Jan 23, 2026 / 16:01 pm
“Apesar de eu ser um oficial da marinha sempre faço questão que me vejam em primeiro lugar como um sacerdote, porque eu preciso ser a presença de Cristo para os oficiais”, diz o capelão da Marinha do Brasil (MB), padre Thiago Lemos dos Santos, que ocupa o posto de Primeiro-Tenente, à ACI Digital.
A missão dele é dar assistência religiosa aos militares através dos atendimentos diários, missas, confissões e presença em operações humanitárias.
“O meu comportamento, a minha vocação sacerdotal precisa mostrar para eles: esse é um militar, mas tem algo especial. Ele é um sacerdote de Deus”, disse. “O capelão na marinha dá assistência religiosa exclusivamente. Diferente dos outros militares que tem muitas outras atividades, nós, capelães, somos responsáveis só pela assistência religiosa”.
Para o padre Thiago, a assistência religiosa nas Forças Armadas é muito importante, pois “são homens e mulheres que muitas vezes abrem mão do convívio com suas famílias e estão privadas da assistência religiosa”. Por ficarem muito tempo embarcados ou em regiões isoladas, “muitos podem se sentir sozinhos, longe de suas famílias, mas Deus está protegendo e guardando cada um deles”.
Segundo ele, a missão do capelão é lembrar isso diariamente. “Os capelães estamos aqui em nome do nosso arcebispo militar dom Marconi dizendo para essas pessoas que a Igreja lembra” deles.
“O capelão militar é um ministro religioso encarregado de prestar assistência religiosa a alguma corporação militar (Marinha, Exército, Aeronáutica, Polícias Militares e aos Corpos de Bombeiros Militares)”, diz o site do Ordinariato Militar do Brasil, cujo atual arcebispo é dom Marcony Vinícius Ferreira.
“Nas instituições militares existem as capelanias evangélicas e católicas, as quais desenvolvem suas atividades buscando assistir aos integrantes das Forças nas diversas situações da vida”, continua o site. “O atendimento é estendido também aos familiares. A atividade de capelania é importante no meio militar, pois contribui na formação moral, ética e social dos integrantes das Unidades Militares em todo o Brasil”.
O padre Thiago já esteve em diferentes operações, especialmente em situações de calamidade. “Eu participei da missão Abrigo pelo Mar que foi socorrer em São Sebastião (SP) os atingidos pelas chuvas fortes, participei no Rio Grande do Sul, quando houve as enchentes”, conta.
Segundo o capelão, nessas missões, “atuamos em primeiro lugar cuidando da nossa tripulação, preparando-os para a missão, tentando dar-lhes um sentido para estarem deixando suas famílias e se colocarem em perigo e mostrar-lhes o lado espiritual disso”.
Ele também contou que aproveitam os exercícios navais para levar ajuda a quem mais precisa. “Fomos para a África e levamos toneladas de alimentos para a diocese de São Tomé e Príncipe. Fizemos uma campanha de doação de leite, doamos quase uma tonelada para a creche que o bispo mantinha”.
Para ele, essas oportunidades lembram o exemplo de são Paulo: “Aproveitar as ocasiões para ser instrumento de Deus”.
A missão do capelão: salvar almas
O padre contou que o capelão não porta armas e que a sua missão é salvar almas. “As nações quiseram preservar algumas figuras em eventuais guerras e essas figuras são os médicos e os capelães”, disse.
“Eles estão ali para salvar vidas, prestar apoio espiritual, salvar almas no nosso caso”, disse. “A convenção de Genebra estabelece que eles não portam armas numa guerra, portanto, estão ali preservados, para se preocuparem somente com essas funções de salvar vidas e salvar almas,”.
Apesar de não usar armas, ele reforça que “a Igreja não tem nenhuma proibição para o uso de armas. A doutrina da igreja nos ensina através de santo Tomás de Aquino que existe a guerra justa, aquela que é para se defender usando a legítima defesa e essa legítima defesa também é aplicada para defesa pessoal”.
Orientação para quem deseja seguir o mesmo caminho
Ele contou que um dos seus formadores do seminário se tornou capelão da Marinha e isso despertou nele a vontade de ser também. Vinte anos depois, ele tomou a decisão de fazer o concurso para o Quadro de Capelães Navais, o que mudou radicalmente a sua vida, pois tinha 133 kg e teve que se dedicar intensamente à preparação física. Perdeu 50 kg e foi aprovado.
Aos sacerdotes que pensam em ingressar na Marinha, o capelão é direto: “Preparem-se, principalmente fisicamente”.
Ele também recomenda estudo e confiança: “Estudem bastante, vejam as provas anteriores, sempre pedindo a Deus”.
O processo seletivo é anual e inclui capelães de carreira e os temporários, que podem permanecer até oito anos.
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