27 de janeiro de 2026 Doar
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Denúncia contra bispo espanhol por defender visão cristã da sexualidade é arquivada

O bispo de Orihuela-Alicante, Espanha, José Ignacio Munilla. | José Ignacio Munilla Aguirre

A procuradoria provincial de Madri, Espanha, arquivou uma denúncia contra o bispo de Orihuela-Alicante, Espanha, José Ignacio Munilla, acusado de crime de ódio por defender a antropologia cristã da sexualidade e o apoio da Igreja aos que desejam viver em castidade, abandonando práticas baseadas na ideologia de gênero.

A ideologia de gênero é a militância política baseada na teoria de que a sexualidade humana independe do sexo e se manifesta em gêneros muito mais variados do que homem e mulher. A ideia contraria à Escritura que diz, no livro do Gênesis 1, 27: “Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou. Homem e mulher Ele os criou”, na tradução oficial da CNBB.

O Catecismo da Igreja Católica diz, no número 369: “O homem e a mulher foram criados, quer dizer, foram queridos por Deus: em perfeita igualdade enquanto pessoas humanas, por um lado; mas, por outro, no seu respectivo ser de homem e de mulher. ‘Ser homem’, ‘ser mulher’ é uma realidade boa e querida por Deus: o homem e a mulher têm uma dignidade inamissível e que lhes vem imediatamente de Deus, seu Criador. O homem e a mulher são, com uma mesma dignidade, à imagem de Deus. No seu ser homem e no seu ser mulher, refletem a sabedoria e a bondade do Criador”.

Munilla anunciou isso por meio de suas redes sociais, anexando a comunicação oficial do ministério público sobre o encerramento do caso.

A denúncia foi tornada pública em novembro do ano passado pelo jornal Información, de Alicante, e foi apresentada pela associação Tu pueblo y el mío, que disse que algumas reflexões do bispo sobre as chamadas “terapias de conversão” poderiam constituir um crime de humilhação, desprezo ou difamação contra pessoas devido à sua orientação sexual, descrito no artigo 510 2 a) do Código Penal da Espanha, punível com “pena de prisão de seis meses a dois anos e multa de seis a 12 meses”.

Ao saber do processo, o bispo reafirmou cinco considerações que já havia expressado ao saber da denúncia.

Em primeiro lugar, que “ficou claro que a queixa não tinha fundamento e que só visava intimidar a Igreja para que não ousássemos propor a antropologia cristã do casamento e da sexualidade”.

Segundo Munilla, aqueles que movem esse tipo de ação judicial pretendem "ter carta branca para impor uma antropologia de Estado baseada na teoria de gênero LGBTI".

Em segundo lugar, o bispo diz que “a Igreja não pode deixar de pregar o Evangelho do amor vivido em pureza” e que “é nossa obrigação pastoral acompanhar as pessoas que nos pedem livremente ajuda espiritual para viver em castidade”.

Em terceiro lugar, Munilla diz ser “absolutamente incoerente” e “um verdadeiro ato de liberticídio” que “aqueles que dizem defender a livre escolha da própria identidade sexual procurem restringir a liberdade daqueles que seguem um caminho diferente do deles”.

“O cúmulo do absurdo é que a proposta do amor cristão possa se tornar objeto de acusações de crime de ódio e discriminação”, diz o bispo.

Por fim, Munilla diz que, “assim como a mídia divulgou amplamente a acusação contra mim em novembro, aposto que, agora que a acusação foi comprovadamente falsa, muito poucos repetirão o arquivamento do caso”.

“É assim mesmo!”, concluiu ele. “Alguns lutam pela narrativa; enquanto outros, como nós, lutam pela verdade da vida”.

O que disse monsenhor Munilla que motivou a queixa?

Monsenhor Munilla decidiu abordar a questão das chamadas “terapias de conversão” em seu programa Sexto Continente, na Rádio Maria Espanha, em 16 de maio do ano passado, falando sobre uma mensagem que ele próprio havia publicado em 14 de janeiro do ano passado.

Nela, ele disse: “O que eles chamam de terapia de conversão não existe de fato. É meramente uma construção ideológica do marxismo para impedir que a Igreja ofereça assistência pastoral a pessoas com inclinações homossexuais, ajudando-as a viver a virtude da castidade”.

O bispo estava reagindo à notícia de que o Ministério da Igualdade do Governo da Espanha anunciou uma investigação contra várias dioceses espanholas por supostamente oferecerem "terapias de conversão" a pessoas com tendências homossexuais.

Monsenhor Munilla disse que o que foi dito na rede social X em 23 de janeiro do ano passado, depois de Ana Redonde, ministra da Igualdade da Espanha, ter se reunido com o arcebispo de Valladolid, Luis Argüello, presidente da Conferência Episcopal Espanhola (CEE), para falar sobre esse assunto.

Munilla disse que "é absolutamente falso que a Igreja ofereça qualquer tipo de terapia", mas na verdade a Igreja "acompanha espiritualmente aqueles que sofrem feridas emocionais e nos chama a todos à conversão".

Ele disse também que "a alegação da ministra de que o Tribunal Constitucional da Espanha deveria decidir as condições para receber a Sagrada Comunhão está entre uma farsa e uma tragicomédia".

Em seu programa de rádio, Munilla disse que o termo “terapias de conversão” surge “para criminalizar todos os que põem em dúvida a nova antropologia” baseada na ideologia de gênero e “para intimidar, dominar e, em última instância, aniquilar a proclamação da boa nova feita pela Igreja, de que Cristo veio para curar o coração do homem”.

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