O regime da Nicarágua anunciou a libertação de “dezenas de pessoas” devido à pressão dos EUA.

Num breve comunicado, o Ministério do Interior da Nicarágua disse que, no último sábado (10), "dezenas de pessoas que estavam no Sistema Penitenciário Nacional estão voltando para suas casas e famílias".

O regime chefiado pelo presidente Daniel Ortega, ex-guerrilheiro de esquerda que acumula mais de trinta anos no poder, não divulgou detalhes sobre os presos libertados. A agência de notícias espanhola Efe disse ter confirmado com familiares de presos a libertação de sete membros da oposição: Jessica Palacios, Mauricio Alonso, Mario Rodríguez Serrano, Pedro López, María José Rojas, Óscar Velásquez e o pastor evangélico Rudy Palacios.

Segundo o jornal nicaraguense La Prensa, o meio de comunicação local Divergentes noticiou a libertação de pelo menos 30 presos políticos, enquanto outros meios de comunicação divulgaram um número menor.

“O que ocorreu na Venezuela despertou o medo na tirania e a esperança no povo”, disse Arturo McFields Yescas, ex-embaixador da Nicarágua na Organização dos Organização dos Estados Americanos (OEA), à ACI Prensa, agência em espanhol do grupo EWTN.

“É interessante notar que uma simples declaração da embaixada americana levou à libertação de cerca 30% dos prisioneiros nicaraguenses”, disse o ex-diplomata exilado. “Isso demonstra que um pouco de pressão dos EUA pode gerar muitas mudanças”.

Na última sexta-feira (9), a Embaixada dos EUA na Nicarágua publicou a seguinte mensagem na rede social Facebook: “A Venezuela deu um passo importante rumo à paz ao libertar um grande número de presos políticos. Na Nicarágua, mais de 60 pessoas permanecem injustamente detidas ou desaparecidas, inclusive pastores, religiosos, doentes e idosos. A paz só é possível com liberdade!”

A publicação foi acompanhada da versão em espanhol de um texto do presidente dos EUA, Donald Trump, na rede social Truth Social, em que ele celebrou a libertação de "um grande número de presos políticos na Venezuela como um sinal da busca pela paz".

McFields disse que então “ficou demonstrado que as palavras do presidente Trump são respaldadas por ações".

“E se houvesse uma declaração no mais alto nível? O que ele poderia fazer? Libertar todos os prisioneiros. Há um modo de pressão que deve ser usado, e devemos exigir a libertação de todos os prisioneiros agora”, disse ele.

Agora, disse McFields, entre o povo da Nicarágua “existe uma esperança silenciosa, uma crença de que os ditadores podem cair a qualquer momento”.

“O momento exato é desconhecido, mas há uma certeza de que eles podem cair”, disse o ex-embaixador. “Antes, falar sobre a queda de um ditador era utópico, era loucura. Mas agora não, agora é uma realidade”.

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“A ditadura está assombrada por aquelas imagens de Maduro, o todo-poderoso, preso e humilhado”, disse McFields. “E essas imagens afetaram profundamente o regime. O medo é tão grande que, embora tenham expressado solidariedade a Maduro, não citaram o presidente Trump em momento algum”.

Concluindo, o ex-diplomata disse que “Ortega está no poder há 19 anos, um período de ilegalidade e brutalidade, perseguição religiosa, confisco de templos, assédio à igreja, destruição e profanação de templos, uma coisa horrenda que se passou na Nicarágua, mas o que aconteceu hoje nos enche de uma alegria imensa”.

A declaração de McFields é semelhante à publicação feita na rede social X pelo Departamento de Estado dos EUA, através do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, no último sábado: “Hoje, o brutal regime de Murillo-Ortega celebra 19 anos do que deveria ter sido um mandato democrático de cinco anos. Os nicaraguenses votaram num presidente em 2006, não em uma dinastia ilegítima e vitalícia. Reescrever a Constituição e esmagar a dissidência não apagará as aspirações dos nicaraguenses de viverem livres da tirania”.

Mural histórico do Cristo Ressuscitado restaurado na Nicarágua

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A arquidiocese de Manágua, Nicarágua, disse que o arcebispo de Manágua, cardeal Leopoldo Brenes recebeu na manhã do último sábado a conclusão da restauração do mural histórico de Cristo Ressuscitado, na paróquia de Santo Domingo de Guzmán, na capital da Nicarágua.

“Na manhã de sábado, 10 de janeiro, o arcebispo cardeal Leopoldo José Brenes recebeu do Governo Central da Nicarágua a conclusão da restauração do mural histórico da paróquia de Santo Domingo”, disse a arquidiocese.

A obra “foi realizada sob a supervisão das autoridades competentes, visto que faz parte do patrimônio cultural nacional”. A restauração consistiu na “limpeza e reforço de toda a estrutura, assim como a reconstrução da imagem do Cristo Ressuscitado que desabou acidentalmente em dezembro do ano passado” , sem ferir ninguém.

A imagem — que estava na igreja desde a sua construção em 1968 e resistiu a um terremoto em 1972 — havia sido enfraquecida pelos constantes terremotos em Manágua.