Antes da oração do Ângelus de hoje (25), o papa Leão XIV disse que “o Evangelho deve ser anunciado e vivido em todas as circunstâncias e ambientes”, mesmo nos momentos em que, por “prudência excessiva”, "não nos sentimos preparados ou se a situação não parece ser a melhor".

Da varanda do Palácio Apostólico, o papa refletiu sobre o trecho do Evangelho de Mateus que relata o início da missão pública de Cristo. “Tendo recebido o batismo", disse Leão XIV, "Jesus inicia a sua pregação e chama os primeiros discípulos: Simão – conhecido como Pedro, André, Tiago e João".

O papa disse que "Jesus, "tendo ouvido dizer que João fora preso", começou a sua pregação".

“Esta ocorre, portanto, num momento que não parece ser o melhor: João Batista acabava de ser preso e, por isso, os líderes do povo estão pouco dispostos a acolher a novidade do Messias. Trata-se de um tempo que recomendaria prudência, mas é precisamente nesta situação obscura que Jesus começa a trazer a luz da boa nova: ‘Está próximo o Reino do Céu’”, observou.

Leão XIV disse que "também na nossa vida pessoal e eclesial, por vezes devido a resistências interiores ou a circunstâncias que consideramos desfavoráveis, pensamos não ser o momento certo para anunciar o Evangelho, para tomar uma decisão, para fazer uma escolha, para mudar uma situação".

“Porém, o risco é ficarmos paralisados pela indecisão ou prisioneiros de uma prudência excessiva, quando o Evangelho nos pede o risco da confiança: Deus trabalha em todo o tempo, sendo bom qualquer momento para o Senhor, mesmo se não nos sentimos preparados ou se a situação não parece ser a melhor”, acrescentou.

Leão XIV ainda lembrou que Cristo começou a sua missão pública em Cafarnaum, às margens do mar da Galileia, "um território habitado principalmente por pagãos, que, devido ao comércio, é também uma terra de passagem e de encontros; poderíamos dizer que é um território multicultural, atravessado por pessoas com origens e filiações religiosas diferentes”. 

“O Evangelho diz-nos, desta forma, que o Messias vem de Israel, mas ultrapassa as fronteiras da sua terra para anunciar o Deus que se aproxima de todos, não exclui ninguém e não veio apenas para os puros, antes pelo contrário, envolve-se nas situações e nas relações humanas", disse o papa.

"Também nós, cristãos", destacou Leão XIV, "devemos vencer a tentação de nos fecharmos: o Evangelho deve ser anunciado e vivido em todas as circunstâncias e ambientes, para que seja fermento de fraternidade e paz entre as pessoas, as culturas, as religiões e os povos".

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O papa concluiu a sua reflexão lembrando que, "como os primeiros discípulos, somos convidados a acolher o chamamento do Senhor, na alegria de saber que cada tempo e cada lugar da nossa vida são visitados por Ele e atravessados pelo seu amor" e pediu: “Rezemos à Virgem Maria, para que nos conceda esta confiança interior e nos acompanhe ao longo do caminho”.

Leão XIV acompanha ‘com dor’ o que está acontecendo na Ucrânia

Depois da oração mariana, o papa mostrou preocupação com as consequências da guerra na Ucrânia, que continua sendo "atingida por ataques contínuos, que deixam populações inteiras expostas ao frio do inverno".

“Acompanho com dor o que está a acontecer, estou próximo e rezo por quem sofre. O prolongamento das hostilidades, com consequências cada vez mais graves para os civis, aumenta a divisão entre os povos e afasta uma paz justa e duradoura. Convido todos a intensificar ainda mais os esforços para pôr fim a esta guerra”, declarou Leão XIV pedindo: “Oremos pela paz: na Ucrânia, no Médio Oriente e em todas as regiões onde, infelizmente, se combate por interesses que não são os dos povos. A paz constrói-se respeitando os povos!”.

O papa também lembrou que, neste domingo, 25 de janeiro, a Igreja celebra o "Domingo da Palavra de Deus", instituído há sete anos pelo seu antecessor, Francisco "para promover em toda a Igreja o conhecimento da Sagrada Escritura e a atenção à Palavra de Deus, na Liturgia e na vida das comunidades".

"Agradeço e encorajo todos os que se empenham com fé e amor em prol deste fim prioritário", disse Leão XIV.

“Hoje é o Dia Mundial dos Leprosos. Expresso a minha solidariedade a todas as pessoas atingidas por esta doença”, expressou o papa lembrando também que neste domingo "conclui-se a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos".

“De tarde, como é tradição, celebrarei as Vésperas na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, com os representantes das outras confissões cristãs. Agradeço aos que participarão, também através dos meios de comunicação, e desejo a todos um bom domingo”, concluiu.