Jan 23, 2026 / 16:13 pm
Uma pesquisa divulgada ontem (22), um dia antes da Marcha pela Vida anual em Washington, D.C., mostra que menos de quatro em cada dez americanos se identificam como pró-vida, mas cerca de dois terços (66%) dos americanos ainda apoiam algumas restrições ao aborto.
A pesquisa, divulgada ontem (22), foi feita Marist Poll da Universidade Marista e encomendada pelos Cavaleiros de Colombo, uma organização leiga católica. Pesquisadores entrevistaram 1.408 adultos entre os dias 12 e 13 de janeiro.
Respondendo se se identificavam como “pró-vida” ou “pró-escolha”, só 37% se identificaram como “pró-vida”, 62% se declararam “pró-escolha” e só 1% dos entrevistados disseram não ter certeza.
Segundo a pesquisa, 44% dos católicos se identificaram como pró-vida e 55% como pró-escolha, mas católicos praticantes eram muito mais propensos a serem pró-vida.
Pesquisadores descobriram que 58% dos católicos que se identificavam como praticantes eram pró-vida, em comparação com 41% que disseram que são pró-escolha. Só 31% dos católicos não praticantes se declararam pró-vida, em comparação com 68% que disseram que são pró-escolha.
A pesquisa também constatou que o rótulo "pró-escolha" normalmente não se traduz em aborto irrestrito. Cerca de um terço dos americanos está numa posição intermediária.
Segundo a pesquisa, 32% dos americanos acreditam que o aborto deve ser permitido em qualquer fase da gravidez, até o momento do parto.
Outros 37% acreditam que a maioria dos abortos deveria ser ilegal, 6% dizem que não deveria ser legal em nenhuma circunstância, 10% dizem que só deveria ser permitido para salvar a vida da mãe e 21% apoiam o aborto só quando a vida da mãe está em risco ou quando o bebê é concebido por meio de estupro ou incesto.
Para 20% dos entrevistados o aborto deveria ser legal no primeiro trimestre e 10% disseram que deveria ser legal até o segundo trimestre. No geral, 67% querem pelo menos algumas limitações e 57% querem restrições pelo menos até o fim do primeiro trimestre.
A pesquisa também mostrou que 59% dos americanos acreditam que uma consulta presencial com um médico deveria ser obrigatória para obter medicamentos para aborto medicamentoso, algo que a lei federal não exige atualmente. Só 40% disseram que não deveria ser obrigatório.
Uma pequena maioria, 54%, se opõe ao uso de dinheiro dos pagadores de impostos para financiar abortos nos EUA, enquanto 45% apoiam. Cerca de 69% dos adultos se opõem ao uso de dinheiro dos impostos para financiar abortos no exterior e 29% apoiam.
Cerca de 63% apoiam a proteção da objeção de consciência para profissionais de saúde, dizendo que eles não deveriam ser obrigados a participar de um aborto caso se oponham a ele, enquanto 36% se opõem. Cerca de 84% disseram apoiar o trabalho dos centros de apoio à gravidez, que não fazem abortos, e só 15% se opõem a ele.
“Apesar dos debates públicos acalorados sobre o aborto, ainda existe um consenso de opinião sobre essa questão entre os americanos”, disse Barbara L. Carvalho, diretora da Marist Poll.
“Os americanos acreditam que o aborto deve ser limitado, mas com exceções para casos de estupro, incesto ou para salvar a vida da mãe”, disse ela. “Apesar das mudanças na prática que ocorreram desde a histórica decisão da Suprema Corte no caso Dobbs, a opinião pública permaneceu consistente”.
Patrick Kelly, cavaleiro supremo dos Cavaleiros de Colombo, disse que a pesquisa mostra que “a maioria dos americanos apoia restrições legais ao aborto” e que “uma maioria crescente apoia centros de apoio à gravidez, que oferecem assistência a mães e seus filhos em seu momento de maior necessidade”.
“Os Cavaleiros de Colombo apoiam mulheres vulneráveis e seus filhos desde a nossa fundação pelo beato Michael McGivney, há mais de 140 anos, e nosso compromisso jamais vacilou”, disse ele. “E agora, somos guiados pelas palavras encorajadoras do papa Leão XIV, que recentemente citou, em seu discurso sobre o Estado do Mundo, que a vida é um dom inestimável e que, como católicos, temos um imperativo ético fundamental de acolher e cuidar plenamente da vida nascitura”, disse ele. “A missão dos Cavaleiros de Colombo continuará sendo guiada por esses princípios até que o aborto se torne impensável”.
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