14 de janeiro de 2026 Doar
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Pesquisadora pede que comissão de liberdade religiosa dos EUA olhe para a Nicarágua

Martha Patricia Molina, advogada nicaraguense e pesquisadora católica, insta a Comissão dos EUA para a Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF, na sigla em inglês) a “voltar seus olhos para a Nicarágua” em audiência ontem (13); | Tessa Gervasini/CNA

Martha Patricia Molina, advogada nicaraguense e pesquisadora católica, instou a Comissão dos EUA para a Liberdade Religiosa Internacional a "voltar seus olhos para a Nicarágua".

“Na Nicarágua, rezar em público é crime”, disse Molina em audiência ontem (13) em Washington, D.C., EUA.

Depois da publicação do Relatório Anual da USCIRF 2025, sigla em inglês da comissão, a organização ouviu depoimentos sobre violações da liberdade de religião ou crença contra cristãos. As testemunhas falaram sobre suas experiências com violações da liberdade religiosa na Nicarágua, na China, na Nigéria, na Argélia, no Vietnã, no Egito, em Mianmar, na Eritreia e no Paquistão.

Na Nicarágua, disse Molina: “As medidas que devem ser tomadas precisam ser mais agressivas. Fazer sanções ao exército. Impor sanções econômicas diretas. Levar [o presidente] Daniel Ortega e [sua mulher, a co-presidente] Rosario Murillo e seus colaboradores à justiça internacional e processá-los por crimes contra a humanidade. Este ano provou que isso é possível”.

Molina fez o estudo intitulado Nicarágua: Uma Igreja Perseguida para mostrar “os horrores cometidos” pelas mãos dos ditadores. Molina disse que, desde abril de 2018, documentou 19.836 ataques “perpetrados pelo regime de Daniel Ortega e Rosario Murillo na Nicarágua contra padres, freiras e leigos”.

“Na Nicarágua, coroinhas… são assediados e monitorados pela polícia nacional nicaraguense e forçados a assinar documentos cujo conteúdo não entendem”, disse ela. “Seus pais são assediados e ameaçados de prisão caso falem com a imprensa”.

O regime nicaraguense “proíbe a entrada de Bíblias na Nicarágua e também controla as oficinas onde são feitas as imagens que os fiéis usam para veneração”, disse ela.

Os fiéis nicaraguenses estão tão "com medo quanto os discípulos de Jesus estavam quando Ele foi morto", disse Molina.

Na Nicarágua, “a falta de liberdade religiosa tem limitado profundamente o trabalho pastoral dos padres”, disse ela. “Eles são literalmente obrigados a ter cuidado com o modo como pregam, com medo de serem presos ou exilados”.

Ortega e Murillo “fecharam arbitrariamente 13 universidades e institutos”, disse Molina. “Com ódio, fecharam centros para jovens que estudavam para se tornarem padres, e 304 padres e freiras foram exilados da Nicarágua. Eles estão sendo expulsos ou impedidos de entrar no país”.

Devido à atual escassez de padres, “há dioceses na Nicarágua que sobrevivem só com 30 a 40% de seus sacerdotes”, disse a pesquisadora. “Como consequência, as comunidades no interior da Nicarágua veem suas práticas religiosas limitadas. Elas não conseguem mais se confessar regularmente”.

"Precisamos deter os criminosos com urgência, ou eles continuarão avançando e, eventualmente, chegarão até nós, nos EUA", disse ela.

Liderança dos EUA

"Num momento em que cristãos no exterior enfrentam ataques simplesmente por sua fé, a liderança dos EUA é crucial agora mais do que nunca", disse Vicky Hartzler, presidente da Comissão, na audiência de ontem.

“Queremos que mais países sejam designados como países de preocupação especial, como países em listas de vigilância específicas, ou seja, que sejam motivo de particular preocupação”, disse Hartzler depois da audiência. “Trabalhamos incansavelmente, visitando constantemente as pessoas no terreno, nos países, ouvindo as suas histórias”.

“Agradecemos muito que o presidente [Trump] tenha designado a Nigéria como um país de preocupação especial e esteja começando a tomar medidas para ajudar a população de lá”, disse ela. “Mas há muitos outros países que reprimem seus povos, e precisamos agir também nesses países. Os EUA têm uma enorme influência e oportunidade de fazer a diferença, e devemos usar nossa voz e nossa posição no mundo para ajudar os outros”.

A comissão ouviu representantes e senadores dos EUA que manifestaram apoio à missão da USCIRF e à legislação para proteger a liberdade religiosa nos EUA e no exterior.

“Os EUA são uma nação cristã”, disse o deputado Riley Moore, republicano da Virgínia Ocidental. “Temos o dever singular de defender os cristãos onde quer que sejam perseguidos, e eu nunca deixarei de lutar por nossos irmãos e irmãs perseguidos em Cristo”.

O deputado Mark Alford, republicano do Missouri, disse que a China sob o comando de Xi Jinping e do Partido Comunista Chinês “não esconde suas ações”.

“Autoridades dizem abertamente a líderes religiosos que a lealdade ao partido é mais importante do que a lealdade a Deus Todo-Poderoso”, disse Alford, defendendo uma legislação para reforçar a designação da China como um país de preocupação especial.

“Líderes religiosos e leigos, inclusive Jimmy Lai, enfrentaram acusações graves de fraude e subversão”, disse Hartzler. “Nos últimos anos, o governo demoliu igrejas e removeu cruzes da vista pública”.

Grace Drexel falou sobre seu pai, o pastor Ezra Jin, que está preso na China.

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Jin “foi preso pelas autoridades chinesas, junto com outros 27 pastores e líderes da Igreja de Sião; um total de 18 permanecem presos”, disse ela. A repressão de outubro “é a maior perseguição a uma população cristã independente na China desde a Revolução Cultural”.

“Exorto a comissão a reconhecer que o que está acontecendo na China não é meramente uma questão interna, mas uma ameaça global à liberdade religiosa e à dignidade humana”, disse Drexel. “Se a comunidade internacional permanecer em silêncio, estaremos sinalizando aceitação e impunidade para tais violações dos direitos humanos universais. E, infelizmente, o que acontece na China não fica restrito à China”.

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