4 de fevereiro de 2026 Doar
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Conversa com FSSPX continua mesmo com ordenações episcopais anunciadas, diz Santa Sé

Praça de São Pedro, no Vaticano. | Stefano Tammaro / Shutterstock

A Santa Sé respondeu ao  anúncio  feito na segunda-feira (2) pela Fraternidade São Pio X de que planeja consagrar bispos — até o momento sem a aprovação de Roma — dizendo que o diálogo continua e visa evitar rupturas ou decisões unilaterais.

Num breve comunicado enviado ontem (3) ao jornal National Catholic Register, da EWTN, Matteo Bruni, o porta-voz da Santa Sé, disse que “os contatos entre a Fraternidade São Pio X e a Santa Sé estão em andamento, com o objetivo de evitar desentendimentos ou soluções unilaterais para as questões que surgiram”.

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), que existe em estado de “irregularidade institucional” ou “comunhão imperfeita” com a Santa Sé, anunciou na segunda-feira que planeja consagrar novos bispos em 1º de julho, mesmo sem autorização da Santa Sé.

A FSSPX celebra exclusivamente a missa tridentina e mantém divergências doutrinárias com decisões e reformas do concílio Vaticano II.

O padre Davide Pagliarani, superior-geral da FSSPX, disse que solicitou uma audiência com o papa Leão XIV em agosto do ano passado para apresentar, “de maneira filial”, a situação atual da FSSPX, inclusive sua necessidade de bispos.

Em seguida, enviou uma segunda carta, expressando explicitamente a necessidade da FSSPX de novos bispos para dar continuidade ao seu ministério, mas disse ter recebido uma resposta que não atendia aos seus pedidos. O padre Pagliarani, com o apoio unânime do seu conselho, decidiu então proceder unilateralmente com a consagração de novos bispos em julho.

Desde a consagração ilícita de quatro bispos pelo arcebispo Marcel Lefebvre em 1988, que levou à sua excomunhão, as relações entre a Santa Sé e a FSSPX têm oscilado entre uma cautelosa reaproximação e uma renovada tensão, sem nunca alcançar uma plena regularização canônica.

O diálogo melhorou visivelmente a partir de 2003, e a reconciliação com a FSSPX tornou-se uma das prioridades do papa Bento XVI. Em 2009, o papa alemão revogou as excomunhões de 1988 dos quatro bispos, e as subsequentes negociações doutrinárias buscaram garantir a aceitação do concílio Vaticano II pela FSSPX, mas as negociações estagnaram em 2012.

O papa Francisco adotou uma abordagem mais pragmática e pastoral quando, em 2015, concedeu aos sacerdotes da FSSPX a faculdade de absolver pecados de forma válida e lícita, concessão que depois foi feita permanente. Dois anos depois, Francisco permitiu que bispos diocesanos delegassem aos sacerdotes da FSSPX a função de testemunhas de casamentos, mas o diálogo voltou a estagnar no mesmo ano.

A eleição do padre Pagliarani em 2018 trouxe uma linha doutrinária mais firme sobre o concílio Vaticano II e um maior ceticismo sobre qualquer acordo canônico percebido como exigindo concessões.

Observadores dizem que avançar unilateralmente com consagrações depois de buscar explicitamente — e não receber — a concordância de Roma sinaliza uma clara divergência de opiniões que pode endurecer as posições de ambos os lados, dificultando qualquer solução canônica futura.

Como em todo esse processo de diálogo, o principal ponto de discórdia é até que ponto a FSSPX fará concessões ou se manterá firme em relação às suas posições doutrinárias no que diz respeito ao Concílio Vaticano II. Essas posições se concentram na liberdade religiosa, no ecumenismo e nas relações com as religiões não-cristãs.

O abade Claude Barthe, sacerdote diocesano francês, ex-membro da Fraternidade São Pio X (FSSPX) e que agora leciona no seminário internacional do Instituto de Cristo Rei Sumo Sacerdote, insta à prudência diante dos acontecimentos recentes.

“Acho que precisamos ter muita cautela ao falar sobre este assunto”, disse ele ontem ao National Catholic Register. “É evidente que o caso amplamente divulgado das consagrações episcopais anunciadas pela FSSPX é uma das consequências da ferida aberta na Igreja pelo último Concílio e pela reforma litúrgica que se seguiu. Seria razoável que este caso suscitasse trocas de opiniões abertas e pacíficas entre as duas partes, a Santa Sé e a FSSPX”.

 

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