O Observatório para Intolerância e Discriminação contra Cristãos na Europa (OIDAC) revela que a objeção de consciência está sob ameaça na Espanha, França e Suécia.

Em entrevista coletiva, a diretora-executiva de OIDAC, Madelein Enzlberger, apresentou um relatório de 71 páginas lançado ontem, 7 de dezembro, que analisou liberdade de consciência, direitos dos pais e objeção de consciência em cinco países europeus: Espanha, França, Alemanha, Suécia e Grã-Bretanha.

Segundo Enzlberger, esses direitos estão relacionados à pressão constante sobre, entre outras coisas, a questão do aborto.

O relatório observa que a modificação de uma cláusula de objeção de consciência na Suécia já afetou os profissionais cristãos, e que "desenvolvimentos semelhantes na França e na Espanha podem levar à exclusão total dos cristãos em certas profissões".

Na Suécia, os cristãos no sistema de saúde podem ser demitidos por exercerem seu direito à objeção de consciência. O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos rejeitou em 2020 considerar o caso de duas parteiras, Ellinor Grimmark e Linda Steen, que não foram admitidas em um emprego porque se negaram a praticar abortos.

O Parlamento Europeu, órgão legislativo da União Europeia, votou em junho a favor de um relatório que descreve o aborto como "cuidado essencial de saúde” e que busca redefinir a objeção de consciência como a “negação do cuidado da saúde”.

Na Espanha, a ministra da igualdade, Irene Montero, incentivou em setembro a iniciativa de criar um cadastro de médicos, enfermeiras e profissionais objetores de consciência que não queiram fazer aborto, com o objetivo de garantir “o direito a interromper gravidezes” nos hospitais públicos.

“Se a intenção é garantir o acesso a este serviço, por que não registram aqueles que estão dispostos a praticar um aborto?”, questionou dom Luis Argüello, bispo auxiliar de Valladolid e secretário-geral da conferência dos bispos da Espanha.

A ministra da igualdade disse em 8 de julho que “o direito dos médicos à objeção de consciência não pode estar acima do direito da mulher de decidir”, o que levou 52 escolas de medicina a considerarem suas propostas como “inaceitáveis, ilegais e injustas”.

Enzlberger disse que “com a liberdade de consciência nós temos que lidar constantemente com movimentos ideológicos que querem eliminar a objeção de consciência para o pessoal médico, especialmente quando se trata de aborto”.

“Há uma pressão atual nesse sentido, principalmente na Espanha, mas também ocorre na França”, acrescentou.

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Enzlberger também deu o exemplo de Julia Rynkiewicz, uma estudante de obstetrícia no Reino Unido, que foi suspensa por quatro meses e enfrentou uma investigação de "aptidão para a prática" devido à sua participação em um grupo pró-vida em sua universidade em Nottingham.

A OIDAC, com sede em Viena, documentou quatro mil casos de intolerância e discriminação contra cristãos na Europa nos últimos 10 anos, mais de 70% dos quais foram crimes de ódio cometidos com motivos anticristãos.

O seu trabalho contribui e reúne os dados anuais publicados pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) sobre crimes de ódio na Europa.

Os dados mais recentes da OSCE, divulgados em 16 de novembro, documentaram 980 incidentes contra cristãos em 2020, incluindo ataques incendiários a igrejas católicas, profanação e roubo de hóstias consagradas, ataques a padres e pichações anticatólicas em propriedades da Igreja por ativistas do aborto.

"As estatísticas do governo francês de 2019 mostram que, em média, quase três casos de vandalismo contra uma igreja ou prédio cristão ocorreram todos os dias", disse Enzlberger.

“A visibilidade pública da violência contra as igrejas de alguma forma normaliza a violência contra os cristãos na esfera pública. E o monitoramento de crimes de ódio é um termômetro importante do clima social de um determinado país”, destacou.

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