2 de fev de 2026 às 11:12
O papa Leão XIV recebeu ontem (1) os gentis-homens de Sua Santidade, encarregados da antecâmara papal e os sediários, para agradecer-lhes pessoalmente pelo serviço prestado na Casa Pontifícia.
Eles são os responsáveis pelo protocolo, pela organização do palácio Apostólico e pela recepção de pessoas e grupos que visitam o papa.
Na audiência, realizada na Sala Clementina, no Vaticano, Leão XIV dirigiu uma saudação especial ao regente da Prefeitura da Casa Pontifícia, monsenhor Leonardo Sapienza, e ao vice-regente, padre Edward Daniang Daleng, responsáveis pela coordenação do serviço.
Em seu discurso, o papa resumiu a missão dos gentis-homens e demais servidores pontifícios em três verbos: “dispor, acolher, saudar”.
“A qualidade de um encontro começa pela atenção que caracteriza seus preparativos, até nos mínimos detalhes”, disse ele.
No caso do Vaticano, disse Leão XIV, esse trabalho se desenvolve em espaços impregnados de história e arte, o que exige "um serviço tão atencioso quanto humilde".
O papa disse que os gestos devem ser “nobres, mas não pomposos; elegantes, mas não sofisticados, de modo a comunicar afabilidade a todos”.
“Seja príncipe ou peregrino, patriarca ou postulante, a solicitude do Sucessor de Pedro permanece idêntica para com todos e amorosa para com cada um”, disse ele.
Leão XIV falou sobre a beleza sóbria que caracteriza o protocolo pontifício e encorajou os servidores da Casa Pontifícia a testemunhar os valores herdados de seus antecessores "com uma vida coerente".
O papa disse que o serviço de honra exige não só um código de ética específico, mas também “uma fé sólida e um estilo espiritual marcado pela devoção à Igreja e ao papa”. “Que as ações, a postura e os olhares de cada dia sejam sempre um espelho luminoso disso”, disse ele.
Leão XIV encerrou a audiência agradecendo mais uma vez a esses colaboradores por sua fidelidade e dedicação e concedendo sua Bênção Apostólica, que também estendeu às suas famílias e entes queridos.
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Quem são os gentis-homens de Sua Santidade
Os gentis-homens de Sua Santidade fazem parte da seção leiga da Casa Pontifícia. São assistentes leigos da Casa Pontifícia e ocupam uma posição de grande prestígio, herdada dos antigos camareiros leigos da corte papal do século XVI. Naquela época, esses dignitários tinham funções tanto práticas quanto honorárias, regidos por um protocolo rigoroso e uma hierarquia baseada em títulos de nobreza.
O papa são Paulo VI em 1968 aboliu antigas distinções e concedeu a todos o título único de gentil-homem de Sua Santidade. Desde então, eles são nomeados diretamente pelo papa e geralmente provêm da nobreza e da elite social.
No exercício de suas funções — especialmente em cerimônias, audiências e visitas de Estado — eles vestem casaca ou terno preto e carregam uma corrente tripla de ouro com o brasão pontifício, além de medalhões com as letras entrelaçadas “GSS”, abreviação de seu título, e condecorações pontifícias e, no caso deles, civis ou militares.
Os sediários pontifícios
Junto com os gentis-homens, Leão XIV recebeu os camareiros papais, outro corpo histórico da Casa Pontifícia. Assim como os gentis-homens, seu cargo tem sido tradicionalmente quase hereditário.
Por séculos, eles foram responsáveis por portar os tronos papais e, em particular, a sede gestatória usada pelos papas até o beato João Paulo I em 1978.
Com a reforma e simplificação dos procedimentos cerimoniais implementadas pelo papa são Paulo VI, os sediários (portadores do trono papal) deixaram de exercer essa função e foram integrados à antecâmara da Casa Pontifícia, tornando-se colaboradores diretos do prefeito da Casa Pontifícia. Hoje, eles carregam o papa só no contexto de seus funerais. Eles foram vistos, por exemplo, carregando o caixão do papa Francisco depois do funeral do papa argentino, em 23 de abril do ano passado.




