22 de jan de 2026 às 15:40
O papa Leão XIV aprovou XIV hoje (22) o martírio do servo de Deus Augusto Ramírez Monasterio, sacerdote franciscano morto na Guatemala em 1983, e o milagre atribuído à intercessão da venerável Maria Ignazia Isacchi, fundadora da Congregação das Ursulinas do Sagrado Coração de Jesus de Asola, na Itália.
Assassinado na rua na Guerra Civil da Guatemala
Frei Augusto Ramirez foi visto pela última vez tentando escapar de seus assassinos numa das ruas mais movimentadas do centro da Cidade da Guatemala. Com as mãos amarradas, ele gritou por socorro enquanto se esquivava do trânsito. Ele foi atingido por oito balas.
O futuro beato uniu-se, assim, à longa lista de padres mortos — aparentemente pelas mãos das forças de segurança guatemaltecas — na Guerra Civil que durou cerca de três décadas, opondo as forças de segurança oficiais ao clero católico, a guerrilheiros marxistas, a dissidentes políticos e os pobres.
Frei Augusto Ramirez sofreu meses de perseguição, ameaças de morte e tortura, por se recusar a quebrar o sigilo da confissão depois de ouvir a confissão de Fidel Coroy, membro do povo maia Kaqchikel, catequista e reconhecido por seu envolvimento em organizações camponesas como o Comitê para a Unidade Camponesa e o Exército Guerrilheiro dos Pobres.
Relatos depois do assassinato de frei Augusto mostram que ele foi torturado por seus captores militares, que o despiram, o penduraram pelos pulsos, o submeteram a espancamentos, queimaduras e quebraram várias de suas costelas.
Na época de sua morte, o padre Augusto era o superior franciscano e pároco de San Francisco el Grande, em Antigua, cidade conhecida por suas igrejas coloniais. Ele foi lembrado como um sacerdote exemplar por seu serviço e proteção aos pobres da Guatemala.
A devoção de Maria Inácia ao Sagrado Coração de Jesus
Depois da audiência de hoje de manhã com o prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, cardeal Marcello Semeraro, o papa também aprovou o milagre atribuído à intercessão da venerável serva de Deus Maria Ignazia Isacchi, fundadora da Congregação das Ursulinas do Sagrado Coração de Jesus de Asola.
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Segundo o Dicastério para as Causas dos Santos, Maria Inácia distinguiu-se por uma vida profunda de oração e devoção ao Sagrado Coração de Jesus, demonstrando virtudes heroicas de fé, esperança e caridade, e dedicando sua vida ao serviço educativo e ao auxílio aos necessitados. Sua reputação de santidade permanece viva na congregação que fundou.
Milagre atribuído à sua intercessão
Em 1950, a irmã Maria Assunta, de 23 anos de idade, adoeceu gravemente com tuberculose e não respondeu ao tratamento médico. Depois de uma novena de oração invocando a venerável Isacchi e de colocar uma medalha com a sua imagem sobre a paciente, ela teve uma recuperação súbita e completa entre 27 e 29 de setembro de 1950. A cura foi confirmada por médicos e considerada milagrosa, sendo um dos passos para a beatificação de Maria Ignazia. Maria Assunta viveu até os 92 anos de idade, morrendo em 2018.
Novos veneráveis
O papa também reconheceu as virtudes heroicas da serva de Deus Maria Tecla Antonia Relucenti, cofundadora da Congregação das Pias Irmãs Trabalhadoras da Imaculada Conceição na Itália.
Na Itália, também são reconhecidas as virtudes heroicas da serva de Deus Crocifissa Militerni, religiosa da Congregação das Irmãs de São João Batista na Itália, e do servo de Deus Nerino Cobianchi, fiel leigo e pai de família.
Por fim, o papa Leão XIV reconheceu hoje as virtudes heroicas de María Inmaculada de la Santísima Trinidad, carmelita descalça brasileira e figura fundamental na fundação do carmelo da Sagrada Família em Pouso Alegre, Brasil, em 1943.





