30 de jan de 2026 às 14:15
Num grande avanço, forças governamentais tomaram esta semana o controle de grandes áreas na região de Al-Jazeera, no nordeste da Síria, depois da retirada das Forças Democráticas Sírias (SDF, na sigla em inglês) na sequência de um ataque surpresa, enquanto as cidades de Hasakah e Qamishli ficaram à margem desse avanço.
Com o anúncio de Damasco sobre sua determinação em retomar o controle dessas cidades, os cristãos que vivem na região experimentam uma mistura de ansiedade e expectativa, junto com a esperança de que a próxima fase seja conduzida por meio de canais políticos pacíficos que evitem mais violência e agitação.
O bispo Antoine Audo, líder da Igreja Caldeia na Síria, pediu que se priorize a reconciliação e o diálogo entre as partes em conflito, encorajando os cristãos a serem uma fonte de esperança e positividade e a continuarem testemunhando sua longa história.
Os recentes distúrbios também reacenderam os temores de uma retomada das atividades do grupo radical Estado Islâmico, especialmente depois que as SDF entregaram a custódia de várias prisões que abrigavam milhares de combatentes membros do grupo terrorista.
Fontes do governo sírio dizem que todas as prisões, inclusive a prisão de Al-Qattan, o campo de Al-Hol (onde vivem as famílias dos combatentes do Estado Islâmico) e a prisão de Al-Shaddadi, estão sob controle do governo. Grandes fugas ocorreram em Al-Shaddadi, em particular, embora unidades especializadas tenham recapturado depois cerca de 80 detentos.
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Forças americanas destacadas na área começaram a transferir cerca de 7 mil detidos do Estado Islâmico para o Iraque, para garantir que estejam em centros de detenção seguros.
Em entrevista exclusiva à ACI Mena — agência de notícias em árabe da EWTN —, Basher Ishaq Saadi, vice-diretor da Organização Democrática Assíria, disse que o Estado Islâmico não tem mais a força de antes, mas disse que qualquer volta seria um sério perigo para os cristãos e outras comunidades.
Ele analisou os extensos abusos sofridos pelos cristãos nas mãos desse grupo, desde assassinatos, sequestros, bombardeios e incêndios de igrejas até a invasão, em 2015, de 34 aldeias assírias ao longo do rio Khabur, que levou ao deslocamento da maioria de seus moradores. Hoje, só restam cerca de mil dos 15 mil moradores originais.
Saadi disse que a ameaça à presença cristã não vem só de grupos radicais, mas também da repressão política, da falta de liberdades, da discriminação religiosa e étnica e da ausência de igualdade e direitos de cidadania. Esses fatores levam muitos cristãos a migrar. Mas, ele disse que alguns cristãos permanecerão ligados à sua terra natal, motivados pela esperança de um futuro de paz, dignidade e igualdade.
Concluindo, Saadi disse que o futuro dos cristãos na Síria e em todo o Oriente Médio depende da construção de Estados civis modernos, baseados no Estado de Direito e em estruturas institucionais religiosamente neutras que garantam os direitos dos cidadãos sem discriminação. Ele disse que essa é a única maneira de consolidar a estabilidade e preservar a diversidade histórica da região.






