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Festas Litúrgicas Parábolas de conversão e perdão
- Os dois filhos (conversão) Mt.21, 28-31 - A figueira estéril (um Deu paciente e premiante) Lc.13,6-9 - Os dois devedores (amor com amor se paga) Lc.7, 36-50 - O servo sem coração (perdão com perdão se paga) Mt.18, 23-35 - A ovelha desgarrada (Iniciativa amorosa do Pai) Lc.15, 4-7 - O Filho pródigo (Voltar ao Pai misericordioso) Lc.15, 11-32 O
FARISEU E O PUBLICANO Lucas 19, 10-14 Nesta parábola do fariseu e o publicano a parte ostentosa e “má” a faz um homem que segundo a Lei era “bom”, justo e cumpridor da Lei. A parte boa, régia, admirável, faz-a um homem que traficava com seu ofício, um coletor de impostos que se beneficiava com as armadilhas e a chantagem. Jesus apresenta os fatos de tal maneira que nos incomoda o homem justo posto odiosamente de pé ante o altar e nos resulta em troca agradável o homem pecador que se golpeia o peito no fundo do templo reconhecendo seu pecado. Na parábola do filho prodigalizo, ocorre algo semelhante. O filho menor, que abandona a seu pai e esbanja seus bens em uma vida libertina, é o herói desta parábola. Em troca o filho maior que aparentemente é bom, que é fiel a seu pai, termina fazendo um papel mesquinho. Na parábola da ovelha perdida é precisamente este o objeto de toda a festa. As noventa e nove não dão ao pastor tanta alegria. Na parábola dos operários da vinha, recebem uma dura admoestação os que trabalharam todo o dia. Os outros, os últimos, foram pagos primeiro e com o mesmo salário dos outros. Na parábola do bom samaritano, o levita e o sacerdote, que levam uma investidura sagrada, comportam-se sem coração diante do ferido. Em contrapartida, o papel da perfeita caridade o faz um pagão.
Mateus 21, 28-31 Sentido histórico da parábola Tem um sentido histórico muito preciso: a chave é a advertência que dirige Cristo aos sacerdotes e anciãos do povo: Asseguro-lhes que os publicanos e as mulheres de má vida chegarão antes que o senhores ao reino dos céus. Os dois filhos representam dois tipos de pessoas: os fariseus, escribas e príncipes dos sacerdotes por um lado; e os pecadores e publicanos do outro. Estes, depois de resistir a Deus, convertem-se e se submetem a Ele. Os outros, dizendo-se justos, não cumprem a vontade divina. Esta é a razão de porque os “pecadores” precederão os “justos” no reino dos céus. Junto ao sentido propriamente histórico, a parábola transborda outro sentido mais universal e atemporal. E é o sentido que nasce, à margem do contexto, da atitude em si e por si, assumida pelos dois filhos que protagonizam o relato de Jesus. Os dois filhos tipificam, com efeito, uma atitude alternada de conversão e desconversão que é variante eterna do homem. A maioria de quem se entrega a Deus não costumam fazê-lo de modo definitivo e perdurável. Com freqüência a vida é um tecido de conversões e desconversões. Evidentemente nosso egoismo e fragilidade nos obrigam a assumir a conversão como uma tarefa de toda a vida. Uma tarefa, humilde e ao mesmo tempo valente, após aquele que “não foi sim e não, mas somente sim” (2 Coríntios 1,19) Dentro de cada um de nós há um sinal de contradição: dentro de nós brigam Cristo e o Anticristo. Quer dizer, as exigências do evangelho que entram em conflito com nossos instintos. Com nossos reflexos animais, com nossas instâncias biológicas. Há uma luta entre o amor e o desamor, entre a verdade e a mentira, entre a justiça e a ambição. Ninguém pode escolher a Cristo sem que Cristo lhe converta automaticamente em sinal de contradição. lembremos: “Não vim a trazer paz, mas a espada”. E sempre que damos a Cristo um lugar em nossa vida, está Ele lutando conosco contra o Anticristo que há em cada um de nós. A FIGUEIRA
ESTÉRIL: Lucas 13, 6-9 Esta parábola expressa ao mesmo tempo a urgência de Deus em perceber frutos de conversão, e sua tolerância com a planta humana que se deve dar. Mas neste caso o acento se carrega nem tanto na paciência de Deus quanto na exigência de Deus. É ao parecer a menos misericordiosa das parábolas de misericórdia. Mas é muito importante para dar dimensão e profundidade ao mistério do amor e a misericórdia de Deus. Não poderíamos formar uma noção completa destes, se não os puséssemos em contraste com a santidade e a justiça de Deus. Se não mediasse a possibilidade de um castigo, a bondade de Deus e seu amoroso chamado ao coração do homem careceriam de relevo, de dramatismo e até de seriedade. A misericórdia de Deus é um atributo essencial de Deus, mas não é um Deus débil, transigente, complacente de todas as coisas. Como pessoas acreditam em um Deus sério, forte, eficiente, que sabe corrigir e admoestar, que põe meios para obter seus resultados e exige do homem uma contribuição real para consegui-los. Isto é o que põe de relevo esta parábola.
João adverte: “Manifestem sua conversão com obras…a tora está posta na raiz dos árvores. A árvore que não produz bom fruto, será cortada e lançada ao fogo. Mt.3, 8-10 “A árvore que não produz frutos bons, ele a corta e a joga no fogo” Mateus. 7, 19. “Ao ver uma figueira no caminho se aproximou dela, mas só encontrou folhas. Então disse: Nunca voltará a dar fruto. E a figueira se secou imediatamente”. Mt.21,19 É importante para um fiel autêntico, que sua relação pessoal com Deus esteja fundada no amor, não no temor ao castigo eterno. O temor ao castigo não pode ser a causa do amor a Deus ou de nossa união com Ele. Deus não quer nosso mau, está do nosso lado e luta conosco. OS
DOIS DEVEDORES Lucas 7, 36-50 A chave desta parábola está na pergunta de Jesus: “Quem o amará mais? Jesus, que é o credor que tem dois devedores, o pecador e Simão, particulariza o modo distinto de saldar a dívida de um e do outro, opondo a atitude amorosa, ardente do pecador à remissa do fariseu, e deduz que, tendo demonstrado maior amor a mulher, é de supor que fosse como conseqüência de haver lhe perdoado uma dívida deste modo maior. Pouco ama, em troca, aquele a quem pouco lhe perdoa, A mensagem da parábola pode sintetizar-se assim: não se mede a situação real de um homem frente a Deus, somente pelos pecados –muitos ou poucos- que tenha cometido. Há muita gente que não peca nunca ou quase nunca, ao menos espetacularmente, e que permanece toda sua vida na tibieza ou na pobreza do amor de Deus. Pelo contrário, os amantes apaixonados de Deus, acham-se com freqüência entre os velhos pecadores. Dois personagens: um fariseu da burguesia, tem a moral do homem que vive bem, cumpre a lei etc. Representa um genero de fiel sem paixão nem vibração, é daqueles de quem a Bíblia diz que Deus os “vomita” de sua boca porque não são nem frios nem quentes. (Apocalípse) Uma mulher pecadora, uma amante apaixonada, que representa em troca a quem, de volta de uma vida desordena são capazes de amar plenamente ao descobrir o valor do que amam. O SERVO
SEM CORAÇÃO Mateus 18, 23-35 Esta parábola pode enquadrar-se dentro dos ensinamentos do Pai nosso. Pode ser o comentário a uma das últimas petições: “nos perdoe nossas dívidas assim como nós perdoamos a nossos devedores”. Jesus destaca nesta parábola que a razão pela qual devemos perdoar, é porque nós também necessitamos perdão. Somos pecadores. Isto nos deve levar a uma atitude de humildade e de amor. A penitência é um convite a todos para que entremos na dimensão do amor de Deus, de sua misericórdia, de seu perdão a todos por igual. Não há acepção de pessoas. Os ensinamentos de Jesus nos levam a considerar que no ser humano a caridade deve contar muito mais que a justiça. Recordemos que em um primeiro tempo era uma Lei de represália. Ver Gn 4, 23-24. A vingança de Lemek será “setenta vezes sete”. Em um segundo tempo a Lei de justiça imposta é uma represália igual: “olho por olho e dente por dente”. É a Lei mosaica do talião. Êxodo 21,23 Em um terceiro tempo Cristo impõe a caridade e o perdão: Não há represália e deve haver perdão. Mateus 5, 38-39. “ouviram que disse olho por olho e dente por dente, eu lhes digo…” Escutemos a pergunta de Pedro: Mateus 18, 21-22. Quantas vezes devo perdoar…?
Amar ao próximo como a nós mesmos - Mt 22, 35-39 Amar ao próximo como a Cristo Mt .25,40 Amar ao próximo como Cristo nos ama -Jo 15,12 Amar ao próximo como Cristo ama ao Pai - Jo 17,21-22 A OVELHA
DASGARRADA Lucas. 15, 4-7 A conclusão da parábola é uma fonte de esperança para o pecador arrependido. Jesus nos quer dizer que a conversão de um só homem a Deus é algo muito grande e valioso Podemos dizer em uma linguagem figurada que esta conversão implica “uma festa no céu”. Há um regozijo espiritual por uma conversão. Embora seja uma frase antropomórfica, ilumina-nos como a bondade e o amor de Deus se podem manifestar ao modo humano de alegria como foi do pai do filho pródigo. Há uma festa na terra desde o ponto de vista de que também nos alegramos de que uma pessoa recupere a paz espiritual e volte para bom caminho. Às vezes duvidamos dos bons propósitos de uma pessoa que queira iniciar seu caminho de retorno ao Senhor. Entretanto embora nos custe acreditar, deveríamos nos alegrar e sentir o regozijo de quem recupera um amigo, de acrescentar mais um lugar na mesa para compartilhar o pão. É o momento de animar ao irmão, de comprometê-lo mais, de apoiá-lo e caminhar com ele. Examinemos nossas atitudes a respeito. Às vezes pensamos que esta parábola não é para nós, mas foi dita para todos. Cada um de nós deve se deixar encontrar pelo Bom Pastor, deixar-se recolher por ele para que nos leve a redil e cada um de nós pode, com sua conversão a Deus, provocar uma festa no céu. O FILHO
PRÓDIGO Lucas. 15, 11-32 Esta parábola resume os diversos temas e mensagens das parábolas de conversão e perdão que vimos anteriormente. É uma radiografia de todo o processo da conversão.
1. “Um homem tinha dois filhos”: Paternidade divina e fraternidade humana. O mundo desta graça construído sobre um esquema de família: consiste na paternidade de Deus e na fraternidade de todos os homens redimidos por Cristo. 2. “O menor disse a seu pai: Pai, me dê a parte da herança que me corresponde”: Ruptura com o pai e com os irmãos. Dentro do quadro de família fundado sobre a graça, o pecado supõe uma ruptura com o Pai e com os irmãos. 3. “E o pai repartiu os bens”. Respeito à liberdade. A conduta transigente do pai expressa de algum modo a lógica de liberdade com que governa Deus aos homens; não quer escravos mas sim filhos. 4. “foi a um país longínquo”. O pecado é afastamento de Deus. O pecado se completa através de um duplo movimento: dar as costas a Deus e voltar-se para as criaturas, entregando-se à desfrute desordenado das coisas de Deus contra Deus mesmo. 5. “Esbanjou todos seus bens”. O pecado é a ruína de todos os valores. O pecado reporta como triste conseqüência a quebra e a perdida dos valores espirituais e humanos. O homem retrocede a atitudes de animalidade.
1. “Começou a sofrer privações”: Experiência de carência e angústia produzida pelo pecado. O pecado provoca estados negativos de vazio e penúria que podem causar reações saudáveis para a retomada dos valores perdidos. 2. “Então foi e tornou-se servo de um dos habitantes”: Evasão e busca de alternativas de Deus.(alienações) O primeiro efeito do estado de angustia produzido pelo pecado pode ser embarcar-se para novas lonjuras e procurar sucedâneos do bem infinito que se perdeu. 3. “Enviou-o a seu campo para cuidar dos porcos. Ele quis acalmar sua fome com as bolotas”. Escravidão e abjeção. O pecado acaba na escravidão.”Aquele que peca se torna escravo do pecado” Jo 8,34. 4. “Mas ninguém as dava”: O pecado isola, vazio e solidão. Por muito que se engane com suas evasões, não pode o homem receber dos sucedâneos de Deus o que só Deus pode lhe dar. O afastamento de Deus conduz a um nada e à fome total.
5. “Então caiu em si”: Da angústia à reflexão e da reflexão a descobrir sua verdadeira identidade como filho de Deus. Através das experiências negativas derivadas do pecado, o Pai misericordioso transborda a situação e extrai dela sempre um bem maior. Neste caso foi preparando a volta do filho rebelde. |
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