Jan 23, 2026 / 11:12 am
Milhares de jovens católicos reuniram-se ontem (22) no Santuário Nacional da Imaculada Conceição em Washington, D.C., EUA, para participar de uma missa de vigília na véspera da Marcha pela Vida.
“Nosso objetivo não é só o aborto ilegal”, disse o bispo de Lincoln, Nebraska, James D. Conley, em homilia. “Nosso objetivo é tornar o aborto impensável”.
Cerca de 5 mil pessoas, muitas delas estudantes do ensino médio ou universitários, lotaram a igreja superior da basílica para assistir à missa. Depois da missa, muitos fiéis rezaram na Hora Santa Nacional pela Vida, feita na cripta da basílica na adoração ao Santíssimo Sacramento, que teve a recitação dos mistérios luminosos do Santo Rosário.
A cerimônia de ontem marcou a 47ª Vigília Nacional de Oração pela Vida consecutiva realizada na basílica, que começou a sediar o evento em 1979 — seis anos depois da Suprema Corte dos EUA decidir o caso Roe x Wade que, na prática, liberou o aborto no país. O evento de ontem à noite foi a quarta vigília realizada depois da decisão Roe x Wade ser revogada pela Suprema Corte dos EUA em junho de 2022.
A primeira leitura foi de Isaías 49, na qual o profeta escreveu: “Antes de eu nascer, o Senhor me chamou; desde o ventre de minha mãe, Ele me deu o meu nome”.
Em sua homilia, Conley citou a leitura algumas vezes e disse sentir alegria pelo número de jovens que compareceram à vigília com o objetivo de “construir uma cultura de vida e uma civilização do amor, onde os bebês sejam protegidos no útero de suas mães e as mulheres sejam amadas, ouvidas e cuidadas quando se depararem com decisões muito difíceis e que mudam suas vidas”.
O bispo disse que existem muitas ameaças à dignidade da pessoa humana na sociedade, como a eutanásia, a violência armada, a pena de morte, o sofrimento dos pobres e dos migrantes, o racismo e a falta de acesso à saúde e à educação.
“Mas nossos irmãos e irmãs no útero são os mais vulneráveis e os que menos têm voz”, disse ele, dizendo que a Conferência dos Bispos Católicos dos EUA (USCCB, na sigla em inglês) classificou a questão como sua principal prioridade em termos de preocupações políticas.
Mesmo depois da Suprema Corte dos EUA ter revogado Roe x Wade, Conley disse que ainda ocorrem cerca de um milhão de abortos no país anualmente. Ele disse ter esperança de que os jovens à sua frente “sejam a geração pró-vida” e ajudem a acabar com o aborto nos EUA.
“Acredito firmemente que daqui a 50 anos, quando a minha geração tiver partido para junto de Deus, os seus netos perguntarão: É verdade que, na sua idade, matavam crianças no útero?”, disse Conley.
Conley foi o celebrante principal da missa, concelebrada pelo arcebispo de Washington, cardeal Robert McElroy; pelo arcebispo emérito de Boston, cardeal Sean O'Malley; pelo núncio apostólico nos EUA, cardeal Christophe Pierre; e por outros arcebispos, bispos e sacerdotes.
Pierre, no início da missa, leu em voz alta uma mensagem oferecida pelo papa Leão XIV aos participantes da vigília, na qual o papa oferece a todos a sua “proximidade espiritual” enquanto se reúnem “para esse eloquente testemunho público, a fim de afirmar que a proteção do direito à vida [é] o fundamento indispensável de todos os outros direitos humanos”.
Segundo a nota, Leão XIV disse aos participantes que eles estavam “cumprindo o mandamento do Senhor de servi-Lo nos mais necessitados entre nossos irmãos e irmãs” e lhes concedeu uma bênção apostólica.
Muitos participantes viajaram de outras partes do país para participar da vigília de ontem (22) e da Marcha pela Vida de hoje (23).
Miriam Ware, de 16 anos de idade, viajou do Estado de Idaho com um grupo local chamado Teens for Life (Adolescentes pela Vida) e disse à EWTN que ficou "muito interessada em se tornar uma defensora da vida".
Ela disse que já participou da Marcha pela Vida em Idaho, mas essa é a primeira vez que vai à Marcha pela Vida nacional em Washington, D.C., e gosta de ver "como estão unidos" como um movimento pró-vida: "É incrível ver todo mundo aqui”.
Gus Buell, estudante do terceiro ano do ensino médio católico de Traverse City, Michigan, disse à EWTN que chegou ontem depois de uma viagem de ônibus de 13 horas e que participará hoje da Marcha pela Vida pela primeira vez.
Ele disse que a marcha ajuda a fortalecer a comunidade católica e pró-vida, e falou sobre o grande número de jovens ativos na fé e no movimento, dizendo que "os jovens finalmente estão começando a se inspirar" e muitos estão "confiando mais em Deus do que em si mesmos".
A Marcha pela Vida atraiu cerca de 150 mil pessoas no ano passado. A 53ª Marcha pela Vida ocorre hoje no National Mall, das 11h às 13h, aproximadamente, depois da qual os participantes marcharão em frente ao Capitólio dos EUA e terminarão em frente ao prédio da Suprema Corte dos EUA.
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