13 de jan de 2026 às 10:43
Para marcar o centenário do início da Guerra Cristera mais de 45 mil jovens de todo o México participarão, em 31 de janeiro, da Marcha Nacional da Juventude até o Monumento a Cristo Rei, na colina Cerro del Cubilete, no Estado de Guanajuato.
Os organizadores anunciaram em entrevista coletiva ontem (12) que as atividades terão início na sexta-feira, 30 de janeiro, às 22h, com o Cubifest, encontro de jovens que acontecerá na comunidade de Aguas Buenas, ao pé da colina, e se estenderá pela noite. O evento terá apresentações de bandas e espaços de convivência e entretenimento para os participantes.
Ao amanhecer de sábado, 31 de janeiro, será feita uma Hora Santa e, em seguida, a bandeira oficial será hasteada, marcando o início da subida ao monumento a Cristo Rei.
O dia culminará com a celebração da santa missa no topo do Cubilete, celebrada pelo núncio apostólico no México, Joseph Spiretti, e concelebrada pelo arcebispo de León, Jaime Calderón.
A edição deste ano dessa peregrinação juvenil coincide com o centenário do início da Guerra Cristera.
O conflito teve origem com a entrada em vigor, em 31 de julho de 1926, da chamada Lei Calles, que endureceu as restrições contra a Igreja e levou à suspensão do culto público por decisão do episcopado mexicano.
Essas medidas levaram a uma revolta armada espontânea de fiéis em várias regiões do país. O conflito terminou formalmente em 21 de junho de 1929, embora a perseguição e o assassinato de cristeros tenham continuado por mais alguns anos.
A perseguição no presente
Na entrevista coletiva, os líderes do grupo Testimonio y Esperanza (Testemunho e Esperança), responsável pela organização anual da marcha, disseram que um dos objetivos dessa edição é denunciar o que descreveram como uma "censura sutil, mas crescente" contra as expressões católicas no contexto atual.
Eles citaram ataques a templos, o aumento de assassinatos de sacerdotes nos últimos anos, e "tentativas de reformas que buscam limitar a vida religiosa", como sinais de censura.
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“Levantamos nossas vozes contra uma realidade que fere profundamente a alma do México”, disseram. “Vivemos em tempos em que há tentativas de silenciar a fé, silenciar os pastores e relegar Cristo à esfera privada, como se a fé fosse um obstáculo na vida pública”.
Os líderes disseram que esse é um tipo de perseguição em que, embora as autoridades “não portem nem uma intimação nem um fuzil, ferem com o mesmo desprezo de antes”.
“O México não vive um laicismo genuíno; vive num clima que busca erradicar a presença do cristianismo da vida social, cultural e política do nosso país”, disseram.
Sobre isso, disseram que a marcha não busca reacender um conflito armado, mas sim pedir respeito e liberdade para proclamar Cristo pacificamente, "com a cruz, o Rosário e a oração como instrumentos de paz".
Um modo de resistência
Rubén Loya, membro do Testimonio y Esperanza, disse que, mais do que lembrar uma guerra, a marcha busca lembrar “o início da resistência Cristera”.
Ele disse que, embora a guerra envolva conflito armado, “a resistência vai muito além disso”, pois tem o testemunho de milhares de mártires que morreram por sua fé, e o das famílias que permaneceram em suas casas “rezando e recitando o Rosário pelo fim da guerra”.
Loya falou sobre padres que continuaram celebrando a missa clandestinamente na perseguição, como expressão de fidelidade e esperança.
Ele disse que a celebração do centenário da Guerra Cristera busca ser um apelo à paz e à unidade, "não como um marco da guerra, mas como um momento em que, como Igreja, nos reunimos novamente e encontramos o significado da transcendência daquilo que fazemos".





