20 de janeiro de 2026 Doar
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Leão XIV retoma celebração da Quinta-feira Santa em São João de Latrão

Papa Leão XIV na basílica de São João de Latrão, em Roma. | Vatican Media

Em sua primeira Quinta-feira Santa como papa, em 28 de março de 2013, o papa Francisco escolheu celebrar a Missa in Coena Domini na capela do centro de detenção juvenil Casal del Marmo, ao norte de Roma.

Como costumava fazer quando era arcebispo de Buenos Aires, Argentina, Francisco lavou os pés de 12 pessoas presas, inclusive uma muçulmana da Sérvia.

Nos 12 anos de seu pontificado, ele deixou de lado a celebração na basílica de São João de Latrão, catedral do bispo de Roma.

“Os anos do pontificado do papa Francisco, assim como muitas outras celebrações e iniciativas, constituem uma exceção, motivada pelo desejo de oferecer ao mundo um sinal claro de predileção pelos pobres e pelos mais necessitados, chamando a atenção do bispo de Roma para os lugares de sofrimento”, disse Giovanni Falbo, cônego lateral, camerlengo do Capítulo Catedralício e reitor da basílica.

“Uma intenção louvável que, no entanto, implicou uma certa privatização da celebração da Última Ceia”, disse Falbo à ACI Prensa, agência em espanhol da EWTN. Por falta de espaço na casa de detenção, os sacerdotes da diocese de Roma não podiam participar da celebração da fundação da Igreja com seu bispo.

Ele diz que a recuperação dessa tradição é mais um sinal da vontade do papa Leão XIV "não só de ser, mas de se comportar como bispo de Roma".

Essa é uma decisão que —na opinião de Falbo— destaca a ligação de Leão XIV com a basílica de São João de Latrão, que se tornou visível em 25 de maio do ano passado, quando ele tomou posse da cátedra episcopal de Roma, sede episcopal do papa por ser a primeira basílica cristã construída depois da paz de Constantino, no século IV d.C.

Essa cerimônia marcou um passo fundamental no início do pontificado de Leão XIV, já que o papa não é só o sucessor de são Pedro e pastor da Igreja universal, mas também o bispo de Roma.

Dados históricos sobre o rito do lava-pés

Falbo diz que o rito do lava-pés “tem naturalmente as suas raízes no gesto feito por Jesus no Cenáculo, quando lavou os pés dos Seus Apóstolos antes da instituição da Eucaristia”.

Ele diz que o Evangelho de são João é o único que fala sobre esse episódio, acompanhado de uma catequese que o transforma em símbolo do amor fraterno e do "novo mandamento", que torna o amor concreto no serviço recíproco.

“Mesmo na Igreja primitiva, o lava-pés era considerado um sinal relevante para reconhecer os autênticos discípulos do Senhor”, diz o cônego.

O rito do lava-pés variou ao longo dos séculos. Com o concílio de Toledo, em 694 d.C, o lava-pés feito pelo bispo em favor de seus colaboradores passou a ser considerado um rito semilitúrgico e obrigatório. O Ordo Romano XII fala sobre um segundo mandamento, no qual, depois de oferecer almoço a 13 pessoas pobres num aposento do palácio papal, o papa lavava, secava e beijava seus pés.

No século XV, as crônicas de Giovanni Burcardo — mestre de cerimônias pontifício de Inocêncio VIII a Júlio II, inclusive Alexandre VI — citam sistematicamente a lavagem dos pés de 13 pessoas pobres pelo papa numa das salas do Palácio Apostólico, no Vaticano.

No entanto, Falbo diz que, antes da mudança definitiva para essa sede depois do retorno de Avignon em 1378, os papas viveram por quase mil anos junto à catedral de Latrão, desde o pontificado de são Melquíades (†314 d.C.) até Clemente V (1305-1314).

Embora o lava-pés seja um rito específico da Quinta-feira Santa, Falbo diz que, pelo menos desde o pontificado de são Inocêncio I, em 416 d.C., três missas diferentes eram celebradas nesse dia: uma missa matutina para a reconciliação dos penitentes; outra para a bênção dos santos óleos, em particular o Crisma; e uma terceira missa vespertina em memória da Ceia do Senhor.

Portanto, o lava-pés não estava originalmente ligado à missa da Quinta-feira Santa, embora o Evangelho proclamado na missa in Coena Domini se refira precisamente a esse gesto de Jesus Cristo.

O cânone fala sobre a profunda reforma do Sagrado Tríduo Pascal feita pelo papa venerável Pio XII em 1955, que entrou em vigor no ano seguinte com o objetivo de recuperar uma maior fidelidade histórica nas celebrações.

Desde então, a prática do bispo de Roma — condicionada por não mais viver ao lado de sua catedral — tem sido dividir as celebrações entre as basílicas de São João de Latrão e São Pedro, reservando para a primeira a celebração vespertina da Quinta-feira Santa, com o rito do lava-pés, depois da missa crismal celebrada pela manhã na basílica do Vaticano.

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