2 de jan de 2026 às 11:08
O governo de Israel anunciou que, a partir de ontem (1), impede cerca de 30 organizações não-governamentais (ONGs), como a Cáritas Jerusalém, de operar na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, não renovando as licenças exigidas por um novo sistema de registro implementado por motivos de segurança.
O anúncio foi feito na última terça-feira (30) pelo Ministério dos Assuntos da Diáspora e do Combate ao Antissemitismo de Israel, um dia antes do término do prazo estabelecido para a conclusão do novo cadastro obrigatório.
Autoridades israelenses dizem que a medida responde à necessidade de impedir "a exploração de mecanismos humanitários para fins terroristas" e de garantir "os padrões de segurança e transparência exigidos".
Segundo o ministério, liderado por Amichai Chikli, cerca de 15% das organizações afetadas não deram às autoridades israelenses "informações completas e verificáveis sobre seus trabalhadores", um dos aspectos mais sensíveis do novo sistema, que exigia dados detalhados sobre a equipe — como funcionários palestinos —, fontes de financiamento e estruturas operacionais.
Entre os requisitos está a obrigação de as organizações e seus funcionários reconhecerem Israel como um Estado judeu e democrático, assim como o compromisso de não promover ações legais contra militares israelenses diante de tribunais internacionais.
O patriarcado Latino de Jerusalém defende a Cáritas Jerusalém.
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O patriarcado Latino de Jerusalém defendeu a Cáritas Jerusalém por meio de uma declaração assinada por seu porta-voz, Farid Jubran.
O comunicado diz que a Cáritas Jerusalém é uma organização humanitária e de desenvolvimento que opera sob a égide da Assembleia dos Ordinários Católicos da Terra Santa e que, em Israel, tem o estatuto de “pessoa jurídica eclesiástica”, reconhecida pelo Estado de Israel através do Acordo Fundamental de 1993 e do Acordo sobre Personalidade Jurídica de 1997, assinados com a Santa Sé.
O patriarcado Latino de Jerusalém disse que a Cáritas Jerusalém “não iniciou nenhum processo de recadastramento junto às autoridades israelenses”. Disse também que a organização “continuará suas operações humanitárias e de desenvolvimento em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém, conforme seu mandato”. A declaração diz que a Caritas Internationalis, da qual a Cáritas Jerusalém é membro, não faz intervenções diretas em Israel.
Restrições às ONGs já vinham sendo impostas há meses. O prazo para adequação ao registro foi estendido de setembro para 31 de dezembro, enquanto organizações tentavam negociar seus termos em meio a uma emergência humanitária.
Embora Israel tenha levantado parcialmente algumas restrições nas últimas semanas, continua limitando a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, mesmo sob os compromissos assumidos no cessar-fogo de outubro de 2025.






