busca por "segurança e melhores oportunidades" resultou em cerca de 7,89 milhões de venezuelanos fora de seu país de origem em dezembro de 2024.
A maioria dos migrantes e refugiados venezuelanos vive na América Latina, com 6,70 milhões assentados principalmente na Colômbia (2,8 milhões), no Peru (1,7 milhão), no Brasil, no Chile e no Equador.






