Jan 29, 2026 / 16:10 pm
Dois irmãos mexicanos que pagaram com a vida sua fé católica iniciaram oficialmente seu caminho aos altares. José Eusebio Arnulfo de Jesús Sierra Vera e José Marcelino Anastasio de los Dolores Sierra Vera morreram na Guerra Cristera. que completa cem anos neste ano.
Originários de Guanajuato, os irmãos Sierra viveram os anos finais da Revolução Mexicana e o início da perseguição religiosa promovida pelo Estado, nas primeiras décadas do século XX, um período marcado por profundas convulsões sociais.
Eles cresceram como camponeses, formaram suas famílias e viveram sua fé até que a decisão de ajudar e proteger o frade agostiniano Elías del Socorro Nieves em seu ministério clandestino levou ao assassinato deles aos 30 e 33 anos de idade, respectivamente.
“A santidade não exclui ninguém”
Em 9 de janeiro, foi aberta a causa de beatificação dos irmãos com uma missa celebrada na paróquia de Nossa Senhora das Dores, na comunidade de Cañada de Caracheo, lugar de nascimento dos irmãos Sierra, na diocese de Celaya, Guanajuato.
Na cerimônia, foram apresentados documentos oficiais conhecidos como decreto nihil obstat (nada impede), por meio dos quais a Santa Sé certifica que não há obstáculos para o início do processo de beatificação desses leigos, companheiros do frade Elías del Socorro Nieves, que foi beatificado pelo papa são João Paulo II em 12 de outubro de 1997.
O sacerdote maltês Josef Sciberras, da Ordem de Santo Agostinho, foi apresentado como postulador da causa.
Em 24 de janeiro, o padre Adolfo Manzano León, pároco de Nossa Senhora das Dores, falou à ACI Prensa, agência em espanhol da EWTN, sobre sua alegria com o início do processo de beatificação e disse que o testemunho dos irmãos Sierra demonstra que a santidade “não exclui ninguém e é concedida independentemente das circunstâncias de nossas realidades”.
O padre disse que os irmãos Sierra eram leigos comprometidos que viveram numa época marcada por profundas dificuldades sociais, econômicas, políticas e religiosas, e ainda assim “permaneceram firmes na fé”.
Ele disse que o testemunho deles é um valor especial para a diocese de Celaya, pois fortalece agentes pastorais que “são atacados por sua fé ou têm dúvidas sobre se entregar ao Senhor no serviço de seus irmãos”.
Segundo o padre Manzano León, depois da abertura do processo, está em curso uma investigação séria e aprofundada sobre o contexto e a reputação de martírio dos irmãos Sierra, conduzida pelo tribunal instituído pelo bispo de Celaya, Víctor Alejandro Aguilar Ledesma.
Ele também exortou os fiéis a rezar, pedindo a Deus que "conceda dois mártires para a glória de sua Igreja e a honra dos milhares de leigos que deram suas vidas para defender nossa fé, e para os leigos que servem nas comunidades paroquiais hoje".
Quem eram os irmãos Sierra?
Segundo biografia divulgada à ACI Prensa, José Eusebio Arnulfo de Jesús e José Marcelino Anastasio de los Dolores Sierra Vera nasceram no município de Cortázar, Guanajuato, em 1894 e 1897, respectivamente.
Eles viviam na comunidade de Cañada de Caracheo, onde se dedicavam ao trabalho da terra e à venda de produtos como leite, queijo cottage e milho.
A ligação deles com a Igreja foi fortalecida quando, em 1921, o frade agostiniano Elías del Socorro Nieves chegou à comunidade, com quem os irmãos Sierra formaram uma profunda amizade.
A vida de fé na comunidade de Cañada de Caracheo e em todo o país foi interrompida em 1926, quando o então presidente do México, Plutarco Elías Calles, endureceu os artigos anticlericais contidos na Constituição de 1917 , por meio da Lei sobre crimes e delitos em matéria de culto religioso e disciplina externa, também conhecida como “Lei Calles”, que impôs severas restrições à vida de fé.
Em resposta a essa situação, em 31 de julho de 1926, os bispos mexicanos, com a aprovação da Santa Sé, rejeitaram a Lei Calles e suspenderam o culto público em todo o México. O governo federal respondeu com ainda mais violência brutal contra os fiéis.
O frade Elías del Socorro Nieves pediu à comunidade para não responder com violência e refugiou-se por dois anos numa caverna nas montanhas, de onde continuou ministrando secretamente aos fiéis. Os irmãos Sierra assistiam à missa diária e forneciam ao padre alimento e assistência.
Em 9 de março, foram capturados por terem dado abrigo ao frade e, no dia seguinte, foram condenados à morte por fuzilamento, junto com o padre amigo. Antes de morrer, pediram para se confessar. Ambos se recusaram a ajoelhar-se diante dos soldados, dizendo que “só se ajoelhavam diante de Deus”.
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Em 10 de março de 1928, os irmãos Sierra e o padre foram executados. José Eusébio morreu gritando "Viva Cristo Rei!"
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