Saint Mary's College, faculdade católica para mulheres da Universidade Notre Dame, nos EUA, vai aceitar homens que se identificam como mulheres.

A presidente da faculdade anunciou a mudança aos alunos e professores por e-mail na semana passada. A entidade também atualizou sua política de não-discriminação em junho e, nela, mencionou a nova medida.

A política de não-discriminação, aprovada pelo conselho administrativo, diz que a Saint Mary's “considera a admissão de candidatos de graduação cujo sexo seja feminino ou que consistentemente vivam e se identifiquem como mulheres”.

Há 32 pessoas no conselho de administração da universidade, além de um administrador emérito. A lista inclui seis freiras das Irmãs da Santa Cruz, ordem que fundou a faculdade na década de 1840. Dois padres, um jesuíta e um padre da Congregação da Santa Cruz, também fazem parte do conselho.

A política estabelece que os programas de pós-graduação são “abertos a todos” e que as políticas de ingresso na universidade “são regidas pelo Título IV das Emendas Educacionais de 1972, que permite políticas de admissão diferenciadas por sexo em instituições que historicamente atenderam mulheres”.

A missão da universidade, diz, é “empoderar as mulheres, através da educação, em todas as fases da vida. É essencial para esta missão promover uma experiência universitária diversificada, equitativa e inclusiva.”

Num e-mail de 21 de novembro, a presidente da faculdade, Katie Conboy, disse aos estudantes e professores que esta não é “a primeira universidade católica para mulheres a adoptar uma política com este alcance”, informou o Washington Examiner.

Admitir homens que se identificam como mulheres “abrange o nosso compromisso de funcionar como uma universidade católica para mulheres”, disse Conboy, especialista em literatura de língua inglesa e  teoria feminista.

Numa declaração de segunda-feira (27), o bispo de Fort Wayne-South Bend, dom Kevin Rhoades, disse que soube da mudança de política na semana passada e achou “decepcionante que, como bispo da diocese onde fica o Saint Mary's College, não tenha sido incluído” ou consultado sobre um assunto importante relativo à doutrina católica.

“Chamar a si mesma de 'faculdade para mulheres' e admitir estudantes do sexo masculino que 'vivem e se identificam consistentemente como mulheres' sugere que a universidade afirma uma ideologia de gênero que separa sexo de gênero e sustenta que a identidade sexual é baseada na experiência subjetiva do indivíduo”, disse dom Rhoades. “Essa ideologia se opõe à doutrina católica”.

A Escritura diz no livro do Gênesis 1, 27: “Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou. Homem e mulher Ele os criou”, na tradução oficial da CNBB.

O Catecismo da Igreja Católica diz, no número 369: “O homem e a mulher foram criados, quer dizer, foram queridos por Deus: em perfeita igualdade enquanto pessoas humanas, por um lado; mas, por outro, no seu respectivo ser de homem e de mulher. «Ser homem», «ser mulher» é uma realidade boa e querida por Deus: o homem e a mulher têm uma dignidade inamissível e que lhes vem imediatamente de Deus, seu Criador. O homem e a mulher são, com uma mesma dignidade, «à imagem de Deus». No seu «ser homem» e no seu «ser mulher», refletem a sabedoria e a bondade do Criador.

“O desejo do Saint Mary’s College de mostrar hospitalidade às pessoas que se identificam como transexuais não é o problema. O problema é que uma universidade católica para mulheres adota uma definição de mulher que não é católica”, diz o bispo no comunicado.

O bispo exortou a universidade a “corrigir a sua política de admissão em fidelidade à identidade católica e à missão que deve proteger”.

Patrick Reilly, presidente da Sociedade Cardeal Newman, organização dedicada a promover a educação católica, disse à CNA agência em inglês do grupo EWTN a que pertence ACI Digital, na segunda-feira (27), que o Saint Mary's College “precisa reverter o curso” da sua política.

“Os católicos, e especialmente os educadores católicos, devem ter a coragem de dizer a verdade sobre o gênero e até de sofrer por isso”, disse.

“As consequências da falsa identidade de gênero e da mutilação corporal são terríveis, e precisamos que os nossos bispos e leigos se oponham firmemente às instituições que defendem a ideologia de gênero, especialmente escolas e universidades que afirmam ser católicas”, continuou ele

O Saint Mary’s College não é a única universidade católica unissex nos EUA que anunciou que aceitará membros do sexo oposto.

O College of Saint Benedict, exclusivamente feminino, e a Saint John's University of Minnesota, exclusivamente masculina, declaram em seu site conjunto que “apoiam o direito de todos os alunos de se autoidentificarem", inclusive "indivíduos transgêneros, não-binários, com fluidez de gênero e sem conformidade de gênero".

Em 10 de março, o papa Francisco chamou a ideologia de gênero de "uma das colonizações ideológicas mais perigosas”.

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"Por que é perigosa? Porque dilui as diferenças. E a riqueza dos homens e das mulheres e de toda a humanidade é a tensão das diferenças", disse ele ao jornal argentino La Nación.