PORTO ALEGRE, Jan 16, 2026 / 12:09 pm
“Faz-se, sim, necessário recordar que existe somente um rito – o rito romano – que deve se inculturado nas diversas realidades eclesiais e investir na formação litúrgica de todo o povo de Deus para que se promova aquilo que o Concílio Vaticano II apontou como o caminho da Igreja, também no campo da liturgia, no tempo atual”, disse o arcebispo de Porto Alegre, cardeal dom Jaime Spengler, sobre liturgia, um dos temas que estava no programa do primeiro consistório convocado pelo papa Leão XIV, ocorrido nos últimos dias 7 e 8. Dom Jaime e os demais cardeais brasileiros participaram do consistório.
A questão estava prevista como um dos quatro temas a serem debatidos na reunião de cardeais em Roma: liturgia, reforma da cúria romana, sinodalidade e missão. Por falta de tempo hábil, os cardeais decidiram discutir apenas sinodalidade e missão.
“É verdade que precisamos aprofundar para melhor compreender o que significa sínodo e sinodalidade”, disse o cardeal Spengler, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) à ACI Digital. “Isso requer de todos abertura de mente e coração”.
Na opinião do cardeal, “não faltam sinais de resistência ao princípio da sinodalidade em diversos níveis da vida eclesial. Por isso, se faz necessário melhor compreender o conceito, sim, mas também recordar que a Igreja é uma comunidade de batizados/as, de discípulos/as do Crucificado-ressuscitado”.
Criado cardeal em outubro de 2024 pelo Papa Francisco (1936-2025), dom Jaime Spengler destacou a oportunidade de manifestar proximidade ao Santo Padre no consistório. “O consistório foi uma oportunidade característica para que o Colégio dos Cardeais pudesse manifestar sua comunhão com o Santo Padre e a disposição para, agindo colegialmente, tratar juntos as questões de maior importância no cuidado cotidiano pela Igreja presente nos diversos continentes”, disse.
“A convocação para o próximo consistório em junho faz parte, creio, do desejo do Santo Padre de continuar o caminho de escuta do Colégio, como meio privilegiado para contar com o auxílio do mesmo no governo da Igreja”, disse dom Jaime. O papa Francisco convocou apenas três consistórios extraordinários ao longo dos 12 anos de seu pontificado. “O caminho do discernimento, sempre necessário, requer disposição para a escuta, a oração e o diálogo estando sempre atentos aos sinais dos tempos e à grande, bela e rica tradição da Igreja.”
Situação da Venezuela
Dom Jaime Spengler é também presidente do Conselho Episcopal da América Latina e Caribe (CELAM). Os dias do Consistório também foram marcados pela repercussão da captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos EUA.
“Estamos vivendo uma crise geopolítica, na qual a multilateralidade desenvolvida após a Segunda Guerra Mundial deixou de ser respeitada, por alguns”, disse dom Jaime. “Há indícios da perda de relevância política da Organização das Nações Unidas (ONU), Organização dos Estados Americanos (OEA), Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A Igreja tem posição conhecida no contexto da geopolítica internacional. A promoção do bem comum; o respeito pelas diferenças; a importância e dignidade de sistemas democráticos; o lugar, no contexto das nações, de uma paz desarmada e desarmante; o princípio da liberdade religiosa; o direito de toda pessoa ao necessário para viver com dignidade são alguns dos aspectos que orientam as posições da Igreja no contexto político internacional”, disse dom Jaime. “Creio que vivemos uma crise de liderança política. Temos, sim, homens e mulheres empenhados na atividade política. No entanto, sofremos as consequências da falta de estadistas”.
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