Jan 6, 2026 / 16:30 pm
Até sábado passado (3), a Venezuela nunca havia sofrido um ataque militar estrangeiro direto. Naquele dia 150 aeronaves militares americanas invadiram o espaço aéreo do país na Operação Resolução Absoluta, que foi concluída com a captura de Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores, em Caracas.
Por volta das 2h da manhã, horário local, várias explosões interromperam o sono de milhões de pessoas. O assobio das bombas, o rugido de caças e helicópteros, e bolas de fogo e fumaça dominaram o horizonte da cidade. Uma família da zona leste de Caracas — os Bertis — junto com seus vizinhos, foram testemunhas do caos.
Sobreviver “é um milagre”
Elena Berti, de 78 anos de idade, estava dormindo sozinha em casa quando um projétil caiu em seu quintal. Elena mora num pequeno bairro perto de uma área conhecida como El Volcán, onde antenas de comunicação militar estavam entre os alvos dos ataques aéreos dos EUA.
"Minha casa está destruída, minha casa está destruída", foi tudo o que Elena conseguiu dizer ao telefone para sua filha, Patricia Salazar, que só pôde chegar para ajudar a mãe horas depois, quando já era dia e o perigo havia passado.
“Ela sempre dorme com um terço embaixo do travesseiro e sempre tem muitas imagens de santos na mesa de cabeceira; algumas delas, infelizmente, perderam a cabeça”, disse Salazar à ACI Prensa, agência em espanhol do Grupo ACI. “Eu digo que ela é obra de um milagre, assim como meus tios que moram no andar de cima”.
Duas grandes janelas, diretamente acima da cabeça de Elena, foram estilhaçadas. Uma grande parte da pesada estrutura de madeira de sua cama também foi arrancada. Várias portas e paredes foram destruídas. A cozinha ficou praticamente irreconhecível. Os danos à estrutura da casa são tão significativos que grande parte dela precisa ser demolida, mas nada aconteceu com Elena.
“De manhã, ela começou a me mandar fotos, muito fortes, da casa destruída, e a única coisa que escrevi para ela foi a frase da novena do Abandono, que eu estava lendo, que diz: Ó Jesus, eu me entrego a Ti, eu me abandono a Ti, cuida de tudo”, diz Patrícia.
“Deus vai nos ajudar”, disse ela. “Foi Ele quem salvou minha mãe e meus tios, que poderiam facilmente ter morrido porque, bem, qual a probabilidade de um míssil americano, com todo aquele poder, cair no seu quintal e destruir, para dizer o mínimo, metade da sua casa? As janelas estilhaçaram completamente; poderiam ter partido a casa ao meio. Não sei dizer o que aconteceu, mas com certeza ocorreu um milagre”.
Seis metros a menos e “teria sido um desastre”.
As janelas e portas das casas a cerca de 200 metros do ponto de impacto foram destruídas. Quase toda a vizinhança foi afetada, não só em termos de danos materiais, mas também psicologicamente.
No segundo andar da casa de Elena, num apartamento separado, mora seu irmão Arturo. Naquela noite, ele ficou acordado até muito tarde: estava lendo na sala de estar de sua casa, que acabou sendo a área mais afetada pela explosão, até poucos minutos antes de o projétil atingir o local.
“Depois de um tempo, ouvi um longo assobio e então um impacto, uma explosão fenomenal, algo impressionante”, disse Arturo Berti. “Tudo se moveu, a cama se moveu. Senti o prédio se mexer, todas as janelas se estilhaçaram, a cama ficou coberta de vidro”.
Ele imediatamente tentou se proteger com a mulher, sem saber exatamente o que havia acontecido. Arturo disse que os que ouviram a história e viram os vídeos da explosão não conseguem explicar como eles sobreviveram.
“Tem que ser um milagre, é inacreditável”, disse ele, com a voz embargada pelas lágrimas. “Se tivesse sido seis metros a menos, teria caído dentro da casa e eu não sei o que teria acontecido, teria sido um desastre. Claro que acredito em Deus, sempre acreditei em Deus, na Virgem Maria e em são José Gregório. Foi a mão de Deus”.
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“Você não acredita em Deus?”
Bem ao lado da residência dos Berti moram Gracia Mónaco e sua filha, Ana María Campos. Os danos à casa delas se concentraram nos dois quartos. Enquanto estava na cama, um estilhaço de vidro abriu um grande buraco bem perto de Ana María.
Em meio à fumaça e aos destroços, ela conseguiu chegar ao quarto da mãe, que já não tinha janelas. As molduras estavam retorcidas e as paredes, violentamente rachadas. Ana María estava em estado de choque, muito angustiada.
Naquele momento, a fé de Gracia se ancorou numa pequena imagem de Nossa Senhora, que ela havia colocado em seu criado-mudo poucas horas antes dos bombardeios. Em meio à incerteza, ela ofereceu algumas palavras de conforto à sua filha:
“Ana María, você não acredita em Deus? Ela permaneceu em silêncio, e eu lhe disse: Essa estátua da Virgem Maria não estava aqui há dois dias. Encontrei-a no armário onde a tinha guardado e disse: vou colocá-la de volta aqui. Guardo-a aqui, ao lado das fotos dos meus pais, que já morreram e que são a coisa mais importante para mim depois das minhas filhas”, disse Gracia.
“Eu disse a ela: Minha janela explodiu aqui, entraram destroços, eu sofri naquele momento, mas essa Virgem permaneceu aqui sem se mexer, sem cair, e para mim isso significa muito”, disse ela. “Você tem que acreditar nisso, que Deus existe, que Ele está conosco, que Ele nos salvou”.
O choque e o nervosismo de Ana María diminuíram graças às palavras de fé de sua mãe.
“Então minha mãe me disse: Olha, Ana María, eu tinha essa imagem da Virgem Maria guardada e a tirei de lá”, disse ela. “Você devia ver como a imagem da Virgem Maria ficou intacta, nem sequer caiu. Tudo o mais havia caído, e a imagem da Virgem Maria permaneceu de pé. Ela a segurou na mão, colocou-a ao lado de onde estava e me disse: Você não acredita em Deus? Você não tem fé? Essa verdade me comoveu profundamente; por um instante, deixei tudo para o aspecto humano e me esqueci Dele por alguns segundos, no sentido de que me deixei impressionar e me angustiar”.
Gracia, sua filha, a família Berti e todos os seus vizinhos são a prova da fé inabalável dos venezuelanos, mesmo nas condições mais adversas, abundantes sobretudo nos últimos 25 anos, mas que, apesar de tudo, não se quebrou.
“Isso é importante para mim, é vital, porque eu tenho fé e a fé está comigo o tempo todo”, concluiu Gracia. “É por isso que digo a ela que devemos sempre acreditar, não só ocasionalmente. Deus está conosco sempre, em todos os momentos e em todas as circunstâncias”.
A família Berti iniciou uma campanha de arrecadação de fundos em que qualquer pessoa pode contribuir para a reconstrução da casa da família. Quem desejar também pode doar materiais de construção para a casa de Gracia Mónaco e para as casas dos outros vizinhos.
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