26 de jan de 2026 às 16:04
Antes de ingressar na Universidade Notre Dame, nos EUA, a única vez que Alex Huang havia pisado numa igreja fora para um recital de piano. Agora, o calouro, nascido em Minnesota, está a poucos meses de se tornar católico.
Criado por pais que nunca consideraram religião por causa de sua educação na China ateia, Huang se interessou pelo catolicismo no ensino médio e agora faz parte da Ordem de Iniciação Cristã de Adultos (OCIA) da Universidade Notre Dame. Ele espera ingressar na Igreja na próxima vigília pascal e diz que o ambiente católico de Notre Dame é um dos principais motivos pelos quais pretende dar esse passo.
“Eu frequentava uma escola pública, onde ninguém falava muito sobre religião”, disse ele. “Mas quando cheguei a Notre Dame, as pessoas mencionavam sua fé o tempo todo, e isso foi muito chocante — não de modo negativo, mas realmente interessante e novo para mim”.
Ele não é o único na universidade South Bend, Indiana, que está discernindo a conversão ao catolicismo. Este ano, o programa OCIA da Notre Dame registra um número recorde de participantes. No total, 76 alunos estão matriculados, inclusive 1542 catecúmenos, 12 candidatos à plena comunhão e 22 candidatos católicos à crisma.
O ano recorde faz parte de uma tendência recente.
No ano letivo de 2023, 33 alunos estavam matriculados no programa, em 2024 o número subiu para 52.
Brett Perkins, diretor assistente de evangelização e educação religiosa da pastoral universitária da Universidade Notre Dame, é ele próprio um convertido à fé católica. Ele vê o aumento recorde de conversões como um indicativo de um movimento ainda mais amplo entre os jovens que estão se voltando para a religião.
“Acho que as questões com as quais as pessoas estão lidando e as experiências de vida permanecem as mesmas, mas talvez tenha havido um despertar um pouco maior para começar a prestar atenção ao anseio que existe no coração humano”, disse ele.
Colegas “em chamas” pela fé
Segundo Perkins, vários fatores estão por trás dessa virada em direção a desejos mais profundos, desde o isolamento da pandemia de COVID-19 até o impacto de evangelizadores online como o bispo de Winona-Rochester, Minnesota, EUA, Robert Barron e o padre Mike Schmitz.
Mas em um lugar como Notre Dame, um fator se destaca: o testemunho de colegas fiéis que estão dispostos a convidar estudantes não-católicos verem o que é a sua fé.
“Nos últimos dois anos [em Notre Dame], tenho notado que as pessoas estão chegando com muita, muita garra”, disse Perkins. “Há uma disposição não só para se empolgarem individualmente, mas também para contagiar os outros com essa energia”.
Perkins disse que esse testemunho se manifesta de muitas maneiras, inclusive por estudantes católicos que convidam seus colegas de quarto não-católicos para a missa na capela do dormitório.
“As pessoas começam a ter esses momentos de contato e pensam: Uau, quero aprender mais”, disse ele. “Então, muitas vezes, o momento eureka acontece antes mesmo de elas virem até mim”.
Dos cerca de 9 mil alunos de graduação e cerca de 4 mil alunos de pós-graduação de Notre Dame, cerca de 80%, se identificam como católicos. E com capelas em todos os dormitórios e até mesmo em muitos prédios acadêmicos, os alunos podem participar de uma vida sacramental rica. A cada semana, cerca de 158 missas são celebradas no campus, e são oferecidas cerca de 50 horas de adoração eucarística e 19 horas de confissão.
A fé também tem um papel importante na vida acadêmica. Todos os alunos são obrigados a cursar duas disciplinas do departamento de teologia, que tem cerca de 800 alunos matriculados em cursos de graduação ou especialização em teologia.
Receba as principais de ACI Digital por WhatsApp e Telegram
Está cada vez mais difícil ver notícias católicas nas redes sociais. Inscreva-se hoje mesmo em nossos canais gratuitos:
Mas a próspera comunidade católica — apesar das dúvidas persistentes sobre o compromisso da Universidade Notre Dame com sua missão católica — não é só um fator importante para despertar o interesse de estudantes não-católicos na fé. O testemunho dos colegas também é parte integrante do programa OCIA. Estudantes que já são católicos podem se voluntariar para apadrinhar um amigo ou parente, ou se inscrever para serem pareados com um participante que ainda não conhecem. Os padrinhos participam das sessões semanais de formação com seus catecúmenos ou crismandos e buscam aprender junto com eles, ao mesmo tempo que lhes oferecem um exemplo vibrante do que significa viver a fé católica no dia a dia.
Clare Hettich, caloura de Washington, D.C., se ofereceu como voluntária para ajudar a OCIA depois de sentir que Deus a estava chamando para ser uma madrinha.
“Estar em Notre Dame… me coloca rodeada de pessoas que levam a fé muito a sério e a vivem de modo tão pleno, e isso me inspira constantemente a ser assim”, disse ela. “Então, poder estar nessa posição para alguém, eu realmente consigo ver o valor disso, simplesmente porque já tive pessoas que, mesmo que inconscientemente, me serviram de mentoras, seja a amiga que sempre me convida para o terço das 23h ou a amiga que faz orações tão belas e me inspira a aprofundar minha vida de oração. Então, eu realmente queria ser essa pessoa para alguém”.
Lucas Santiago, estudante do último ano da Universidade Notre Dame e candidato católico à confirmação este ano, foi criado num lar agnóstico. Depois de chegar a Notre Dame, seu "código moral individual pareceu incompleto pela primeira vez" ao ver a fé de muitos de seus amigos próximos.
Ele disse que testemunhar o amor e a alegria dos jovens católicos e sua exposição à doutrina social católica o deixaram "maravilhado" com a caridade radical da fé católica e o inspiraram a abraçá-la. Agora, ele continua se encantando com o "espírito jubilante" que caracteriza sua comunidade de jovens.
“É maravilhoso que meus colegas e companheiros de classe em Notre Dame, pessoas que talvez me conheçam só num contexto acadêmico ou totalmente informal, tenham exemplificado como outro jovem pode caminhar com Deus”, disse Santiago. “Esses colegas em qualquer outra escola poderiam me ver como um concorrente, mas em Notre Dame sou alvo de amor infinito”.
Uma experiência repleta de graça
Os estudantes da Universidade de Notre Dame interessados em se tornar católicos têm duas opções para sua formação catequética: o processo OCIA, com duração de um ano, para aqueles que não são batizados, e o Curso Intensivo, com duração de um semestre, oferecido duas vezes por ano para aqueles que já são católicos, mas aguardam a iniciação completa nos sacramentos da confirmação e da eucaristia.
Embora ambos os processos catequéticos visem auxiliar no discernimento do catolicismo, o OCIA oferece uma introdução mais longa e abrangente à vida de discipulado, enquanto o Curso Breve busca esclarecer e desenvolver a formação cristã que os batizados já receberam.
Os membros da OCIA que concluírem o programa serão recebidos na Igreja na vigília pascal deste ano, em 4 de abril, enquanto os participantes do Curso Intensivo receberão seus sacramentos em diferentes momentos ao fim de cada semestre.
Para os alunos sem qualquer conhecimento prévio do cristianismo, Perkins disse que o programa começa explorando como a fé católica é a resposta para seus anseios mais profundos.
“Na OCIA, começamos nossa primeira sessão não necessariamente mergulhando de imediato nas Escrituras ou nas doutrinas da Igreja, mas sim partindo da experiência humana… falando sobre o que existe no coração de cada pessoa: o anseio por um relacionamento com Deus, um anseio eterno que só pode ser preenchido pelo nosso Deus eterno e infinito”.
E para pessoas como Santiago e Huang, fica claro que Deus está agindo por meio do programa OCIA de Notre Dame. Segundo Santiago, a fé alegre que permeia o corpo discente é o que torna o programa um sucesso.
"Sou abençoado por caminhar ao lado de milhares de jovens discípulos em minha jornada de fé", disse ele, "pelo menos por um tempo”.



