“A disciplina necessária à prática de um esporte pode também ser um recurso de grande valor para desenvolver a vida espiritual, não para deixá-la apenas nas mãos das emoções, mas para construí-la a partir da fidelidade, constância e empenho cotidiano na oração", disse o papa Francisco a atletas da Federação Italiana de Basquete, na segunda-feira 31 de maio. A federação completou 100 anos de sua fundação.

O recordou a partida de basquete disputada no meio da Praça de São Pedro, no Vaticano, perante o Papa Pio XII.  Em 9 de outubro de 1955, Pio XII recebeu os integrantes do Centro Sportivo Italiano, uma entidade católica de esportistas, que montou uma quadra de basquete em frente à basílica de São Pedro e disputou ali uma partida.

Em seu discurso, o papa Francisco destacou dois aspectos da atividade esportiva. Em primeiro lugar saber jogar em equipe. “Existem alguns esportes que se chamam individuais. Porém, o esporte sempre ajuda a colocar as pessoas em contato umas com as outras, a fazer nascer relações entre pessoas diferentes, muitas vezes estranhos que, mesmo vindos de contextos diferentes, se unem e lutam por um objetivo comum”, disse o papa. “Nesse sentido, o esporte é um remédio para o individualismo da nossa sociedade que muitas vezes gera um 'eu' isolado e triste, que nos torna incapazes de 'jogar em equipe' e cultivar a paixão por um bom ideal.”

O segundo aspecto destacado pelo papa é a disciplina. “Muitos jovens e adultos apaixonados por esportes e que continuam a incentivá-lo, muitas vezes não conseguem imaginar quanto trabalho e quanto treinamento há por trás de cada jogo”, disse. “Isso requer muita disciplina, não só física, mas também interna: exercícios físicos, perseverança, atenção a uma vida ordenada nos horários e alimentação e descanso alternado com o cansaço do treinamento”.

Para o papa, a disciplina do esporte “é uma escola de formação e educação, principalmente para crianças e jovens”. “Ajuda-os a compreender como é importante aprender a 'colocar a própria vida em ordem'”, disse Francisco citando Santo Inácio de Loyola, autor dos Exercícios Espirituais. “Esta disciplina”, prosseguiu o Pontífice, “não visa tornar-nos rígidos, mas sim tornar-nos responsáveis ​​por nós mesmos, pelas coisas que nos foram confiadas, pelos outros, pela vida em geral”.

“Sem um treinamento interior constante, a fé corre o risco de enfraquecer”, frisou o pontífice.

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Em relação ao basquetebol, em particular, afirmou que “é um esporte que se eleva aos céus porque, como disse um ex-jogador de renome, é um esporte que leva a olhar para cima, para o cesto e, portanto, é um verdadeiro desafio para aqueles que estão habituados a viver olhando para o chão”.

O papa pediu aos atletas que promovam “o jogo saudável entre crianças e jovens” e que ajudem os jovens “a olhar para cima, a nunca desistir, a descobrir que a vida é um caminho feito de derrotas e vitórias, mas que o importante não é perder a vontade continuar jogando”.

O papa concluiu com uma reflexão sobre a derrota: “Aceite as derrotas com maturidade, porque isso te faz crescer, te faz entender que na vida nem tudo é doce, nem sempre se vence. A derrota às vezes é experimentada. E quando um atleta sabe 'superar a derrota' assim, com dignidade, com humanidade, com grande coração, ela se torna uma verdadeira recompensa, uma verdadeira vitória humana”.

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