15 de jan de 2026 às 11:40
No deserto da península Arábica, uma pequena capela, construída para servir aos fiéis do Kuwait, em sua maioria imigrantes, tornou-se, ao longo das décadas, um símbolo de fé cristã, unidade e perseverança.
Amanhã (16), o secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin, proclamará a igreja de Nossa Senhora da Arábia, em Ahmadi, Kuwait, uma basílica menor.
Esse será o evento final de sua viagem de dois dias ao país, que, segundo a Santa Sé, inclui uma visita à Grande Mesquita do Kuwait e ao museu de Antiguidades Islâmicas Dar al-Athar al-Islamiya. Em seguida, ele se reunirá com o clero e comunidades religiosas na co-catedral da Sagrada Família, onde celebrará a missa pelo 65º aniversário da consagração do templo.
Em julho do ano passado, o papa Leão XIV concedeu o título de basílica menor à igreja de Nossa Senhora da Arábia, que se tornará a primeira em todo o vicariato da península Arábica, que abrange Kuwait, Bahrein, Catar e Arábia Saudita.
Essa proclamação fortalecerá seu vínculo visível com a Sé Apostólica, permitindo-lhe exibir os símbolos papais próprios desse título. Nos dias estabelecidos pela autoridade eclesiástica, os fiéis que a visitarem poderão obter indulgência plenária, segundo as condições estipuladas pela Igreja.
O local ocupado pela igreja teve uma origem muito humilde: era um abrigo Nissen, uma estrutura pré-fabricada de aço com formato semicilíndrico, originalmente projetada para uso militar na Primeira Guerra Mundial, que foi usada como usina de energia.
Em 8 de dezembro de 1948, o local foi abençoado e transformado numa capela temporária. A igreja atual, de pedra, foi inaugurada em 1º de abril de 1956.
Aos poucos, a igreja simples tornou-se um santuário que personifica grande devoção, especialmente entre trabalhadores migrantes católicos, particularmente das Filipinas, da Índia e do Líbano. Os fiéis na península Arábica são menos de três milhões e meio, enquanto cerca de 90% da população é muçulmana.
Uma Virgem que protege o deserto: devoção histórica e reconhecimentos papais
No interior da igreja há uma imagem de Nossa Senhora da Arábia.
A origem da devoção a essa Virgem que protege o deserto remonta ao fim da década de 1940, quando um grupo de carmelitas descalços do Iraque chegou ao Kuwait para dar apoio pastoral à comunidade católica.
Os missionários difundiram uma imagem inspirada em Nossa Senhora do Carmo, venerada no santuário de Stella Maris, no topo do Monte Carmelo, em Haifa, Israel, que gradualmente adquiriu o título de Nossa Senhora da Arábia.
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A veneração pública começou simbolicamente em 8 de dezembro de 1948, solenidade da Imaculada Conceição.
Em 1949, o então vigário apostólico da Arábia, Giovanni Battista Stella, encomendou uma imagem oficial esculpida em cedro do Líbano por artesãos italianos, representando Nossa Senhora com o Menino Jesus.
A imagem foi abençoada por Pio XII no Vaticano e chegou a Ahmadi em 6 de janeiro de 1950. Em 1957, por meio do decreto Regnum Mariae, Pio XII proclamou oficialmente Nossa Senhora da Arábia padroeira do vicariato apostólico da Arábia.
Três anos depois, fiéis ofereceram à imagem uma coroa de ouro adornada com diamantes, rubis e pérolas do Golfo e a coroaram solenemente. Em 2011, por ordem de Bento XVI, a imagem recebeu uma coroação canônica, confirmando a atenção especial da Santa Sé a esse santuário.
Depois, monsenhor Camillo Ballin, vigário Apostólico da Arábia do Norte entre 2005 e 2019, promoveu a construção – em terreno doado pelo rei do Bahrein – da grande catedral de Nossa Senhora da Arábia em Awali, Bahrein, consagrada em 2021 depois de oito anos de obras.
Reunião com Sua Alteza o xeque Ahmad Abdullah Al-Ahmad Al-Sabah, primeiro-ministro do Kuwait
Em sua estadia, o cardeal Parolin fará uma reunião oficial com o xeque Ahmad Abdullah Al-Ahmad Al-Sabah, primeiro-ministro do Kuwait.
Segundo a assessoria de imprensa da Santa Sé, o Kuwait reafirmou seu princípio de respeito mútuo e coexistência pacífica entre as religiões, valores que fazem parte de sua ideologia desde a sua fundação e que foram posteriormente consagrados em sua Constituição.
A visita evoca a visita do então emir do Kuwait, Sabah Al-Ahmad Al-Jaber Al-Sabah, que morreu em 2020, ao papa Bento XVI, em 6 de maio de 2010.
O objetivo da viagem é fortalecer laços de amizade e cooperação entre a Santa Sé e o Kuwait, relações diplomáticas estabelecidas em 1968, quando o Kuwait foi o primeiro país do Conselho de Cooperação do Golfo a estabelecer relações oficiais com a Santa Sé.






