14 de jan de 2026 às 15:30
Em resposta à proibição de genuflexórios e mesas de comunhão na diocese de Charlotte, Carolina do Norte, Michael Martin, 31 padres da diocese assinaram uma carta ao Dicastério para os Textos Legislativos com uma série de perguntas, ou dubia, sobre o assunto.
Segundo o jornal católico The Pillar, que obteve uma cópia vazada da carta dos padres diocesanos na semana passada, os sacerdotes perguntam diretamente “se um bispo diocesano pode proibir o uso de genuflexórios para auxiliar os fiéis que, por iniciativa própria, desejam receber a Sagrada Comunhão de joelhos”.
No mês passado, Martin escreveu uma carta pastoral dizendo que, a partir de 16 de janeiro, o uso de mesas de comunhão e genuflexórios não será mais permitido na diocese, e quaisquer "acessórios temporários ou móveis usados para ajoelhar para receber a Comunhão" deverão ser removidos.
Em sua carta pastoral, Martin disse que, embora um "fiel individual" seja livre para se ajoelhar para receber a Comunhão e não deva ser-lhe negada, a "postura normativa para todos os fiéis nos EUA é de pé", segundo as diretrizes da Conferência de Bispos Católicos dos EUA (USCCB, na sigla em inglês).
“Os fiéis que se sentem compelidos a ajoelhar-se para receber a Eucaristia, como é seu direito individual, devem também considerar em oração a bênção do testemunho comunitário que se concretiza quando partilhamos uma postura comum”, escreveu ele.
Em sua carta à Santa Sé, os padres da diocese contestam especificamente as ações do bispo para impedir os fiéis de se ajoelhar nos altares embutidos nas paróquias em que essa é a prática, segundo Brian Williams, defensor da comunidade da missa tridentina de Charlotte.
Quando Martin concelebrou uma missa com vários outros bispos no verão passado, numa paróquia cujos fiéis costumam receber a comunhão em genuflexórios improvisados, seguindo a orientação do bispo, segundo Williams, a comunhão foi distribuída em frente aos genuflexórios para desencorajar os paroquianos de se ajoelhar.
“Uma vez que a mesa de comunhão é uma estrutura comum e tradicional que separa o santuário do corpo da igreja no rito romano, pergunta-se se um bispo diocesano tem a autoridade legítima para proibir a instalação de mesas de comunhão em igrejas ou outros locais sagrados em sua diocese”, perguntam os padres da diocese em sua carta, segundo o The Pillar.
Um padre da diocese de Charlotte, que preferiu permanecer anônimo alegando uma "atmosfera de medo, retaliação e desconfiança", disse à CNA, agência em inglês da EWTN, que o número real de apoiadores das dubia é "bem maior" do que os 31, ou um quarto de todos os padres da diocese, que de fato assinaram. “Alguns padres decidiram, por prudência, não assinar”.
Segundo uma publicação nas redes sociais da comunidade da Missa Tridentina em Charlotte: “Várias fontes diocesanas em Charlotte confirmaram que o apoio real às dubia está mais próximo de 50% dos padres, quase o dobro do número de signatários”.
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Em sua carta pastoral do mês passado, Martin especificou normas para ministros extraordinários, proibiu a prática da intinção (quando o pão consagrado é mergulhado no vinho antes de ser colocado na língua) e incentivou a recepção da Comunhão sob as duas espécies — o pão e o vinho —, prática que, segundo ele, caiu em desuso na pandemia de covid-19.
Em maio do ano passado, vazou uma minuta de uma carta detalhando várias outras reformas pretendidas por Martin em relação às práticas tradicionais da diocese. Na carta, o bispo disse que, como “não há menção nos documentos conciliares, na reforma da liturgia ou nos documentos litúrgicos atuais sobre o uso de mesas de comunhão balaustradas ou genuflexórios para a distribuição da Sagrada Comunhão, eles não devem ser usados na diocese de Charlotte”.
A carta dos padres diocesanos à Santa Sé, datada de 5 de janeiro, demonstra que “tanto a carta vazada do verão passado quanto a carta pastoral de 17 de dezembro causaram grande preocupação entre os padres e fiéis da diocese de Charlotte, especialmente nas paróquias que permitiram aos fiéis usar o altar ou genuflexório para receber a Sagrada Comunhão”.
A carta dos padres diocesanos também aborda questões levantadas na carta vazada de Martin, de maio, na qual o bispo sugeriu que certas práticas e elementos litúrgicos, como o uso do latim, vestes ricamente decoradas, certas orações e ornamentos de altar, seriam proibidos por não estarem conforme mudanças feitas depois do concílio Vaticano II.
Respondendo sobre a carta de 5 de janeiro com as dúvidas, um porta-voz da diocese de Charlotte disse à CNA que o bispo "não restringiu o ato de ajoelhar-se".
“Meus irmãos sacerdotes são sempre bem-vindos para fazer perguntas e buscar esclarecimentos sobre a aplicação das normas litúrgicas”, disse Martin à CNA em 8 de janeiro. “Para que fique claro, as únicas modificações feitas desde a última atualização das normas litúrgicas da diocese de Charlotte, em 2011, dizem respeito à distribuição da Sagrada Comunhão, conforme detalhado em minha carta aos fiéis em dezembro”.
Aparentemente referindo-se à carta vazada de maio, Martin disse: “Questões levantadas a partir de conversas internas e confidenciais do conselho presbiteral são prematuras e carecem de fundamento, visto que nenhuma ação definitiva foi tomada além do que consta na carta de dezembro do ano passado. As normas destacadas na carta mantêm nossa diocese alinhada com as normas mais amplas da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA e da Igreja universal”.




