“Que estes duzentos anos não sejam um ponto de chegada, mas um limiar, o início renovado de um compromisso comum em favor do homem e da sua vocação transcendente”, disse o secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin, na homilia da missa de ação de graças pelo bicentenário das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, celebrado hoje (23), na basílica de Santa Maria Maior, em Roma.

A missa foi concelebrada por dois cardeais brasileiros:  o arcebispo de Porto Alegre (RS), dom Jaime Spengler, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e pelo arcebispo de Salvador (BA), dom Sergio da Rocha.

As relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé foram estabelecidas em 23 de janeiro de 1826, quando o então papa Leão XII recebeu as cartas credenciais do primeiro agente diplomático do Brasil, monsenhor Francisco Corrêa Vidigal, enviado à Roma pelo imperador do Brasil, dom Pedro I, para fazer gestões em favor do reconhecimento da independência, proclamada em 7 de setembro de 1822. Em fevereiro do mesmo ano, segundo o Vatican News, “o papa Leão XII propôs a são Gaspar de Búfalo o cargo de representante pontifício no Brasil, mas ele pediu e obteve do papa a licença para não aceitar”. Com isso, “em julho de 1829”, o papa enviou ao Brasil seu “primeiro Internúncio Apostólico”, monsenhor Pietro Ostini, “delegado apostólico para toda a América Latina” e a partir de então, “34 internúncios e núncios apostólicos” estiveram no Brasil.

Em sua homilia, o cardeal Pietro Parolin, citou o discurso do papa Leão XIV ao embaixadores junto à Santa Sé em 16 de maio passado, no Vaticano, no qual disse que “a diplomacia pontifícia é realmente a expressão da própria catolicidade da Igreja e, na sua ação diplomática, a Santa Sé é animada por uma urgência pastoral que a impele a intensificar a sua missão evangélica ao serviço da humanidade, e não a procurar privilégios”.

Segundo Parolin, “a diplomacia da Igreja não nasce da busca de vantagens políticas, mas de uma visão moral e espiritual da história, na qual o diálogo prevalece sobre o conflito, a paciência sobre a opressão e a consciência sobre o interesse imediato" e destacou: “Em dois séculos de relações com a Santa Sé, o Brasil não encontrou na Igreja uma potência estrangeira, mas uma companheira de viagem que se mostrou atenta às feridas sociais, aos desafios educativos e à promoção da justiça e da paz”.

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“Desejamos, portanto, agradecer por estes dois séculos de diálogo, respeito mútuo, cooperação paciente e fecunda, não apenas registrados nos documentos da história, mas sobretudo na carne viva de um povo que crê, na sua cultura, nas suas esperanças e nas suas provações”, disse o cardeal.

Um povo ‘profundamente marcado pela fé cristã, pela devoção mariana’

O secretário de Estado da Sé ainda disse que o povo brasileiro é "profundamente marcado pela fé cristã, pela devoção mariana e pela capacidade de enfrentar as provações históricas sem perder o sentido da alegria e da solidariedade", e destacou que,  por ter “uma profunda devoção a Nossa Senhora Aparecida, encontra em Maria uma ponte espiritual privilegiada com a Sé de Pedro".

Parolin finalizou pedindo que Nossa Senhora Salus Populi Romani (Salvação do Povo Romano) e Nossa Senhora Aparecida “conserve em seu coração materno a Santa Sé e o povo brasileiro e os conduza, através dos caminhos por vezes obscuros da história, para a luz que nunca se põe: o Senhor Jesus Cristo".