4 de fev de 2026 às 15:55
A Comissão Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano (CEETH), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em parceria com a Rede Internacional Talitha Kum e a Rede Um Grito Pela Vida, ligada a Conferência dos Religiosos e Religiosas do Brasil (CRB) realiza a 12ª edição do Dia Mundial de Oração e Reflexão Contra o Tráfico de Pessoas, no domingo, 8 de fevereiro, dia da memória litúrgica de santa Josefina Bakhita, religiosa sudanesa escravizada quando era menina.
O Dia Internacional de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas foi instituído pelo papa Francisco em 2015. Para ele, o tráfico humano era “uma ferida aberta no corpo da sociedade contemporânea, uma chaga na carne de Cristo” e “um crime contra a humanidade”.
Essa ação acontece anualmente no dia de santa Bakhita, segundo o CEETH, com o objetivo de “conscientizar a sociedade sobre a erradicação dessa violência que mercantiliza pessoas e fere os direitos humanos”.
O tema deste ano: “Paz começa com a dignidade: um chamado global para o fim do tráfico de pessoas”, segundo a Rede Internacional Talitha Kum, é inspirado “na lembrança do papa Leão XIV de que a verdadeira paz é gentil e humilde, nasce do amor e se mantém onde a dignidade humana é defendida”.
Segundo a Rede Internacional Talitha Kum, “o tráfico de pessoas afeta milhões de pessoas no mundo inteiro”. A grande maioria dessas vítimas “é destinada para a exploração sexual; a indústria do entretenimento; trabalho clandestino; trabalho doméstico; trabalho forçado, por exemplo, na construção civil, pesca e outras formas de exploração de trabalho”. Como também em “casamentos forçados; noivas por correspondência ou noivas por catálogo; adoção ilegal de crianças; mendicidade; transplante de órgãos e atos criminosos”.
“A exploração e a coisificação das pessoas através do tráfico destroem fundamentalmente os alicerces da paz e da justiça, pelo que a sua erradicação é essencial para construir um mundo justo”, ressaltou a Rede Internacional Talitha Kum.
Segundo o Relatório Global sobre Tráfico de Pessoas de 2024 do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), mais de mil casos de tráfico de pessoas foram identificados em 113 países. Das vítimas identificadas, 65% são mulheres e meninas. Quase um terço são crianças.
A coordenadora-geral de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Contrabando de Migrantes do Ministério da Justiça, Marina Bernardes de Almeida, disse ao jornal Agência Brasil que “no contexto brasileiro, a gente tem uma predominância de homens no tráfico para fins de trabalho escravo e de mulheres, para fins de exploração sexual”.
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“E essa é uma tendência que vem se verificando desde os relatórios iniciais, demonstrando um pouco essa interseccionalidade com as questões de gênero e a finalidade do tráfico de pessoas”, destacou Almeida.
Ela ainda disse que “no tráfico interno, muitas vezes, o recrutamento se dá por meio de familiares, de pessoas conhecidas”. “No tráfico para fins de trabalho escravo internacional, o aliciamento pela internet, por redes sociais, já apareceu de forma muito contundente”. Em relação à “exploração sexual, também as mídias sociais foram apontadas como a principal forma de recrutamento”.
O Relatório Nacional sobre Tráfico de Pessoas de 2024, divulgado dia 4 de julho de 2025, pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) do governo brasileiro, revelou que 84.760 pessoas desapareceram no Brasil em 2025. A maioria dos desaparecidos são homens, com 54.102 casos. 30.050 registros são de mulheres e 23.919 de crianças e adolescentes com menos de 18 anos.
“Embora nem todo desaparecimento tenha relação direta com o tráfico de pessoas, esses números compõem o cenário de risco e exploração que as redes de apoio e enfrentamento lidam diariamente”, disse a Comissão da CNBB.
Ações para o Dia Mundial de Oração e Reflexão Contra o Tráfico de Pessoas
Para viver o XII Dia Mundial de Oração e Reflexão Contra o Tráfico de Pessoas, a Comissão Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano da CNBB sugeriu três ações para os fiéis do Brasil.
A primeira ação é uma vigília de oração, em que os fiéis podem rezar com o roteiro de oração “Paz Começa com Dignidade: Um Chamado Global para Acabar com o Tráfico de Pessoas”. A segunda ação é uma mobilização nas redes sociais para propagar informações sobre a realidade do tráfico e suas diversas modalidades. A terceira ação é realizar eventos presenciais com “processos formativos, peregrinações nas comunidades para anunciar e denunciar as violações, audiências públicas e manifestações sobre o tema” que podem ser baixados no Guia Informativo Temático, elaborado pela Rede Internacional Talitha Kum.




