Respostas do Papa aos
Jovens
AS RESPOSTAS
Diálogo e Anúncio
Dou-vos graças por este encontro organizado como uma
espécie de diálogo. Vós quisestes falar com o Papa. O que é muito importante
por duas razões.
A primeira, porque este modo de atuar nos traslada
diretamente a Cristo; n’Ele desenvolve-se constantemente um diálogo,
uma conversação de Deus com o homem e do homem com Deus.
Cristo -como ouvistes- é o Verbo, a Palavra de Deus.
É o Verbo eterno. Este Verbo de Deus, como o homem, não é a palavra de um
"grande monólogo", mas é a Palavra do "diálogo incessante"
que se realiza no Espírito Santo. Sei que esta frase é difícil de compreender,
mas eu a digo igualmente e as deixo para que as mediteis. Não celebramos nesta
manhã o mistério da Santíssima Trindade?
A segunda razão é esta: o diálogo responde à minha
convicção pessoal de que ser o servidor do Verbo, da Palavra, quer dizer "anunciar"
no sentido de "responder". Para responder convém conhecer as perguntas.
Por isso está bem que as tenhais lançado; de outra forma eu teria que
adivinhá-las para falar-vos, para responder-vos.
Cheguei a esta convicção não somente por causa da minha
antiga experiência como professor da cátedra ou dos grupos de trabalho,
mas principalmente através de minha experiência de pregador; nas homilias
ou durante os retiros espirituais. E a maioria das vezes eu me dirigia aos
jovens; era aos jovens os que eu ajudava a encontrar o Senhor, a escutá-lo
e também a respondê-lo.
Quem é Jesus Cristo?
Vossa pergunta central refere-se a Jesus Cristo. Quereis
ouvir-me falar de Jesus e me perguntais quem é para mim, Jesus Cristo.
Permiti-me que eu vos devolva a mesma pergunta e vos
diga: para vós, quem é Jesus Cristo? Desse modo, e sem evadir a questão, vos
darei também minha resposta, dizendo o que é para mim.
O Evangelho inteiro é o diálogo com o homem, as diversas
gerações, com as nações, com as diversas tradições..., mas sempre e continuamente
um diálogo com o homem, com cada homem, um, único, absolutamente singular.
Ao mesmo tempo, há muitos diálogos no Evangelho. Entre
eles, considero especialmente eloqüente o diálogo de Cristo com o jovem rico.
Lerei-vos o texto, porque talvez nem todos vós recordais
muito bem. É o capítulo 19 do evangelho de Mateus.
"Aproximou-se dele um jovem e disse: 'Mestre,
o que devo fazer de bom para alcançar a vida eterna?' Ele disse: 'Por
que me perguntas sobre o bom? Uma única coisa é boa: Se quiseres entrar na
vida, observa os mandamentos'. Disse-lhe: Quais? Jesus respondeu: 'Não matarás,
não cometerás adultério, não furtarás, não levantarás falso testemunho; honra
teu pai e tua mãe, e ama o próximo como a ti mesmo'. Disse-lhe o jovem:
'tudo isto tenho observado. O que ainda me falta? Jesus respondeu: 'Se
quiseres ser perfeito vai, vende tudo o que tens, dai aos pobres e terás um
tesouro nos céus, e vem e segue-me'. Ao ouvir isto o jovem se afastou
entristecido porque tinha muitos bens".
Por que Cristo dialoga com este jovem? A resposta está
no texto evangélico. E vós me perguntais por que eu, em todos os lugares aonde
vou, quero me encontrar com os jovens.
Respondo: porque "o jovem" significa o homem
que, de maneira especial, de maneira decisiva; está em fase de "formação".
Isso não quer dizer que o homem não esteja em formação durante toda
sua vida; dizemos que "a educação começa mesmo antes do nascimento"
e dura até o último dia. Entretanto, a juventude, desde o ponto de vista
da formação, é um período especialmente importante, rico e decisivo. E se
refletirdes sobre o diálogo de Cristo com o jovem rico encontrareis
a confirmação do que acabo de dizer.
As perguntas de ser jovem são essenciais. As respostas
também o são.
O Evangelho e os problemas
de hoje
Essas perguntas e essas respostas não são essenciais
somente para o jovem em questão, importantes por sua situação de então; são
igualmente de primeira importância e essenciais para o tempo atual. Por isso,
à questão de saber se o Evangelho pode responder aos problemas dos homens
de hoje, respondo: não somente "é capaz disso, como deve ir mais longe;
só o Evangelho dá uma resposta total, que vai completamente até o fundo das
coisas".
Disse no começo que Cristo é o Verbo, a Palavra de
um diálogo incessante. Ele é o diálogo, o diálogo com todo homem, embora alguns
não se apresentem a ele, nem todos saibam como levá-lo adiante, e há até mesmo
aqueles que rejeitam explicitamente esse diálogo. Afastam-se... e, contudo...,
talvez esse diálogo continue se estabelecendo entre eles. Estou convencido
de que é assim. Mais de uma vez esse diálogo "se desvela" de modo
inesperado e surpreendente.
O contato com os homens
de estado
Retomo também vossa pergunta com a que quereis saber
por que, nos diversos países onde vou, e também em Roma, falo com os diversos
Chefes de Estado.
Simplesmente, porque Cristo fala com todos os homens,
com todo homem. Por outro lado, penso que –não duvideis- não há
menos coisas a dizer aos homens que têm grandes responsabilidades sociais
que ao jovem do Evangelho, e que a cada um de vós.
A vossa pergunta sobre o tema de minhas conversas com
os Chefes de Estado, responderei que eu lhes falo na maioria das vezes precisamente
dos jovens. Não por acaso, da juventude depende "o dia de amanhã".
Estas últimas palavras estão tiradas de uma canção que os jovens poloneses
de vossa idade cantam freqüentemente: "De nós depende o dia de amanhã.
Eu também a cantei mais de uma vez com eles. Por outro lado, sempre gostei
muito de cantar canções com os jovens, pela música e pelas palavras.
Evoco esta lembrança porque me fizestes perguntas sobre minha pátria; mas
para responder a isso, teria que falar-vos mais detidamente.
A Igreja é una e Universal
Evidentemente esta pergunta é mais ampla e vai muito
além de quanto acabo de dizer sobre a Igreja na França ou na Polônia. Com
efeito, uma e outra são "ocidentais", já que pertencem ao
mesmo âmbito da cultura européia e latina, mas minha resposta será a mesma.
Por sua natureza, a Igreja é una e universal. Chega a ser Igreja de cada nação,
ou dos continentes, ou das raças, por causa e na medida em que essas sociedades
aceitam o Evangelho e fazem dele, por assim dizer, propriedade sua. Estive
recentemente na África. Tudo indica que as jovens Igrejas desse continente
tem plena consciência de ser africanas. E aspiram conscientemente a vincular
o cristianismo com as tradições de suas culturas. Na Ásia, e principalmente
no Extremo Oriente, acredita-se que o cristianismo é a religião "ocidental",
e, entretanto, eu não duvido de que as Igrejas ali estabelecidas sejam
Igrejas "asiáticas".
A felicidade no mundo
de hoje
O jovem do Evangelho pergunta: "Senhor o que devo
fazer para alcançar a vida eterna?" (Mt. 19, 16).
E agora vós fazeis esta pergunta: É possível ser feliz
no mundo de hoje?
Em verdade fazeis a mesma pergunta do jovem! Cristo
responde -a ele e também a vós, a cada um de vós-: Sim, é possível. Isto é,
com efeito, o que responde, embora suas palavras sejam aquelas: "Se quiseres
entrar na vida eterna, observa os mandamentos" (Mt. 19, 17) E responderá
também mais adiante: "Se quiseres ser perfeito, vende tudo o que tens,
daí aos pobres, vem e segue-me" (cf. Mt. 19, 21)
Estas palavras significam que o homem não pode ser
feliz mais do que na medida em que é capaz de aceitar as exigências de sua
própria humanidade, sua dignidade de homem, as exigências que Deus lhe pede.
As exigências de ordem
moral
Assim, Cristo não responde somente à pergunta se é
possível ser feliz, mas diz também como é possível ser feliz, em que condições.
Esta resposta é totalmente original e não pode ser superada; nem pode perde
sua vigência. Deveis refletir muito sobre ela e adaptá-la a vós mesmos. A
resposta de Cristo compreende duas partes. Na primeira, trata-se de
observar os mandamentos. E aqui, eu faria uma digressão motivada por uma de
vossas perguntas sobre os princípios que a Igreja ensina no terreno da moral
sexual. Expusestes vossa preocupação ao ver que são difíceis e que os jovens
poderiam, precisamente por esta razão, afastar-se da Igreja. E eu vos respondo:
se pensardes nesta questão seriamente e irdes ao fundo do problema, vos asseguro
que vos dareis conta de uma única coisa: neste terreno, a Igreja propõe apenas
as exigências que estão estreitamente ligadas ao amor matrimonial e conjugal
verdadeiro, quer dizer, responsável. Exige o que requer a dignidade da pessoa
e a ordem social fundamental. Eu não nego que haja exigências. Mas é justamente
aí que está o ponto chave do problema: o homem se realiza somente na medida
em que sabe impor a si mesmo essas exigências. Caso contrário, afasta-se
"entristecido", como acabamos de ler no Evangelho. A permissividade
moral não torna os homens felizes. A sociedade de consumo não torna os homens
felizes. Não o fizeram jamais.
A vocação cristã
No diálogo de Cristo com o jovem, há, como disse, duas
fases. Na primeira, trata-se dos mandamentos do Decálogo, quer dizer,
as exigências fundamentais de toda moralidade humana. Na segunda, Cristo
diz: "Se quiseres ser perfeito... vem e segue-me" (Mt. 19, 21)
Este "vem e segue-me" é um ponto central
e culminante de todo este episódio. Essas palavras indicam que não se pode
aprender o cristianismo como uma lição composta de vários e diversos capítulos,
mas que está ligado sempre a uma Pessoa, com uma pessoa vivente: com Jesus
Cristo. Jesus Cristo é o guia, é o modelo. Pode ser imitado de diversos modos
e em diversa medida, fazer d’ Ele a "regra" da própria vida.
Cada um de nós é como um "material"
particular do qual se pode -seguindo a Cristo- obter certa forma concreta,
única e absolutamente singular da vida, que pode ser chamada vocação cristã.
Sobre este ponto muitas coisas foram dias no último Concilio, no que se refere
à vocação dos leigos.
A vocação sacerdotal
ou religiosa
Fizestes outra pergunta sobre minha própria vocação
sacerdotal. Tentarei responder-vos brevemente, seguindo a linha de vossa pergunta.
Direi resumidamente: faz dois anos que sou Papa e faz mais de vinte anos que
sou bispo, e, contudo, para mim continua sendo o mais importante o fato de
ser sacerdote. O fato de poder diariamente celebrar a Eucaristia, de poder
renovar o próprio sacrifício de Cristo, oferecendo nele todas as coisas ao
Pai: o mundo, a humanidade, eu mesmo. Nisso, certamente, consiste a justa
dimensão da Eucaristia. Por isso também tenho presente em minha pessoa esse
desenvolvimento interior, mediante o qual "eu ouvi" o chamado de
Cristo ao sacerdócio, esse especial "vem e segue-me".
Ao confiar-vos estas coisas, exorto a cada um
e cada uma de vós, a prestardes muita atenção a essas palavras evangélicas.
Com isso irá se formar até o fundo de vossa humanidade e irá se definir a
vocação cristã de cada um de vós. E, quem sabe, por vossa parte, ouvireis
também o chamado ao sacerdócio ou à vida religiosa. A França, até pouco
tempo atrás, era rica em vocações. Deu, entre outras coisas, à Igreja muitos
missionários e muitas religiosas missionárias. Certamente Cristo continua
falando nas areias no Sena e dirige sempre o mesmo chamado. Escutai atentamente.
Convém que na igreja nunca faltem aqueles que "foram escolhidos dentre
os homens", aos quais Cristo estabelece de modo especial, "para
o bem dos homens" (Hb. 5, 1) e envia aos homens.
A oração
Fizestes também uma pergunta sobre a oração. A oração
pode ser definida de muitas maneiras. Mas a mais freqüente é chamá-la de diálogo,
uma conversa, um entreter-se com Deus. Ao conversar com alguém não somente
falamos, mas também escutamos. A oração, portanto, é também uma escuta. Consiste
em colocar-se a escutar a voz interior da graça. A escutar o chamado.
E então, já que me perguntais como o Papa reza, vos respondo: como todo cristão;
fala e escuta. Ás vezes, reza sem palavras, e é então quando mais escuta.
O mais importante é precisamente o que "ouve". Trata também de unir
a oração com suas obrigações, com suas atividades, com seu trabalho e unir
seu trabalho com a oração. Dessa maneira, dia após dia, trata de cumprir seu
"serviço", seu "ministério", que deriva da vontade de
Cristo e da tradição viva da Igreja.
O ministério do Papa
Perguntastes também como vejo esse serviço agora que
vai fazer dois anos que fui chamado a ser Sucessor de Pedro. O vejo principalmente
como um amadurecimento no sacerdócio e como a permanência na oração como Maria,
a Mãe de Cristo, a exemplo dos Apóstolos, que eram assíduos na oração, dentro
do cenáculo de Jerusalém, quando receberam o Espírito Santo. Além disso, encontrareis
minha resposta a essa pergunta ao examinar as restantes. E principalmente
a que se refere à realização do Concílio Vaticano II (pergunta número 14)
Perguntastes é é possível. E eu respondo: não somente é possível a realização
do Concilio, como é necessária. E esta resposta é antes de tudo a reposta
da fé. É a primeira resposta que dei na manhã seguinte à minha eleição perante
os cardeais reunidos na capela Sistina. É a resposta que dei a mim mesmo e
os demais primeiramente como bispo e como cardeal e é a resposta que dou constantemente,
é esse o problema principal. Acredito que, através do Concílio, realizou-se
para a Igreja em nossa época as palavras de Cristo, com as quais prometeu
à sua Igreja o Espírito de verdade, que conduzia as almas e os corações dos
Apóstolos e de seus sucessores, permitindo-lhes permanecer na verdade, realizando
à luz dessa verdade "os sinais dos tempos". É justamente o
que o Concílio fez em função das necessidades de nosso tempo, de nossa época.
Acredito que, graças ao Concílio, o Espírito Santo "fala" à Igreja.
Digo isto, retomando a expressão de São João. Nosso dever é compreender, de
modo firme e honrado, o que "o Espírito diz" e colocá-lo em prática,
evitando possíveis desvios, desde qualquer ponto de vista, do caminho que
o Concílio traçou.
Fidelidade à Palavra
de Deus
O serviço do bispo, e em particular o do Papa, está
ligado a uma responsabilidade especial em relação ao que diz o Espírito: está
ligado a essa responsabilidade no que diz respeito ao conjunto da fé da Igreja
e da moral cristã. Com efeito, são essa fé e essa moral as que devem ensinar
na Igreja os Bispos com o Papa, vigiando à luz da Tradição sempre viva, sobre
sua conformidade, com a palavra de Deus revelada. Por isso deve às vezes se
dar conta também de que certas opiniões, certas publicações manifestam claramente
a falta dessa conformidade. Não constituem uma doutrina autêntica da fé cristã
e da moral. E ao falar disto respondo a uma de vossas perguntas. Se tivéssemos
mais tempo, poderia dedicar a este problema uma exposição mais ampla, principalmente
porque neste terreno abundam as informações falsas e explicações errôneas;
mas hoje nos contentaremos com estas poucas palavras.
O dom da unidade
entre os cristãos
Gostaríeis de saber se eu espero a unidade das igrejas
e como eu a imagino. Responderei o mesmo que a propósito
da aplicação do Concílio. Também vejo aí uma chama particular do Espírito
Santo. No que diz respeito a sua realização, encontramos no ensinamento do
Concílio todos os elementos fundamentais. Estes são os que devem ser colocados
em prática, buscando suas aplicações concretas e, principalmente, rogando
sempre com fervor, constância e humildade. A união dos cristãos não pode se
realizar senão com um amadurecimento profundo na verdade uma conversão constante
dos corações. Tudo isto devemos fazê-lo segundo nossas capacidades humanas,
revisando todos os "processos históricos" que duraram tantos séculos,
mas, definitivamente, esta união, pela qual não devemos desperdiçar nem esforços
nem trabalhos, será o dom de Cristo à sua Igreja. Como já é de fato um dom
seu entrarmos no caminho da unidade.
Promover a paz e
a justiça no mundo
Seguindo a lista de vossas perguntas vos respondo.
Já falei muitas vezes dos deveres da Igreja no campo da justiça e da paz,
seguindo as pegadas das atividades de meus grandes predecessores João XXIII
e Paulo VI. Refiro-me a tudo isto porque me perguntastes: o que nós, jovens,
podemos fazer por esta causa? Podemos fazer algo para impedir uma nova guerra,
uma catástrofe que seria incomparavelmente mais terrível que a anterior? Acredito
que, na própria formulação de vossas perguntas, encontrareis a resposta esperada.
Lede essas perguntas, meditai-as. Fazei delas um programa comunitário, um
programa de vida. Vós, jovens, tendes já a possibilidade de promover a paz
e a justiça onde estiverdes, em vosso mundo. Isso supõe atitudes precisas
de acerto ao ver a verdade sobre vós mesmos e sobre os outros, um desejo de
justiça baseado no respeito dos demais a suas diferenças, a seus direitos
importantes; assim se prepara um clima de fraternidade para o amanhã, quando
vós tiverdes grandes responsabilidades na sociedade. Se se quer fazer um mundo
novo e fraternal, convém preparar homens novos.
Ajudar no desenvolvimento
do terceiro mundo
E agora, a pergunta sobre o Terceiro Mundo. É um grande
tema histórico, cultural, de civilização. Mas é principalmente um problema
moral. Perguntais com toda razão quais devem ser as relações entre nosso país
e os países do Terceiro Mundo: da África e da Ásia, Há aí, efetivamente,
grandes obrigações de ordem moral. Nosso mundo "ocidental" é ao
mesmo tempo "setentrional" (europeu ou Atlântico) Suas riquezas
e seu progresso devem muito aos recursos e aos homens destes continentes.
Na nova situação em que nos encontramos depois do Concílio, não se pode continuar
buscando somente ali a fonte de um enriquecimento ulterior e do próprio
progresso. Deve-se conscientemente e organizando-se para isso, ajudá-los em
seu desenvolvimento. Esse é, talvez, o problema mais importante no que diz
respeito à justiça e à paz no mundo de hoje e de amanhã. A solução desse problema
depende da geração atual, e dependerá de vossa geração e das que seguirão.
Aqui também se trata de continuar o testemunho dado a Cristo e à Igreja
por muitas gerações anteriores de missões, religiosos e leigos.
Ser testemunha de
Cristo
E agora a pergunta sobre como ser hoje testemunhas
de Cristo. É a questão fundamental, a continuação da meditação central de
nosso diálogo, a conversa de Jesus com o jovem. Cristo lhe diz "segue-me".
É o que disse a Simão, filho de João, a quem deu o nome de Pedro; a seu irmão
André, aos filhos de Zebedeu, a Natanael. Disse "segue-me" para
repetir então, depois da ressurreição "sereis minhas testemunhas"
(At. 1, 8). Para ser testemunhas de Cristo, para dar testemunho d’Ele,
antes de tudo deve-se segui-lo. Deve-se aprender a conhecê-lo, deve-se entrar,
por assim dizer, em sua escola, penetrar todo seu mistério. É uma tarefa fundamental
e central. Mas o fazemos assim, se não estamos dispostos a fazê-lo constante
e honradamente, nosso testemunho corre o risco de ser superficial e exterior.
Corre o risco de não ser um testemunho. Mas se, ao contrário, seguimos atentos
a isto, o próprio Cristo nos ensinará, mediante seu Espírito, o que temos
que fazer, como devemos nos comportar, em que e como devemos nos comprometer,
como levar adiante o diálogo com o mundo contemporâneo, esse diálogo que Paulo
VI denominou diálogo de salvação.
Tarefa dos jovens
e as jovens na Igreja
Por conseguinte, se me perguntardes "O que devemos
fazer na Igreja, principalmente nós, os jovens?" Tenho que vos responder:
aprender a conhecer a Cristo. Constantemente. Aprender de Cristo. N’Ele
encontram-se verdadeiramente os tesouros insondáveis da sabedoria e da ciência.
Nele, o homem, sobre quem pesa suas limitações, seus vícios, suas fraquezas
e seus pecados, converte-se realmente no "homem novo",
converte-se no homem "para os demais" e converte-se também
na glória de Deus, porque a glória de Deus, como disse no século II São Irineu
de Lyon, bispo e mártir, é o "homem vivente". A experiência
de dois milênios nos ensina que, nesta obra fundamental, a missão de todo
o Povo de Deus não existe nenhuma diferença essencial entre o homem e a mulher.
Cada um em seu gênero segundo as características específicas da feminilidade
e da masculinidade, chega a ser esse "homem novo", quer dizer, esse
homem "para os demais" e, como homem vivente, chega a fazer a glória
de Deus, no sentido hierárquico, está dirigida pelos sucessores dos apóstolos,
e, portanto, por homem, é ainda mais verdade que, no sentido carismático,
as mulheres a "conduzem" igualmente, e inclusive melhor ainda: vos
convido a pensar freqüentemente em Maria, a Mãe de Cristo.
Antes de concluir este testemunho baseado em vossas
perguntas, gostaria mais uma vez de agradecer muito especialmente os vários
representantes da juventude francesa que, antes da minha chegada a Paris,
me enviaram milhares de cartas. Agradeço-vos por manifestardes este
vínculo, esta comunhão, esta co-responsabilidade. E desejo que esse vínculo,
esta comunhão e essa co-responsabilidade continuem aprofundando-se e desenvolvendo-se
após o nosso encontro desta noite.
Peço-vos também que reforceis vossa união com os jovens
de toda a Igreja e de todo o mundo, no Espírito desta certeza de que Cristo
é nosso caminho, a verdade e a vida (cf. Jo. 14, 6)
Unamo-nos agora nessa oração que Ele mesmo nos ensinou,
cantando o "Pai Nosso". E recebei todos, para vós, para os rapazes
e moças de vossa idade, para vossas famílias e para os homens que mais
sofrem, a benção Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro.
"Pai nosso que estais no céu, santificado seja
vosso nome, venha a nós o vosso reino. Seja feita a vossa vontade, assim
na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos daí hoje, perdoai-nos as
nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido. E não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém".
O Papa aos jovens da França, Junho
de 1980