O papa Francisco publicou a carta apostólica em forma de motu proprio Ad charisma tuendum (Proteger o carisma) com a qual reforma a prelazia pessoal da Opus Dei. A mudança mais notável é que o prelado da Opus Dei não será mais um bispo, como estabelecido pelo papa são João Paulo II em 1982.

O motu proprio de Francisco foi assinado pelo papa em 14 de julho mas divulgado pela Sala de Imprensa da Santa Sé ontem (21).

No Ad carisma tuendum, o papa aplica a Constituição Apostólica Praedicate Evangelium, que ele mesmo publicou transferindo os poderes em matéria de prelazias pessoais do Dicastério dos Bispos para o do Clero.

Após a publicação da Constituição Apostólica Praedicate Evangelium em 19 de março, o prelado do Opus Dei, dom Fernando Ocáriz, enviou uma mensagem aos fiéis da Prelazia na qual dizia que "o interlocutor habitual com a Santa Sé muda" já que "muitos dos assuntos que a prelazia trata habitualmente com a Cúria Romana estão relacionados com o seu presbitério", porém, naquela ocasião dom Fernando advertiu que "a substância da Prelazia do Opus Dei, composta por leigos e sacerdotes, mulheres e homens, tal como estabelecido nos Estatutos que a Sé Apostólica deu à Obra, não é alterada de forma alguma”.

“Na Solenidade de São José, padroeiro da Igreja universal, confiamos ao Senhor o serviço que a Cúria Romana presta à Igreja e ao mundo. Peçamos também a Deus que cada leigo e cada sacerdote, cada mulher e cada homem do Opus Dei saiba viver com uma atitude evangelizadora, com otimismo, oferecendo a nossa amizade a todas as pessoas e procurando acima de tudo a amizade com Jesus Cristo”, escreveu então Ocáriz.

Motu Proprio Ad carisma tuendum

No texto desta nova Carta Apostólica, Francisco diz que esta mudança é feita para “proteger o carisma”.

O artigo 3º do Motu Proprio diz que, devido às emendas à constituição apostólica Ut sit, os estatutos do Opus Dei serão atualizados. "A própria Prelazia deve fazer uma proposta, e serão aprovados pelos órgãos competentes da Sé Apostólica", diz o papa.

O Opus Dei diz que o fato de o prelado não ser mais bispo "é uma iniciativa e decisão da Santa Sé, no contexto de uma reestruturação do governo da Cúria, para reforçar, como diz o Motu Proprio, a dimensão carismática”.

Uma comunicação oficial da Prelazia destacou que "a figura do prelado recebe um título honorífico e um tratamento que, reafirmando a condição secular, que é central no carisma do Opus Dei, o une de modo especial ao Santo Padre, como parte da chamada “família pontifícia”. Diz-se “supernumerário”, para distingui-lo daqueles que são notários na Santa Sé"

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Carta aos fiéis do Opus Dei

Monsenhor Fernando Ocáriz escreveu hoje (22) uma carta aos fiéis da Prelazia, na qual diz que "é uma concretização da decisão do Santo Padre de enquadrar a figura das prelazias pessoais no Dicastério do Clero, que aceitamos filialmente”.

Monsenhor Fernando destacou que o papa Francisco "anima-nos a focar a nossa atenção no dom que Deus entregou a São Josemaría, para o vivermos plenamente" exorta a cuidar do carisma do Opus Dei "para promover a ação evangelizadora realizada por seus membros” e, deste modo, “difundir o chamado à santidade no mundo, através da santificação do e das ocupações familiares e sociais”.

O prelado diz que gostaria "que este convite do Santo Padre tivesse uma forte ressonância em cada um de nós. É uma oportunidade para aprofundar no espírito que o Senhor inspirou em nosso fundador e para compartilhar este espírito com muitas pessoas no ambiente familiar, profissional e social”.

Por fim, monsenhor Ocáriz comentou que “quanto às disposições do Motu proprio sobre a figura do prelado, repito o que indiquei em outras ocasiões: agradecemos a Deus pelos frutos da comunhão eclesial que significaram os episcopados do B. Álvaro e de Dom Javier. Ao mesmo tempo, a ordenação episcopal do prelado não era e não é necessária para guiar a Opus Dei”.

“A vontade do papa de realçar agora a dimensão carismática da Obra convida-nos a reforçar o ambiente de família, de afeto e confiança: o prelado deve ser um guia, mas, acima de tudo, um pai”, concluiu o prelado da Opus Dei.

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