27 de jan de 2026 às 16:27
Um cardeal alemão declarou encerrada sua participação no Caminho Sinodal Alemão expressando ceticismo sobre planos de estabelecer uma conferência sinodal permanente.
“Para mim, o Caminho Sinodal está concluído”, disse o arcebispo de Colônia, Alemanha, cardeal Rainer Maria Woelki, segundo a CNA Deutsch, agência em alemão da EWTN.
O conceito proposto para a conferência sinodal é a mais recente versão dos planos para estabelecer um órgão permanente na Alemanha, na sequência do processo e de várias intervenções do papa Francisco e da Santa Sé.
As declarações do cardeal, feitas em entrevista à rede de comunicações Domradio, de Colônia, Alemanha, surgiram depois de Woelki confirmar que não comparecerá à sexta assembleia sinodal que ocorre esta semana em Stuttgart.
Woelki disse que inicialmente entendeu que haveria cinco assembleias, às quais compareceu. Quando a Conferência Episcopal Alemã (DBK, na sigla em alemão) decidiu depois fazer uma sessão de avaliação, ele disse que não participaria.
“Na minha opinião, esse órgão não tem o mandato para avaliar o que um bispo diocesano ou uma diocese individual implementou ou deixou de implementar das decisões do Caminho Sinodal”, disse o cardeal.
“Tenho que prestar contas dos meus votos de ordenação”
O Comitê Central dos Católicos Alemães (ZdK, na sigla em alemão), uma espécie de sindicato dos trabalhadores leigos da Igreja na Alemanha que conduz junto com os bispos a Caminho Sinodal Alemão, já aprovou os estatutos para uma nova conferência sinodal, enquanto a decisão da DBK e a aprovação da Santa Sé ainda estão pendentes.
“Precisamos esperar para ver o que Roma realmente dirá”, disse Woelki. “Também precisamos esperar para ver se a conferência episcopal, em sua assembleia plenária em fevereiro, aprovará de fato os estatutos no modo apresentado”.
O cardeal falou sobre seu compromisso com a ordenação. "Só posso dizer que tenho que cumprir meus votos de ordenação”, disse ele. “Prometi proteger a fé da Igreja e trilhar o caminho em minha diocese em unidade com o papa”.
Um ponto central de controvérsia nos estatutos da conferência sinodal é o conceito de deliberação e tomada de decisão conjuntas entre bispos diocesanos e não-bispos. Woelki falou sobre o importante trabalho feito pelo processo, particularmente na prevenção de abusos e no exercício do poder na Igreja.
“Eu defendo esses temas”, disse ele, dizendo que já havia implementado reformas em Colônia.
Gänswein vê “caminho errado”
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O Caminho Sinodal Alemão aprovou várias resoluções controversas com maioria de dois terços dos bispos presentes, como medidas que pediam a bênção de pares homossexuais, a ordenação de mulheres ao diaconato, a reconsideração do celibato sacerdotal e mudanças nas práticas da Igreja com base na ideologia de gênero.
Woelki disse que uma “grande deficiência” das cinco assembleias foi a falha em abordar a evangelização, tema enfatizado pelo papa Francisco em sua carta de 2019 Ao Povo Peregrino de Deus na Alemanha.
O bispo de Limburg, Georg Bätzing, que defendeu o Caminho Sinodal em seus seis anos como presidente da Conferência Episcopal Alemã, anunciou em 19 de janeiro que não tentará a reeleição quando a DBK se reunir no mês que vem.
O arcebispo Georg Gänswein, ex-secretário particular do papa Bento XVI e atual núncio apostólico nos Estados Bálticos, fez uma avaliação ainda mais incisiva do Caminho Sinodal falando à EWTN News em 23 de janeiro.
“Qualquer pessoa que tenha acompanhado os eventos em torno do Caminho Sinodal desde o início até os dias atuais pode perceber uma coisa importante: que uma série de exigências do Caminho Sinodal afastam os participantes da fé — elas não são um esclarecimento que leva à fé, mas sim um afastamento deliberado da fé”, disse Gänswein.
“Esse não pode ser o objetivo, fazer algo que, em última análise, não ajude a fé nem os fiéis”, disse ele. “Nesse sentido, eu entendo e compreendo muito bem. E só posso esperar e rezar para que esse caminho errado chegue ao fim em breve”.
“Essa é uma questão da essência da Igreja”
Woelki disse que a estrutura hierárquico-sacramental da Igreja é essencial à sua natureza: “Nós, católicos, vivemos numa Igreja constituída hierarquicamente e sacramentalmente. Isso não é simplesmente uma questão de organização, mas sim uma questão da essência da Igreja”.
“Portanto, tenho dificuldade com a ideia de fazer parte de um órgão no qual 27 bispos diocesanos, 27 membros do ZdK e outros 27 membros ainda a serem eleitos deliberam e decidem juntos”, disse ele.
O cardeal disse que a sinodalidade exige “escutar bem uns aos outros” e “escutar juntos o que o Espírito Santo nos diz, deliberando e discernindo juntos”.
“Mas a decisão final cabe àquele a quem foi conferido esse ofício e que deve, acima de tudo, saber-se vinculado à fé da Igreja”, disse Woelki.
O bispo alemão disse que percebe “visões fundamentalmente diferentes sobre o que significa a sinodalidade.
“O papa Francisco — assim como o papa Leão XIV — enfatizou repetidamente que a sinodalidade é um evento espiritual, uma ferramenta para a evangelização”, diz ele. “Tenho a impressão de que, em determinado momento do Caminho Sinodal na Alemanha, o foco principal era a implementação de certas posições político-eclesiásticas”.







