20 de jan de 2026 às 15:55
Em sua mensagem para o XXXIV Dia Mundial do Doente, que será celebrado em 11 de fevereiro, o papa Leão XIV diz que o amor “não é passivo”, mas vai ao encontro do outro.
“Jesus não ensina simplesmente quem é o próximo, mas mostra como nos tornar próximos”, diz Leão XIV no texto dedicado a esse dia, instituído pelo papa são João Paulo II em 1992, que sempre coincide com a festa de Nossa Senhora de Lourdes.
Essa perspectiva, diz o papa, permite compreender corretamente o que significa amor-próprio. "Significa distanciar-nos da tentação de basear nossa autoestima ou senso de dignidade em estereótipos de sucesso, carreira, posição ou linhagem, e recuperar nossa verdadeira posição perante Deus e nossos semelhantes", diz ele.
Com o título A Compaixão do Samaritano: Amar Carregando a Dor do Outro, Leão XIV propõe a figura do Bom Samaritano como uma imagem capaz de "redescobrir a beleza da caridade e a dimensão social da compaixão", exortando os fiéis a se concentrar nos necessitados e nos que sofrem, especialmente nos doentes.
Este trecho do Evangelho, diz o papa, deve ser lido “com a chave hermenêutica da encíclica Fratelli tutti, do meu querido predecessor, o papa Francisco”, onde a compaixão e a misericórdia não se reduzem a um “esforço individual”, mas realizam-se na relação.
A compaixão conduz à ação
No texto, o papa fala sobre a compaixão, que, segundo ele, “implica uma emoção profunda, que conduz à ação”.
É “um sentimento que brota do interior e leva a assumir um compromisso com o sofrimento alheio”. Na parábola do Evangelho, diz Leão XIV, a compaixão é “a característica distintiva do amor ativo”.
Essa não é uma atitude “teórica” nem “sentimental”, diz o papa. “Mas traduz-se em gestos concretos: o samaritano aproxima-se, cura, responsabiliza-se e cuida”.
Ele diz que o samaritano não agiu isoladamente, mas procurou um estalajadeiro que pudesse cuidar daquele homem.
“A primazia do amor divino implica que a ação do homem seja realizada sem interesse pessoal ou recompensa, mas como manifestação de um amor que transcende as normas rituais e se traduz num culto autêntico: servir o próximo é amar a Deus na prática”, diz Leão XIV.
O papa diz que os cristãos são “chamados a convidar outros e a encontrar-nos num nós mais forte do que a soma de pequenas individualidades”.
Peru, protagonista do Dia Mundial do Doente de 2026
Uma das principais novidades deste ano é que a celebração principal acontecerá na diocese de Chiclayo, Peru, de 9 a 11 de fevereiro, especificamente no santuário mariano de Chiclayo.
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Leão XIV foi missionário no Peru a partir de 1985, inicialmente em Chulucanas, e voltou ao país em 1988 para fazer seu trabalho pastoral em Trujillo, onde serviu por cerca de uma década. Em 2015, foi nomeado bispo de Chiclayo.
Depois, em 2023, o papa Francisco o nomeou chefe do Dicastério para os Bispos. Ele também tem cidadania peruana.
Sobre isso, Leão XIV recorre à sua experiência pessoal como missionário e bispo no país, onde viu como “muitas pessoas partilham a misericórdia e a compaixão ao estilo do samaritano e do estalajadeiro”.
Famílias, vizinhos, profissionais de saúde, agentes de saúde pastoral e tantas outras pessoas que “param, se aproximam, curam, carregam, acompanham e oferecem o que têm”, conferem à compaixão, diz ele, “uma dimensão social”.
“Essa experiência, que se realiza num entrelaçamento de relações, ultrapassa o mero compromisso individual”, diz o papa.
Por isso, Leão XIV diz que ser “um no Um” significa os fiéis se reconhecerem como “verdadeiramente membros de um corpo”, chamados, segundo a própria vocação, a levar a “compaixão do Senhor” pelo sofrimento de todos os homens.
“A dor que nos comove não é uma dor alheia”, diz ele, “é a dor de um membro do nosso próprio corpo, ao qual a nossa Cabeça nos manda acudir para o bem de todos”.
Assim, esse sofrimento “identifica-se com a dor de Cristo e, oferecida cristãmente, acelera o cumprimento da oração do próprio Salvador pela unidade de todos”.
“O amor não é passivo, mas vai ao encontro do outro”.
O papa faz sua reflexão no contexto de uma sociedade marcada pela "cultura do efêmero, do imediato, da pressa", e pelo "descarte e pela indiferença", que impedem as pessoas de parar ao longo do caminho para olhar de frente para as necessidades e os sofrimentos daqueles que as rodeiam.
“O amor não é passivo, mas vai ao encontro do outro; ser próximo não depende da proximidade física ou social, mas da decisão de amar”, diz ele. Assim, diz Leão XIC, no texto, os cristãos se tornam próximos daqueles que sofrem seguindo o exemplo de Cristo, “o verdadeiro Samaritano divino que se aproximou da humanidade ferida”.
Leão XIV diz que esses não são “meros gestos de filantropia”, mas sim sinais que revelam que a “participação pessoal” no sofrimento alheio implica “dar-se a si mesmo”, o que significa “ir mais além de satisfazer necessidades, para chegar ao ponto da nossa pessoa ser parte do dom”.
A caridade, diz o papa, “alimenta-se, necessariamente, do encontro com Cristo, que por amor se entregou por nós”.
“Desejo vivamente”, conclui ele, “que nunca falte no nosso estilo de vida cristão essa dimensão fraterna, samaritana, inclusiva, corajosa, comprometida e solidária, que tem a sua raiz mais íntima na nossa união com Deus, na fé em Jesus Cristo”. Só assim, diz Leão XIV, “inflamados por esse amor divino, poderemos realmente entregar-nos em favor de todos os que sofrem, especialmente dos nossos irmãos doentes, idosos e aflitos”.




