28 de jan de 2026 às 10:50
O papa Leão XIV disse hoje (28) que a Palavra de Deus “não é fossilizada, mas uma realidade viva e orgânica que se desenvolve e cresce na Tradição”.
Dando continuidade ao seu ciclo de catequese dedicado à constituição dogmática Dei verbum do Concílio Vaticano II, centrada na Revelação divina, Leão XIV concentrou-se particularmente na relação entre a Sagrada Escritura e a tradição.
O papa citou o ensinamento de são João Henrique Newman, doutor da Igreja, que em sua obra Ensaio sobre o desenvolvimento da doutrina cristã (Editora Cultor de Livros - 560 p., R$ 119,00) descreveu o cristianismo — tanto como uma “experiência comunitária” quanto em sua formulação como “doutrina” — como uma “realidade dinâmica”.
Da aula Paulo VI, no Vaticano, o papa disse que essa compreensão já está presente no Evangelho, quando Jesus Cristo usa as parábolas da semente para expressar uma vida que cresce e amadurece graças a uma força interior. É, disse ele, “uma realidade viva” que se desdobra ao longo do tempo sem perder a sua identidade.
Escritura e Tradição: uma unidade inseparável
Seguindo o Concílio Vaticano II, Leão XIV disse que a Sagrada Escritura e a tradição “estão intimamente unidas e compenetradas entre si”.
“Com efeito, derivando ambas da mesma fonte divina, fazem como que uma coisa só e tendem ao mesmo fim”, disse o papa, citando o documento Dei verbum.
Ele disse que a tradição da Igreja "percorre o caminho da história por meio da Igreja, que conserva, interpreta e encarna a Palavra de Deus".
Receba as principais de ACI Digital por WhatsApp e Telegram
Está cada vez mais difícil ver notícias católicas nas redes sociais. Inscreva-se hoje mesmo em nossos canais gratuitos:
O Catecismo da Igreja Católica, disse o papa, citando os Padres da Igreja, também demonstra que “a Sagrada Escritura está escrita no coração da Igreja e não em instrumentos materiais”.
O papa citou duas expressões clássicas da tradição cristã. A conhecida afirmação do papa são Gregório Magno: “A Sagrada Escritura cresce com aqueles que a leem”. E as palavras de santo Agostinho, que salientou que existe só um “discurso de Deus que se desdobra ao longo da Escritura e uma Palavra que ressoa nos lábios de tantos santos”.
A Palavra de Deus, portanto, disse Leão XIV, graças ao Espírito Santo, é “compreendida na riqueza da sua verdade e incorporada nas coordenadas mutáveis da história”.
Para salvaguardar o “depósito” da fé
Nesse contexto, Leão XIV recordou a exortação do apóstolo Paulo a Timóteo: “Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado”. Essa passagem encontra eco na constituição Dei verbum, que diz que “a Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um único depósito da Palavra de Deus confiado à Igreja”, cuja interpretação pertence “ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade é exercida em nome de Jesus Cristo”.
O termo “depósito”, disse o papa, vem do campo jurídico e implica uma responsabilidade precisa: “Preservar o conteúdo, que neste caso é a fé, e de o transmitir intacto”.
Ele disse que esse depósito da Palavra de Deus “está ainda hoje nas mãos da Igreja, e todos nós”, que, a partir dos diferentes ministérios eclesiais, somos chamados a guardá-lo “na sua integridade, como uma estrela-guia para a nossa jornada através da complexidade da história e da existência”.





