4 de fev de 2026 às 16:15
Por ocasião do Dia Internacional da Fraternidade Humana, celebrado todos os anos em 4 de fevereiro, Leão XIV lamentou que alguns considerem o sonho de construir a paz como uma "utopia de outros tempos" e falou sobre a importância da fraternidade como um vínculo universal que une toda a humanidade, criada à imagem de Deus.
“É preciso proclamar com convicção que a fraternidade humana é uma realidade vivida, mais forte do que todos os conflitos, diferenças e tensões”, disse Leão XIV no sétimo aniversário da assinatura do Documento sobre a Fraternidade Humana pelo papa Francisco e o imã Ahmed Al-Tayyeb em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos. "É um potencial que deve ser realizado por meio de um compromisso diário e concreto de respeito, partilha e compaixão”,
A resolução, assinada em 2019, fala sobre a importância da educação, da conscientização e do respeito por diferentes culturas e religiões. Ela fala sobre a necessidade urgente de proteger as pessoas, promover a paz e pôr fim à violência, ao extremismo religioso, às guerras e ao terrorismo.
“Hoje, a necessidade de fraternidade não é um ideal distante, mas uma questão urgente”, disse o papa.
Assim, Leão XIV pediu aos fiéis para lembrar que hoje “muitos de nossos irmãos e irmãs estão sofrendo os horrores da violência e da guerra” e disse que “a primeira vítima de toda guerra é o próprio projeto de fraternidade, inscrito na vocação da família humana”.
As palavras “não bastam”
Leão XIV disse que “as palavras não bastam” e que as convicções mais profundas precisam ser cultivadas por meio de um esforço “tangível”.
“Permanecer no mundo das ideias e das discussões, sem gestos pessoais, frequentes e sinceros, será a ruína dos nossos sonhos mais preciosos”, disse o papa, citando um fragmento da exortação apostólica Dilexi te, que ele assinou em 4 de outubro do ano passado.
Leão XIV defendeu a “ir além das periferias” e a convergência para um maior senso de “pertença mútua”.
O papa também homenageou os laureados deste ano com o prêmio Zayed para a Fraternidade Humana, falando sobre seu trabalho como "autênticos testemunhos de bondade e caridade humana".
Este ano, o prêmio foi concedido ao presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, e ao primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinyan. Ambos os líderes viajaram hoje (4) a Abu Dhabi para participar da cerimônia do prêmio Zayed de Fraternidade Humana 2026, que receberam em 20 de janeiro em reconhecimento aos seus esforços para promover a paz, a cooperação e a estabilidade entre seus dois países. Os líderes da Armênia e do Azerbaijão assinaram um acordo em 8 de agosto do ano passado, na Casa Branca, em Washington D.C., capital dos EUA, estabelecendo um roteiro para pôr fim a quase quatro décadas de conflito armado, sendo a criação do corredor TRIPP um componente fundamental.
Receba as principais de ACI Digital por WhatsApp e Telegram
Está cada vez mais difícil ver notícias católicas nas redes sociais. Inscreva-se hoje mesmo em nossos canais gratuitos:
O acordo de paz está pendente do referendo constitucional para remover todas as referências ao território de Nagorno-Karabakh, enclave azerbaijano habitado por armênios e conquistado por Baku em 2023, do preâmbulo da Constituição.
Segundo o papa, tanto Aliyev quanto Pashinyan são “semeadores de esperança num mundo que muitas vezes constrói muros em vez de pontes”.
“Escolhendo o difícil caminho da solidariedade em vez do fácil caminho da indiferença, eles demonstraram que mesmo as divisões mais arraigadas podem ser sanadas por meio de ações concretas”, disse Leão XIV.
Para ele, suas ações “testemunham a convicção de que a luz da fraternidade pode prevalecer sobre as trevas do fratricídio”.
Não encarar os outros como ameaça
Por fim, o papa expressou sua gratidão ao xeque Mohammed bin Zayed Al Nahyan, presidente dos Emirados Árabes Unidos, por seu apoio contínuo a essa iniciativa, e ao Comitê Zayed pela sua visão e convicção moral.
“Continuemos a trabalhar juntos para que a dinâmica do amor fraterno se torne o caminho comum de todos e para que o outro não seja mais visto como um estrangeiro ou uma ameaça, mas reconhecido como um irmão ou uma irmã”, concluiu.





