O aumento dos incidentes de violência e as crescentes preocupações com a segurança intensificaram apelos para que a União Europeia (UE) proteja as comunidades cristãs, depois da divulgação, neste mês, da Lista Mundial de Vigilância da Portas Abertas 2026.

Segundo a lista, um em cada sete cristãos em todo o mundo — cerca de 388 milhões — enfrentou altos níveis de perseguição em 2024-2025, inclusive decapitações, assassinatos em massa e sequestros.

Os resultados mostram um aumento generalizado de ataques em toda a Europa. Um relatório do Observatório Internacional sobre Intolerância e Discriminação contra Cristãos (OIDAC), publicado em novembro do ano passado, registrou 2.211 crimes de ódio anticristãos na Europa em 2024, inclusive incêndios criminosos, agressões a membros do clero e vandalismo.

O relatório surgiu na sequência do assassinato, amplamente divulgado, de Ashur Sarnaya, cristão assírio-caldeu iraquiano de 45 anos de idade, em Lyon, França, em setembro do ano passado, que foi transmitido ao vivo na rede social TikTok. Em meio aos riscos elevados, barreiras reforçadas e patrulhas ampliadas foram implementadas em mercados de Natal e lugares de culto religioso em toda a Europa.

Apelos para preencher lacunas institucionais

Membros do Parlamento Europeu, da sociedade civil e organizações da Igreja estão instando a UE a preencher o cargo, há muito vago, de enviado especial para a Promoção da Liberdade de Religião ou Crença e a nomear um coordenador europeu para o ódio anticristão.

O eurodeputado Bert-Jan Ruissen, copresidente do Intergrupo do Parlamento Europeu sobre a Liberdade de Religião ou Crença e membro do Grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus, falou à EWTN News sobre a necessidade de salvaguardas mais robustas por parte da UE.

“Um Enviado Especial não é suficiente”, disse Ruissen. “É necessária uma unidade dedicada para apoiar a missão e capacitar os representantes da UE em todo o mundo no âmbito do FORB”.

Organizações da sociedade civil, como a Plataforma Europeia contra a Intolerância e a Discriminação Religiosa (EPRID, na sigla em inglês), apelaram para que o cargo seja reposicionado no Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE), visando maior coerência e autoridade. Jonathan de Leyser, defensor sênior da organização de direitos humanos Christian Solidarity Worldwide (CSW) junto à UE e membro da EPRID, disse à EWTN News que o enviado especial está inserido na Comissão Europeia, mas tem um mandato em matéria de direitos humanos gerido pelo SEAE.

“Uma mudança para o SEAE resolveria algumas dessas complexidades interinstitucionais”, disse de Leyser.

Receba as principais de ACI Digital por WhatsApp e Telegram

Está cada vez mais difícil ver notícias católicas nas redes sociais. Inscreva-se hoje mesmo em nossos canais gratuitos:

Falando sobre o aumento de incidentes anticristãos em toda a Europa, Ruissen reafirmou o apelo do intergrupo aos Estados-membros para que documentem sistematicamente os ataques. Ele disse que já existem coordenadores europeus para o antissemitismo e a islamofobia, destacando a necessidade de um coordenador dedicado ao ódio anticristão para garantir paridade na proteção e na supervisão.

Bispos expressam preocupações com a segurança

Bispos europeus também expressaram preocupação com o aumento da perseguição aos cristãos. Alessandro Calcagno, secretário-geral adjunto e conselheiro para os direitos fundamentais da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia, disse à EWTN News que as preocupações com a segurança devem ser abordadas dentro de uma estrutura mais ampla de liberdade religiosa.

“A proteção dos locais de culto é crucial não só para a segurança ou o simbolismo, mas também para salvaguardar o exercício da liberdade religiosa”, disse Calcagno. “As iniciativas da UE devem abordar não só o terrorismo, mas também o vandalismo, a violência, as perturbações, os incêndios criminosos, o assédio e outros atos de malevolência”.

Calcagno disse que os instrumentos de financiamento da UE tornam disponíveis recursos para combater explicitamente o ódio anticristão, dizendo que já existe financiamento comparável para programas que visam outros modos de discriminação religiosa.

Mais em

Campanhas globais e pressão parlamentar

Enquanto a defesa de direitos e os esforços parlamentares continuam, Ruissen disse que permanece comprometido em pressionar a UE para que resolva as lacunas institucionais na política de liberdade religiosa.

Falando sobre campanhas globais como a #RedWeek 2025, que iluminou o Parlamento Europeu de vermelho em solidariedade às vítimas da perseguição cristã ao redor do mundo, ele disse ter esperança de que o Parlamento Europeu continue apoiando futuras campanhas sobre liberdade religiosa.