19 de jan de 2026 às 15:53
Um relatório disse que, no ano passado, mais cristãos foram mortos na Nigéria do que em qualquer outro lugar do mundo.
Dos 4.849 cristãos mortos por sua fé em todo o mundo, 3.490 estavam na Nigéria, segundo a Lista Mundial de Vigilância 2026 da organização Open Doors (Portas Abertas).
A Open Doors é uma missão cristã internacional sediada na Holanda que monitora perseguição global e apoia cristãos perseguidos em todo o mundo. A Lista Mundial de Vigilância anual da organização classifica 50 países conforme a gravidade da perseguição enfrentada por cristãos praticantes.
O relatório também mostra um aumento de 8 milhões de cristãos enfrentando altos níveis de perseguição e discriminação entre outubro de 2024 e setembro do ano passado, elevando o total para 388 milhões.
Discursando no lançamento do relatório, Henrietta Blyth, diretora executiva da Open Doors Reino Unido e Irlanda, disse: "A Nigéria está na África subsaariana, região que é uma armadilha mortal para os cristãos", dizendo sentir alívio pelo fato de as pessoas finalmente estarem falando sobre o que está acontecendo no país.
Nos últimos meses, a situação na Nigéria voltou a estar no centro das atenções depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter ameaçado invadir o país "com armas em punho" e, depois, ter lançado ataques contra militantes ligados ao grupo Estado Islâmico no noroeste da Nigéria.
Embora os governos dos EUA e da Nigéria tenham cooperado nos ataques contra os terroristas, Trump acusou o governo nigeriano de não proteger cristãos dos ataques jihadistas, com alguns aliados e figuras de campanha dizendo que a situação é um "genocídio".
O governo nigeriano reluta em abordar o aspecto religioso por medo de ser designado como um “país de preocupação especial” (CPC, na sigla em inglês) pelos EUA, o que poderia “permitir que o governo Trump e outros governos internacionais tomassem medidas, inclusive um embargo”, segundo John Samuel, especialista em África Subsaariana da organização Portas Abertas.
Respondendo sobre como o governo do Reino Unido deveria responder à situação, David Smith, o enviado especial do Reino Unido para a liberdade de religião ou crença, disse à EWTN News: “Precisamos ser amigos críticos. Precisamos ser capazes de conversar com nossos homólogos nigerianos, incentivando-os e capacitando-os a dizer a verdade. É um conflito multifacetado no centro da Nigéria, com muitas causas, inclusive perseguição religiosa”,
Discursando na Portcullis House, em Londres, ele disse à plateia de 110 parlamentares: “Precisamos ser a voz que se manifesta sobre essas histórias horríveis. Ninguém deveria viver com medo por causa de sua fé ou crença. O mínimo que podemos fazer é nos pronunciar, e eu os exorto a fazer isso”.
Em novembro do ano passado, o papa Leão XIV falou sobre a crise na Nigéria, dizendo que “cristãos e muçulmanos têm sido massacrados” no país. Ele disse a jornalistas em Castel Gandolfo, Itália, que “muitos cristãos morreram” e exortou ao governo a “promover a verdadeira liberdade religiosa”. Os comentários do papa foram feitos depois que Trump classificou a Nigéria como um país de particular preocupação devido a violações da liberdade religiosa.
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Os motivos da perseguição na Nigéria são multifacetados e variam entre as regiões. Pastores da etnia fulani migraram do norte para a região central da Nigéria, onde “estão causando um problema enorme”, segundo John Samuel.
“Eles estão se mudando para áreas onde podem encontrar mais recursos para o gado, como pastagens, e isso naturalmente pode causar conflitos entre a comunidade agrícola predominantemente cristã e os pastores, que são predominantemente de etnia fulani e muçulmana”.
Ele disse que “a violência menos relatada e relatada erroneamente, mas que causa um problema enorme, é a violência no Cinturão Médio ou centro-norte da Nigéria, perpetrada por militantes fulani”.
“Essa é sempre a versão simplificada demais”, disse Samuel, dizendo que “agora há o surgimento de um grupo militante islâmico fulani”.
Segundo o Observatório para a Liberdade Religiosa na África, com sede na Holanda, os cristãos têm 2,7 vezes mais probabilidade de serem alvos de ataques dos fulanis do que os muçulmanos. Alguns sugerem que isso ocorre porque os líderes religiosos cristãos podem obter resgates mais altos em caso de sequestro.
Existem também grupos terroristas islâmicos como o Boko Haram e o Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP, na sigla em inglês), que "declararam abertamente sua ideologia" e "querem estabelecer um califado islâmico baseado numa ideologia islâmica radical”.
“Eles têm um canal no YouTube atualmente e se gabam de matar infiéis".
Blyth disse à EWTN News: “O governo do Reino Unido ainda tem muita influência. Eles estão envolvidos em negociações de segurança, negociações comerciais, negociações de ajuda, negociações diplomáticas. Todas essas negociações oferecem uma oportunidade para falar sobre liberdade de religião ou crença”.
“As pessoas devem continuar falando sobre os cristãos na África Subsaariana, porque somos atacados todos os dias”, disse o pastor Barnabas, da Nigéria, num vídeo exibido. “Queremos que as pessoas espalhem essa notícia para todos, que continuem falando sobre isso, para que sejamos salvos”.







