«Karol Wojtyla me salvo
a vida em 1945»
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Uma judia israelense revela
como foi socorrida pelo Papa no final do Holocausto nazista
JERUSALEM, 6 fev (ZENIT).-
«Lembro-me perfeitamente. Encontrava-me ali,
era uma menina de treze anos, sozinha, doente, fraca.
Tinha passado três
anos em um campo de concentração alemão,
a ponto de morrer.
E
Karol Wojtyla salvou minha vida, como um anjo, como
um sonho vindo do céu: deu-me de beber e de
comer e |
depois me carrregou em suas
costas uns quatro quilômetros, na neve, antes de tomar
o trem para a salvação».
Edith Zirer narra o episódio como se tivesse
acontecido ontem. Era uma fria manhã no início de fevereiro
de 1945. A pequena judia, que ainda não era consciente de ser o único
membro de sua família que sobreviveu a massacre nazista, deixou-se
levar nos braços de um sacerdote de 25 anos, alto, forte, que sem lhe
pedir nada, simplesmente lhe deu um raio de esperança.
Hoje aquele sacerdote, conta ela, é o
bispo de Roma. Edith quereria agradecer finalmente aquele gesto. «Só
um pequeno obrigado em polonês por aquilo que fez, pela maneira em que
o fez, para lhe dizer que nunca me esqueci dele», diz em sua bela casa
localizada nas colinas do Carmelo, na periferia de Haifa.
Edith tem 66 anos e dois filhos. Reconstruiu sua vida em Israel, onde chegou
em 1951, quando ainda padecia as marcas da tuberculose e os fantasmas da guerra
alteravam seus sonhos.
Durante todo este tempo guardou esta história.
Quando em 1978, Karol Wojtyla subiu à cátedra de Pedro, começou
a sentir a necessidade de falar, de contar a alguém, de mostrar seu
agradecimento. A pergunta surge imediatamente: mas, como pode estar segura
de que aquele sacerdote é o Papa? por que esperou tanto?. Estas perguntas
também foram feitas pelos jornalistas de «Kolbo», o semanário
de Haifa que hoje publica um artigo sobre este assunto. «O relato é
convincente. Não se trata de fazer publicidade, todos os detalhes que
oferece parecem críveis», dizem os redatores. Tão convincentes
que a embaixada israelense na Santa Sé já está se mobilizando
para tratar de pôr em contato à senhora Zirer com a secretaria
do Papa.
A narração fala por si mesmo. «Em
28 de janeiro de 1945 os soldados russos libertaram o campo de concentração
de Hassak, onde tinha estado presa durante quase três anos trabalhando
em uma fábrica de munições --explica Edith, que então
tinha treze anos--. Sentia-me confusa, estava debilitada por causa da doença.
Dois dias depois, cheguei a uma pequena estação ferroviária
entre Czestochowa e Cracóvia». Precisamente em Cracóvia,
Wojtyla acabava de ser ordenado sacerdote. «Estava convencida de chegar
ao final de minha viagem. Cai por terra, no canto de uma grande sala onde
se reuniam dezenas de prófugos que em sua maioria ainda vestiam os
uniformes com os números dos campos de concentração.
Então Wojtyla me viu. Veio com uma grande xícara de chá,
a primeira bebida quente que tinha podido provar nas últimas semanas.
Depois me trouxe um sanduíche de queijo, feito com pão preto
polonês, divino. Mas eu não queria comer, estava muito cansada.
Ele me obrigou. Depois me disse que tinha que caminhar para pegar o trem.
Tentei, mas caí no chão. Então, tomou-me em seus braços,
e me carregou durante muito tempo. Enquanto isso a neve continuava caindo.
Lembro sua jaqueta marrom, a voz tranqüila que me revelou a morte de
seus pais, de seu irmão, a solidão em que se encontrava, e a
necessidade de não deixar-se levar pela dor e de combater para viver.
Seu nome se gravou indelevelmente em minha memória».
Quando finalmente chegaram até o comboio
destinado a levar os presos para o Ocidente, Edith se encontrou com uma família
judia que lhe pôs em guarda: «Atenta, os padres tratam de converter
às crianças judias». Ela teve medo e se escondeu. «Só
depois compreendi que a única coisa que queria era me ajudar. E queria
dizer-lhe pessoalmente».
...Edith Zirer, casada hoje e com 2 filhos, que
vive em Haifa, em uma colina do Monte Carmelo, quis estar com o Papa (59 anos
depois do ocorrido) em sua histórica viagem à Terra Santa para
lhe agradecer pessoalmente justamente no Memorial do Holocausto Yad Vashem.
Foi um dia inesquecível para ela e para toda a população
judaica, assim como uma lição universal de humanidade..."