O papa Francisco falou a capelães e responsáveis ​​por pastoral universitária que recebeu em audiência hoje (24) sobre três atitudes que considera importantes para servir os universitários: apreciar as diferenças, acompanhar com cuidado e agir com coragem. Francisco usa o artifício retórico caro aos jesuítas de sempre enumerar três elementos no que quer que esteja considerando.

Apreciar as diferenças

Francisco instou a ter uma visão “poliédrica” e a ver a beleza através das diferenças, promovendo um estilo “paciente, acolhedor e criativo” como “forma de agir de Deus”.

“Cada pessoa”, reiterou o papa, “deve ser aceita como é e, a partir daí, o diálogo começa; a partir daí, o caminho; a partir daí, o progresso”.

Acompanhar com o cuidado

O papa falou da importância de “acompanhar com o cuidado”. E é que “acreditar na vitalidade da semeadura de Deus implica cuidar daquilo que cresce no silêncio e se manifesta nos pensamentos, desejos e afetos, embora às vezes partidos, dos jovens que lhes foram confiados”.

Francisco exortou-os a não “ter medo” de assumir estas realidades e a evitar ideologias dentro da Igreja. “Se uma pessoa for sabiamente valorizada pelo que é, ela pode ser uma obra de arte”.

“O Senhor nos ensina exatamente essa arte do cuidado: Ele, que criou o mundo a partir da escuridão do caos e que ressuscitou da noite da morte para a vida, nos ensina a tirar o melhor proveito das criaturas, começando por cuidar do que há de mais frágil e imperfeito nelas”.

Perante os desafios da vida cotidiana, o papa Francisco convidou-os a não desanimar e a ocupar-se sem buscar resultados imediatos, “com a esperança certa de que, ao acompanhar os jovens com proximidade e ao rezar por eles, as maravilhas florescem”.

“Mas não florescem da uniformidade: prosperam precisamente com as diferenças, que são a sua riqueza”, disse.

Agir com coragem

Como terceira atitude, Francisco disse que “alimentar a alegria do Evangelho no ambiente universitário é uma aventura, emocionante, mas também exigente: requer coragem”.

Segundo o papa Francisco, “é a coragem que nos permite construir pontes mesmo sobre os abismos mais profundos, como os do medo, da indecisão e dos álibis paralisantes que inibem a ação e alimentam o desinteresse”.

Para Francisco, “o pior para um educador é não arriscar”, pois, se não correr riscos, “não há produtividade”.

“Quando irrompe nos desejos da alma uma decisão que cria algo novo, rebelando-se contra a inércia de uma consciência excessivamente calculista, isso é coragem; a coragem que não gosta de enfeites, nem mentais nem emocionais, mas sim vai direto ao ponto, visando o que é necessário, deixando de lado tudo que possa enfraquecer a força da escolha inicial”.

“E quem é Aquele que nos dá a coragem de ir em frente?”, perguntou o papa: “O Espírito Santo, o 'Grande Oculto' na Igreja. Mas é Ele quem nos dá força, a coragem: devemos pedir ao Espírito que nos dê essa coragem”.

Por fim, disse que “quando um cristão dá, mantém sempre a modéstia: dá secretamente, dá com delicadeza, sem ofender”.