O pontificado do papa Francisco foi marcado por uma série de eventos significativos, cada um com seu impacto na Igreja Católica e no mundo. Aqui estão cinco momentos-chave que também irão moldar o legado de seu papado.

 

Amoris Laetitia

 

Um dos momentos mais significativos do pontificado do papa Francisco foi a publicação em 2016 de sua exortação apostólica Amoris Laetitia (“A Alegria do Amor”, em latim).

A exortação examinou a abordagem da Igreja em relação à vida familiar e o cuidado pastoral, também em relação a divórcio e segunda união.

 

No documento, o papa Francisco escreveu que “nenhuma família é uma realidade perfeita e confeccionada duma vez para sempre, mas requer um progressivo amadurecimento da sua capacidade de amar" (Amoris Laetitia, 325). Franciscoenfatizou a importância de compaixão e acompanhamento àqueles que enfrentam dificuldades familiares, ao escrever que “a Igreja deve acompanhar, com atenção e solicitude, os seus filhos mais frágeis, marcados pelo amor ferido e extraviado, dando-lhes de novo confiança e esperança” (Amoris Laetitia, 291).

 

No entanto, o documento também despertou algumas preocupações. Uma dessas preocupações era a de o documento contradizer o ensinamento tradicional da Igreja sobre a indissolubilidade do casamento e a recepção da Eucaristia por católicos divorciados recasados.

 

Traditiones Custodes

 

Em julho de 2021, o papa Francisco emitiu uma carta apostólica chamada Traditiones Custodes, que restringiu o uso da missa tradicional em latim, também conhecida como missa tridentina.

 

No documento, o papa Francisco afirmou que a missa tradicional em latim vinha sendo “explorada para alargar as lacunas, reforçar as divergências e estimular divergências que prejudicam a Igreja, bloqueiam seu caminho, e a expõem ao perigo da divisão”.

 

As mudanças feitas na sequência do documento também exigiram que os bispos aprovassem e supervisionassem a celebração da missa em latim em suas dioceses, buscando até mesmo a aprovação do Vaticano em alguns casos.

 

Críticos disseram que essas mudanças foram um afastamento significativo do caminho traçado pelo papa Bento XVI em 2007, quando emitiu a Summorum Pontificum, um documento que confirmava a legitimidade da tradicional missa em latim.

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O movimento contra a missa tradicional em latim encontrou resistência de alguns padres e bispos, que expressaram seu apoio à liturgia tradicional e sua preocupação com o impacto da decisão em suas comunidades.

 

Mudanças no catecismo

 

Em 2018, o papa Francisco aprovou mudanças no Catecismo da Igreja Católica, especificamente no que diz respeito ao ensinamento da Igreja sobre a pena de morte. O novo texto afirma que "a pena de morte é inadmissível porque atenta contra a inviolabilidade e a dignidade da pessoa" (Catecismo da Igreja Católica, 2267).

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O papa explicou seu raciocínio por trás da mudança ao afirmar que “a pena de morte ‘hoje em dia’ não estava de acordo com a crença da Igreja na santidade da vida humana, sendo uma ofensa à inviolabilidade da vida e à dignidade da pessoa humana, que contradiz o desígnio de Deus sobre o homem e a sociedade”.

 

A mudança foi significativa: a Igreja Católica já havia permitido o uso da pena de morte em certas circunstâncias no passado.

 

Combate aos abusos sexuais

 

Em meio a uma série de revelações de novos e antigos escândalos de abuso sexual – incluindo os casos do ex-cardeal Theodore McCarrick, do bispo Gustavo Zanchetta e do padre Marko Rupnik, S.J. – o papa Francisco recebeu pressão significativa para abordar a questão do abuso sexual e seu tratamento dentro da Igreja durante o seu pontificado.

 

Um documento importante a esse respeito foi Vos Estis Lux Mundi, ou "Vós sois a luz do mundo", publicado em 2019. O documento estabeleceu novas diretrizes para relatar e investigar alegações de abuso sexual e encobrimento por bispos e outros oficiais da igreja.

 

No documento, o papa Francisco afirmou que “os crimes de abuso sexual ofendem a Nosso Senhor, causam danos físicos, psicológicos e espirituais às vítimas e prejudicam a comunidade dos fiéis”. Ele enfatizou a importância de responsabilizar os líderes da Igreja e garantir que as vítimas sejam apoiadas e ouvidas.

 

O documento também criou um novo sistema para denunciar abusos, permitindo uma melhor comunicação das alegações a um bispo local ou diretamente ao Vaticano. Dado que vários bispos proeminentes foram descobertos por terem lidado mal com casos de abuso, mas não sujeitos a uma investigação Vos Estis, incluindo o cardeal alemão Reinhard Marx, a medida teve reações mistas.

 

Gerenciamento das finanças do Vaticano

 

Durante seu papado, o Papa Francisco se comprometeu a reformar as finanças do Vaticano ao estabelecer a Secretaria de Economia e aprovar leis para melhorar a prestação de contas. A Santa Sé estava sob pressão crescente de agências internacionais, incluindo o Moneyval, órgão regulador europeu que avalia medidas de combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, para melhorar a transparência financeira e a prestação de contas.

 

O Vaticano também implementou novas medidas para garantir que os contratos sejam concedidos de forma transparente e que os custos sejam mantidos sob controle.

 

Algumas dessas medidas foram desencadeadas por um julgamento de corrupção de alto nível iniciado em julho de 2021, no qual dez indivíduos, incluindo um cardeal, enfrentaram acusações de corrupção, incluindo lavagem de dinheiro. O julgamento centrou-se em um controverso acordo imobiliário em Londres, perseguido por alegações de irregularidades financeiras, incluindo alegações de que o Vaticano pagou um preço inflacionado pela propriedade e que alguns dos fundos foram usados ​​para apoiar indivíduos que tinham laços com o Vaticano.

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