O bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, dom Fernando Arêas Rifan disse ontem (11), que ao entregar sua carta de renúncia ao papa Leão XIV em 15 novembro passado, explicou o “itinerário doutrinal” e a “conversão” da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney. Segundo o bispo, a administração hoje conserva “a missa na forma tradicional, reconhecendo o papa, o Concílio Vaticano II interpretado segundo o Magistério da Igreja, e a validade do Novus Ordo Missae celebrado corretamente”.

“Antes éramos influenciados por certos grupos, com posições radicais, mesmo sem pertencer a eles como membros”, disse dom Rifan em comunicado oficial aos padres e fiéis da administração apostólica.

Sem nomear, o bispo aparentemente se refere à Sociedade São Pio X (SSPX), fundada pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre em 1970. Lefebvre foi o principal articulador da ala conservadora que tentou resistir às reformas durante o Concílio Vaticano II (1962-1965). Um dos integrantes mais próximos dessa ala era o então bispo de Campo (RJ), dom Antônio de Castro Mayer.

Depois do Concílio, dom Antônio se recusou a aplicar em sua diocese decisões do Concílio, especialmente a missa nova promulgada por são Paulo VI em 1970. Os sacerdotes que se mantiveram fiéis a dom Antônio ficaram conhecidos como “padres de Campos”.

Em 1988, Mayer participou da ordenação de quatro bispos por dom Lefebvre contra a proibição expressa do papa são João Paulo II, incorrendo na excomunhão que atingiu a SSPX.

Em 2001, negociações com a Santa Sé levaram à regularização dos padres de campos com a fundação da Administração Apostólica Pessoal, liderada pelo seu primeiro bispo, dom Licínio Rangel, antecessor de dom Rifan.

“Passamos a compreender melhor a situação da Igreja e a correta adesão ao seu Magistério, como critério de verdade para todo católico”, relatou dom Rifan na nota.

Segundo o bispo, quando ele falou ao papa que a Administração Apostólica conserva “a Liturgia da Missa no Rito Romano Antigo (São Pio V)”, Leão XIV perguntou se ele também celebra “a Missa no rito atual (de Paulo VI)”.

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“Eu lhe disse que em nossas Igrejas, celebramos o rito antigo, mas quando, convidado, concelebro com o nosso bispo diocesano, dom Roberto Paz, uso o rito atual, como também quando eu ou os nossos padres, quando convidados, nas igrejas das dioceses, celebramos a Missa na forma atual. Ele se mostrou satisfeito”, disse o bispo.

O rito tradicional anterior à reforma do Concílio Vaticano II não contempla a concelebração.

Dom Rifan disse que expôs ao papa “o bom relacionamento” da Administração Apostólica “com a diocese de Campos, com os bispos” do “Regional e com os bispos da nossa Conferência Episcopal”.

Dom Rifan também contou que em uma audiência no dicastério para os Bispos, em Roma, no dia 17 de novembro passado, foi recebido pelo prefeito do dicastério, dom Filippo Iannone, e por seu secretário, dom Ilson de Jesus Montanari, aos quais entregou os mesmos documentos entregues ao papa e respondeu a todas as perguntas sobre a Administração Apostólica.

“Perguntaram-me, por exemplo, se cantamos também alguns hinos comuns nas Igrejas do Brasil, e ficaram muito satisfeitos quando lhes disse que sim, além do canto gregoriano e dos hinos tradicionais”, disse o bispo. “A continuidade da existência da nossa Administração Apostólica é ponto pacífico. Nem se questiona isso”, disseram”.

Renúncia da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Dom Rifan ainda disse aos padres e fiéis da Administração Apostólica que no dia 3 de dezembro, recebeu uma correspondência do núncio apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro informando que o papa Leão XIV, em uma audiência “realizada em 22 de novembro de 2025, aceitou a renúncia” dele “ao governo pastoral da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, e ao mesmo tempo” pede que ele “permaneça na direção da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney por mais dezoito meses a partir da data do seu 75º aniversário”, 25 de outubro de 2025.